sábado, 8 de fevereiro de 2014

"Hoje vos Nasceu o Salvador"


II. Os Primeiros Anos 
    
    O Rei da Glória muito Se humilhou ao revestir-Se da humanidade. Rude e ingrato foi o Seu ambiente terrestre. Sua glória foi velada, para que a majestade de Sua aparência exterior não se tornasse objeto de atração. Esquivava-Se a toda exibição exterior. 
    Riquezas, honras terrestres e humana grandeza nunca poderão salvar uma alma da morte; Jesus Se propôs que nenhuma atração de natureza terrena levasse homens ao Seu lado. Unicamente a beleza da verdade celeste devia atrair os que O seguissem. O caráter do Messias fora desde há muito predito na profecia, e era Seu desejo que os homens O aceitassem em razão do testemunho da Palavra de Deus. 
    Os anjos maravilharam-se ante o glorioso plano da redenção. Observavam a ver de que maneira o povo de Deus receberia Seu Filho, revestido da humanidade. Anjos foram à terra do povo escolhido. Outras nações estavam embebidas com fábulas, e adorando falsos deuses. À terra onde se revelara a glória de Deus, e brilhara a luz da profecia, foram os anjos. Dirigiram-se invisíveis a Jerusalém, aos designados expositores dos Sagrados 
Oráculos, e ministros da casa de Deus. Já a Zacarias, enquanto ministrava perante o altar, fora anunciada a proximidade da vinda de Cristo. Já nascido estava o precursor, havendo sua missão sido atestada por milagres e profecias. As novas de Seu nascimento e o maravilhoso significado de Sua missão tinham sido amplamente divulgados. Todavia, Jerusalém não se estava preparando para receber o Redentor. 
    Com pasmo viram os mensageiros celestiais a indiferença do povo a quem Deus chamara para comunicar ao mundo a luz da sagrada verdade. A nação judaica fora conservada como testemunho de que Cristo havia de nascer da semente de Abraão e da linhagem de Davi; no entanto, não sabiam que Sua vinda se achava agora às portas. No templo, o sacrifício matutino e vespertino apontava diariamente ao Cordeiro de Deus; entretanto, nem mesmo ali havia qualquer preparação para O receber. Os sacerdotes e doutores da nação ignoravam que o maior acontecimento dos séculos estava prestes a ocorrer. Proferiam suas orações destituídas de sentido, e realizavam os ritos do culto para serem vistos pelos homens, mas em sua luta por riquezas e honras mundanas, não estavam preparados para a revelação do Messias. A mesma indiferença penetrava a terra de Israel. Corações egoístas e absorvidos pelo mundo, ficavam impassíveis ante o júbilo que comovia o Céu. Apenas alguns estavam ansiando contemplar o Invisível. A esses foi enviada a embaixada do Céu. 
    Anjos assistiam José e Maria enquanto viajavam de seu lar, em Nazaré, à cidade de Davi. O decreto de Roma Imperial acerca do alistamento dos povos de seu vasto domínio, estendera-se aos habitantes das montanhas da Galiléia. Como outrora Ciro fora chamado ao trono do império do mundo a fim de libertar os cativos do Senhor, assim César Augusto se tornara o instrumento para a realização do desígnio de Deus em levar a mãe de Jesus a Belém. Ela é da linhagem de Davi, e o Filho de Davi deve nascer na sua cidade. De Belém dissera o profeta: "De ti é que Me há de sair Aquele que há de reinar em Israel, e cuja geração é desde o princípio, desde os dias da eternidade." Miq. 5:2. Mas na cidade de sua real linhagem, José e Maria não são reconhecidos nem honrados. Fatigados e sem lar, atravessam toda a extensão da estreita rua, da porta da cidade ao extremo oriental desta, buscando em vão um lugar de pousada para a noite. Não há lugar para eles na apinhada hospedaria. Num rústico rancho em que se abrigam os animais, encontram afinal refúgio, e ali nasce o Redentor do mundo. 
Os homens não o sabem, mas as novas enchem o Céu de regozijo. Com mais profundo e mais terno interesse os santos seres do mundo da luz são atraídos para a Terra. Todo o mundo se ilumina à presença do Redentor. Sobre as colinas de Belém acha-se reunida inumerável multidão de anjos. Esperam o sinal para declarar as alegres novas ao mundo. Houvessem os guias de Israel sido fiéis ao depósito que se lhes confiara, e teriam partilhado da alegria de anunciar o nascimento de Jesus. Mas assim foram passados por alto. 
    Deus declara: "Derramarei águas sobre o sedento e rios sobre a terra seca." Isa. 44:3 "Aos justos nasce luz das trevas." Sal. 112:4. Os brilhantes raios, que descem do trono de Deus, iluminarão os que andam em busca de luz e a aceitam com alegria. 
    Nos campos em que o jovem Davi guardara seus rebanhos, havia ainda pastores vigiando durante a noite. Nas horas caladas, conversavam entre si acerca do prometido Salvador, e oravam pela vinda do Rei ao trono de Davi. "E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplandor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais; porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo; pois na cidade de Davi vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor." Luc. 2:10 e 11. 
    A essas palavras, visões de glória encheram a mente dos pastores que as escutavam. Chegara a Israel o Libertador! Poder, exaltação, triunfo, acham-se associados à Sua vinda. O anjo, porém, deve prepará-los para reconhecerem o Salvador na pobreza e na humilhação. "Isto vos será por sinal", diz ele: "Achareis o Menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura." Luc. 2:12. 
    O celestial mensageiro acalmara-lhes os temores. Dissera-lhes como poderiam encontrar Jesus. Com terna consideração para com sua humana fraqueza, dera-lhes tempo para se habituarem à radiação divina. Então, o júbilo e a glória não se puderam por mais tempo ocultar. Toda a planície se iluminou com a resplandecência das hostes de Deus. A Terra emudeceu, e o Céu inclinou-se para escutar o cântico: 
    "Glória a Deus nas alturas, 
    Paz na Terra, boa vontade para com os homens." Luc. 2:14. 
    Quem dera que a família humana pudesse hoje reconhecer este cântico! A declaração então feita, a nota vibrada então, avolumar-se-á até ao fim do tempo, e ressoará até aos extremos da Terra. Quando se erguer o Sol da Justiça, trazendo salvação sob Suas asas, esse cântico há de ecoar pela voz de uma grande multidão, como a voz de muitas águas, dizendo: "Aleluia, pois já o Senhor Deus todo-poderoso reina." Apoc. 19:6. 
    Ao desaparecerem os anjos, dissipou-se a luz, e mais uma vez cobriram as sombras da noite as colinas de Belém. A mais gloriosa cena que olhos humanos já contemplaram, permaneceu, no entanto, na memória dos pastores. "E depois que os anjos se retiraram deles para o Céu, os pastores diziam entre si: Vamos até Belém, e vejamos o que é que lá sucedeu, e o que é que o Senhor nos manifestou. E foram com grande pressa; e encontraram Maria e José, e o Menino deitado na manjedoura." Luc. 2:15 e 16. 
    Partindo com grande alegria, divulgaram as coisas que tinham visto e ouvido. "E todos os que o ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam. Mas Maria guardou todas estas coisas, conferindo-as em seu coração. E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus." Luc. 2:18-20. Não se acham o Céu e a Terra mais distanciados hoje do que ao tempo em que os pastores ouviram o cântico dos anjos. A humanidade é hoje objeto da solicitude celeste da mesma maneira que o era quando homens comuns, ocupando posições ordinárias, se encontravam à luz do dia com anjos, e falavam com os mensageiros nas vinhas e nos campos. Enquanto nos movemos em nossos afazeres comuns, podemos ter bem perto o Céu. Anjos das cortes no alto assistirão os passos dos que vão e vêm às ordens de Deus. 
    A história de Belém é inexaurível. Nela se acham ocultas as "profundidades das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus". Rom. 11:33. Maravilhamo-nos do sacrifício do Salvador em permutar o trono do Céu pela manjedoura, e a companhia dos 
anjos que O adoravam pela dos animais da estrebaria. O orgulho e presunção humanos ficam repreendidos em Sua presença. Todavia, esse passo não era senão o princípio de Sua maravilhosa condescendência. Teria sido uma quase infinita humilhação para o Filho de Deus, revestir-Se da natureza humana mesmo quando Adão permanecia em seu estado de inocência, no Éden. Mas Jesus aceitou a humanidade quando a raça havia sido enfraquecida por quatro mil anos de pecado. Como qualquer filho de Adão, aceitou os resultados da operação da grande lei da hereditariedade. O que estes resultados foram, manifesta-se na história de Seus ancestrais terrestres. Veio com essa hereditariedade para partilhar de nossas dores e tentações, e dar-nos o exemplo de uma vida impecável. 
    Satanás aborrecera a Cristo no Céu, por causa de Sua posição nas cortes de Deus. Mais O aborreceu ainda quando se sentiu ele próprio destronado. Odiou Aquele que Se empenhou em redimir uma raça de pecadores. Não obstante, ao mundo em que Satanás pretendia domínio, permitiu Deus que viesse Seu Filho, impotente criancinha, sujeito à fraqueza da humanidade. Permitiu que enfrentasse os perigos da vida em comum com toda a alma humana, combatesse o combate como qualquer filho da humanidade o tem de fazer, com risco de fracasso e ruína eterna. 
    O coração do pai humano compadece-se do filho. Olha a fisionomia do pequenino, e treme ante a idéia dos perigos da vida. Anela proteger seu querido do poder de Satanás, guardá-lo da tentação e do conflito. Para enfrentar mais amargo conflito e mais terrível risco Deus deu Seu Filho unigênito, para que a vereda da vida fosse assegurada aos nossos pequeninos. "Nisto está o amor." Maravilhai-vos, ó céus! e assombrai-vos, ó Terra! 
Abrazo!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A Plenitude dos Tempos

   
 "Vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho ... para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos." Gál. 4:4 e 5. 
    A vinda do Salvador foi predita no Éden. Quando Adão e Eva ouviram pela primeira vez a promessa, aguardavam-lhe o pronto cumprimento. Saudaram alegremente seu primogênito, na esperança de que fosse o Libertador. Mas o cumprimento da promessa demorava. Aqueles que primeiro a receberam, morreram sem o ver. Desde os dias de Enoque, a promessa foi repetida por meio de patriarcas e profetas, mantendo viva a esperança de Seu aparecimento, e todavia Ele não vinha. A profecia de Daniel revelou o tempo de Seu advento, mas nem todos interpretavam corretamente a mensagem. Século após século se passou; cessaram as vozes dos profetas. A mão do opressor era pesada sobre Israel, e muitos estavam dispostos a exclamar: "Prolongar-se-ão os dias, e perecerá toda a visão." Ezeq. 12:22. 

Mas, como as estrelas no vasto circuito de sua indicada órbita, os desígnios de Deus não conhecem adiantamento nem tardança. Mediante os símbolos da grande escuridão e do forno fumegante, Deus revelara a Abraão a servidão de Israel no Egito, e declarara que o tempo de sua peregrinação seria de quatrocentos anos. "Sairão depois com grandes riquezas." Gên. 15:14. Contra essa palavra, todo o poder do orgulhoso império de Faraó batalhou em vão. "Naquele mesmo dia", indicado na promessa divina, "todos os exércitos do Senhor saíram da terra do Egito." Êxo. 12:41. Assim, nos divinos conselhos fora determinada a hora da vinda de Cristo. Quando o grande relógio do tempo indicou aquela hora, Jesus nasceu em Belém. 
    "Vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho." A Providência havia dirigido os movimentos das nações, e a onda do impulso e influência humanos, até que o mundo se achasse maduro para a vinda do Libertador. As nações estavam unidas sob o mesmo governo. Falava-se vastamente uma língua, a qual era por toda parte reconhecida como a língua da literatura. De todas as terras os judeus da dispersão reuniam-se em Jerusalém para as festas anuais. Ao voltarem para os lugares de sua peregrinação, podiam espalhar por todo o mundo as novas da vinda do Messias. 
    Por essa época, os sistemas pagãos iam perdendo o domínio sobre o povo. Os homens estavam cansados de aparências e fábulas. Ansiavam uma religião capaz de satisfazer a alma. Conquanto a luz da verdade parecesse afastada dos homens, havia almas ansiosas de luz, cheias de perplexidade e dor. Tinham sede do conhecimento do Deus vivo, da certeza de uma vida para além da morte. 
    À medida que Israel se havia separado de Deus, sua fé se enfraquecera, e a esperança deixara, por assim dizer, de iluminar o futuro. As palavras dos profetas eram incompreendidas. Para a massa do povo, a morte era um terrível mistério; para além, a incerteza e as sombras. Não era só o pranto das mães de Belém, mas o clamor do grande coração da humanidade, que chegou ao profeta através dos séculos - a voz ouvida em Ramá, "lamentação, choro e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque já não existem". Mat. 2:18. Na "região da sombra da morte", sentavam-se os homens sem consolação. Com olhares ansiosos, aguardavam a vinda do Libertador, quando as trevas seriam dispersas, e claro se tornaria o mistério do futuro. 
    Fora da nação judaica houve homens que predisseram o aparecimento de um instrutor. Esses homens andavam em busca da verdade, e foi-lhes comunicado o Espírito de inspiração. Um após outro, quais estrelas num céu enegrecido, haviam-se erguido esses mestres. Suas palavras de profecia despertaram a esperança no coração de milhares, no mundo gentio. 
    Fazia séculos que as Escrituras haviam sido traduzidas para o grego, então vastamente falado no império romano. Os judeus estavam espalhados por toda parte, e sua expectação da vinda do Messias era, até certo ponto, partilhada pelos gentios. Entre aqueles a quem os judeus classificavam de pagãos, encontravam-se homens que possuíam melhor compreensão das profecias da Escritura relativas ao Messias, do que os mestres de Israel. Alguns O esperavam como Libertador do pecado. Filósofos esforçavam-se por estudar a fundo o mistério da organização dos hebreus. A hipocrisia destes, porém, impedia a disseminação da luz. Com o fito de manter a separação entre eles e as outras nações, não se dispunham a comunicar o conhecimento que ainda possuíam quanto ao serviço simbólico. Era preciso que viesse o verdadeiro Intérprete. Aquele a quem todos esses tipos prefiguravam, devia explicar o sentido dos mesmos. 
    Por meio da Natureza, de figuras e símbolos, de patriarcas e profetas, Deus falara ao mundo. As lições deviam ser dadas à humanidade na linguagem da própria humanidade. O Mensageiro do concerto devia falar. Sua voz devia ser ouvida em Seu próprio templo. Cristo tinha de vir para proferir palavras que fossem clara e positivamente compreendidas. Ele, o autor da verdade, devia separá-la da palha das expressões humanas, que a haviam tornado de nenhum efeito. Os princípios do governo de Deus e o plano da redenção, deviam ficar claramente definidos. As lições do Antigo Testamento precisavam ser plenamente apresentadas aos homens. 
    Havia entre os judeus ainda algumas almas firmes, descendentes daquela santa linhagem através da qual fora conservado o conhecimento de Deus. Estes acalentavam a esperança da promessa feita aos pais. Fortaleciam a fé repousando na certeza dada por intermédio de Moisés: "O Senhor vosso Deus vos suscitará um profeta dentre vossos irmãos, semelhante a mim: a Este ouvireis em tudo que vos disser." Atos 3:22. E novamente liam como o Senhor havia de ungir Alguém "para pregar boas novas aos mansos", "restaurar os contritos de coração", "proclamar liberdade aos cativos", e apregoar "o ano aceitável do Senhor". Isa. 61:1 e 2. Liam como Ele havia de estabelecer "a justiça sobre a Terra", como as ilhas aguardariam a "Sua doutrina", (Isa. 42:4) como os gentios andariam à Sua luz, e os reis ao resplandor que Lhe nascera. Isa. 60:3. 
    As derradeiras palavras de Jacó os enchiam de esperança: "O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló." Gên. 49:10. O enfraquecido poder de Israel testemunhava que a vinda do Messias estava às portas. A profecia de Daniel pintava a glória do Seu reino sobre um domínio que sucederia a todos os impérios terrestres; e disse o profeta: "subsistirá para sempre". Dan. 2:44. Ao passo que poucos entendiam a natureza da missão de Cristo, era geral a expectativa de um poderoso príncipe que havia de estabelecer seu reino em Israel, e que viria como um libertador para as nações. 
    Chegara a plenitude dos tempos. A humanidade, tornando-se mais degradada através dos séculos de transgressão, pedia a vinda do Redentor. Satanás estivera em operação para tornar intransponível o abismo entre a Terra e o Céu. Por suas falsidades tornara os homens atrevidos no pecado. Era seu desígnio esgotar     a paciência de Deus, e extinguir-Lhe o amor para com os homens, de maneira que Ele abandonasse o mundo à satânica jurisdição. 
    Satanás estava procurando vedar ao homem o conhecimento de Deus, desviar-lhe a atenção do templo divino, e estabelecer seu próprio reino. Dir-se-ia coroada de êxito sua luta pela supremacia. É verdade, que, em toda geração, Deus tem Seus instrumentos. Mesmo entre os gentios, havia homens por meio dos quais Cristo estava operando para elevar o povo de seu pecado e degradação. Mas esses homens eram desprezados e aborrecidos. Muitos deles haviam sofrido morte violenta. A escura sombra que Satanás lançara sobre o mundo, tornara-se cada vez mais densa. 
    Por meio do paganismo, Satanás desviara por séculos os homens de Deus; mas conseguira seu grande triunfo ao perverter a fé de Israel. Contemplando e adorando suas próprias concepções, os gentios haviam perdido o conhecimento de Deus, tornando-se mais e mais corruptos. O mesmo se deu com Israel. O princípio de que o homem se pode salvar por suas próprias obras, e que jaz à base de toda religião pagã, tornara-se também o princípio da religião judaica. Implantara-o Satanás. Onde quer que seja mantido, os homens não têm barreira contra o pecado. 
    A mensagem de salvação é comunicada aos homens por intermédio de instrumentos humanos. Mas os judeus haviam procurado monopolizar a verdade, que é a vida eterna. Entesouraram o vivo maná, que se corrompera. A religião que tinham buscado guardar só para si, tornara-se um tropeço. Roubavam a Deus de Sua glória, e prejudicavam o mundo por uma falsificação do evangelho. Haviam recusado entregar-se a Deus para a salvação do mundo, e tornaram-se instrumento de Satanás para sua destruição.  
    O povo a quem Deus chamara para ser a coluna e fundamento da verdade, transformara-se em representante de Satanás. Faziam a obra que este queria que fizessem, seguindo uma conduta em que apresentavam mal o caráter de Deus, fazendo com que o mundo O considerasse um tirano. Os próprios sacerdotes que ministravam no templo haviam perdido de vista a significação do serviço que realizavam. Deixaram de olhar, para além do símbolo, àquilo que ele significava. Apresentando as ofertas sacrificais, eram como atores num palco. As ordenanças que o próprio Deus indicara, tinham-se tornado o meio de cegar o espírito e endurecer o coração. Deus não poderia fazer nada mais pelo homem por meio desses veículos. Todo o sistema devia ser banido. 
    O engano do pecado antigira sua culminância. Todos os meios para depravar a alma dos homens haviam sido postos em operação. Contemplando o mundo, o Filho de Deus viu sofrimento e miséria. Viu, com piedade, como os homens se tinham tornado vítimas da crueldade satânica. Olhou compassivamente para os que estavam sendo corrompidos, mortos, perdidos. Estes tinham escolhido um dominador que os jungia a seu carro como cativos. Confundidos e enganados, avançavam, em sombria procissão rumo à ruína eterna - para a morte em que não há nenhuma esperança de vida, para a noite que não tem alvorecer. Agentes satânicos estavam incorporados com os homens. O corpo de criaturas humanas, feito para habitação de Deus, tornara-se morada de demônios. Os sentidos, os nervos, as paixões, os órgãos dos homens eram por agentes sobrenaturais levados a condescender com a concupiscência mais vil. O próprio selo dos demônios se achava impresso na fisionomia dos homens. Esta refletia a expressão das legiões do mal de que se achavam possessos. Eis a perspectiva contemplada pelo Redentor do mundo. Que espetáculo para a Infinita Pureza! 
O pecado se tornara uma ciência, e era o vício consagrado como parte da religião. A rebelião deitara fundas raízes na alma, e violenta era a hostilidade do homem contra o Céu. Ficara demonstrado perante o Universo que, separada de Deus, a humanidade não se poderia erguer. Novo elemento de vida e poder tinha de ser comunicado por Aquele que fizera o mundo. 
    Com intenso interesse, os mundos não caídos observavam para ver Jeová levantar-Se e assolar os habitantes da Terra. E, fizesse Deus assim, Satanás estaria pronto a levar a cabo seu plano de conquistar a aliança dos seres celestiais. Declarara ele que os princípios de Deus tornavam impossível o perdão. Houvesse o mundo sido destruído, e teria pretendido serem justas as suas acusações. Estava disposto a lançar a culpa sobre o Senhor, e estender sua rebelião pelos mundos em cima. Em lugar de destruir o mundo, porém, Deus enviou Seu Filho para o salvar. Embora se pudessem, por toda parte do desgarrado domínio, ver corrupção e desafio, foi provido um meio para resgatá-lo. Justo no momento da crise, quando Satanás parecia prestes a triunfar, veio o Filho de Deus com a embaixada da graça divina. Através de todos os séculos, de todas as horas, o amor de Deus se havia exercido para com a raça caída. Não obstante a perversidade dos homens, os sinais da misericórdia tinham sido constantemente manifestados. E, ao chegar à plenitude dos tempos, a Divindade era glorificada derramando sobre o mundo um dilúvio de graça vivificadora, o qual nunca seria impedido nem retido enquanto o plano da salvação não se houvesse consumado. 
    Satanás rejubilava por haver conseguido rebaixar a imagem de Deus na humanidade. Então veio Cristo, a fim de restaurar no homem a imagem de seu Criador. Ninguém, senão Cristo, pode remodelar o caráter arruinado pelo pecado. Veio para expelir os demônios que haviam dominado a vontade. Veio para nos erguer do pó, reformar o caráter manchado, segundo o modelo de Seu divino caráter, embelezando-o com Sua própria glória. 
Abrazo!

sábado, 25 de janeiro de 2014

O Povo Escolhido

    
Por mais de mil anos aguardara o povo judeu a vinda do Salvador. Nesse acontecimento fundamentara suas mais gloriosas esperanças. No cântico e na profecia, no ritual do templo e nas orações domésticas, haviam envolvido o Seu nome. Entretanto, por ocasião de Sua vinda, não O conheceram. O Bem-Amado do Céu foi para eles "como raiz duma terra seca"; não tinha "parecer nem formosura" Isa. 53:2; e não Lhe viam beleza nenhuma para que O desejassem. "Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam." João 1:11.Todavia Deus escolhera a Israel. Ele o chamara para conservar entre os homens o conhecimento de Sua lei, e dos símbolos e profecias que apontavam ao Salvador. Desejava que fosse como fonte de salvação para o mundo. O que Abraão fora na terra de sua peregrinação, o que fora José no Egito e Daniel nas cortes de Babilônia, devia ser o povo hebreu entre as nações. Cumpria-lhe revelar Deus aos homens.  
    Na vocação de Abraão, Deus dissera: "Abençoar-te-ei, ... e tu serás uma bênção ... e em ti serão benditas todas as famílias da Terra." Gên. 12:2 e 3. O mesmo ensino foi repetido pelos profetas. Ainda depois de Israel haver sido arruinado por guerras e cativeiros, pertencia-lhe a promessa: "Então os restos de Jacó estarão no meio de muitos povos, como um orvalho que vem do Senhor, e como gotas de água que caem sobre a erva, sem dependerem de ninguém, e sem esperarem nada dos filhos dos homens." Miq. 5:7. A respeito do templo de Jerusalém, o Senhor declarou por intermédio de Isaías: "Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos." Isa. 56:7. 
Mas os israelitas fixaram suas esperanças em mundanas grandezas. Desde o tempo de sua entrada na terra de Canaã, apartaram-se dos mandamentos de Deus e seguiram os caminhos dos gentios. Era em vão que Deus enviava advertências por Seus profetas. Em vão sofriam eles o castigo da opressão gentílica. Toda reforma era seguida de mais profunda apostasia.  
    Houvessem os filhos de Israel sido leais ao Senhor, e Ele teria podido cumprir Seu desígnio, honrando-os e exaltando-os. Houvessem andado nos caminhos da obediência, e tê-los-ia exaltado "sobre todas as nações que fez, para louvor, e para fama, e para glória" Deut. 26:19. "Todos os povos da Terra verão que és chamado pelo nome do Senhor", disse Moisés; "e terão temor de ti." Deut. 28:10 "Os povos ... ouvindo todos estes preceitos" dirão: "Eis um povo sábio e inteligente, uma nação grande." Deut. 4:6. Devido a sua infidelidade, porém, o desígnio de Deus só pôde ser executado através de contínua adversidade e humilhação.  
    Foram levados em sujeição a Babilônia, e espalhados pelas terras dos pagãos. Em aflição renovaram muitos sua fidelidade ao concerto de Deus. Enquanto penduravam suas harpas nos salgueiros, e lamentavam o santo templo posto em ruínas, a luz da verdade brilhava por meio deles, e difundia-se entre as nações o conhecimento de Deus. O pagânico sistema de sacrifícios era uma perversão do sistema que Deus indicara; e muitos dos sinceros observadores dos ritos pagãos aprenderam dos hebreus o significado do serviço divinamente ordenado, apoderando-se, com fé, da promessa do Redentor.  
    Muitos dos exilados sofreram perseguição. Não poucos perderam a vida em virtude de sua recusa de violar o sábado e observar as festividades pagãs. Quando idólatras se levantaram para esmagar a verdade, o Senhor levou Seus servos à presença de reis e governadores, para que estes e seu povo pudessem receber a luz. Repetidamente os maiores reis foram levados a proclamar a supremacia do Deus a quem seus cativos hebreus adoravam.  
    Mediante o cativeiro de Babilônia, os israelitas foram realmente curados do culto de imagens de escultura. Durante os séculos que se seguiram, sofreram opressão de seus inimigos gentios, até que se firmou neles a convicção de que sua prosperidade dependia da obediência prestada à lei de Deus. Mas com muitos deles a obediência não era motivada pelo amor. Tinham motivo egoísta. Prestavam a Deus um serviço exterior como meio de atingir 
a grandeza nacional. Não se tornaram a luz do mundo, mas excluíram-se do mundo a fim de fugir à tentação da idolatria. Nas instruções dadas a Moisés, Deus estabeleceu restrições à associação deles com os idólatras; estes ensinos, porém, haviam sido mal interpretados. Visavam preservá-los contra as práticas dos gentios. Mas foram usados para estabelecer uma parede de separação entre Israel e todas as outras nações. Os judeus consideravam Jerusalém como seu Céu, e tinham reais ciúmes de que Deus mostrasse misericórdia aos gentios.  
    Depois da volta de Babilônia, foi dispensada muita atenção ao ensino religioso. Ergueram-se por todo o país sinagogas, nas quais a lei era exposta pelos sacerdotes e escribas. E estabeleceram-se escolas que, ao par das artes e ciências, professavam ensinar os princípios da justiça. Esses agentes perverteram-se, porém. Durante o cativeiro, muitos do povo haviam adquirido idéias e costumes pagãos, os quais foram introduzidos em seu culto. Conformaram-se, a muitos respeitos, com as práticas dos idólatras.  
    À medida que se apartavam de Deus, os judeus perderam de vista em grande parte os ensinos do serviço ritual. Esse serviço fora instituído pelo próprio Cristo. Era, em cada uma de suas partes, um símbolo dEle; e mostrara-se cheio de vitalidade e beleza espiritual. Mas os judeus perderam a vida espiritual de suas cerimônias, apegando-se às formas mortas. Confiavam nos sacrifícios e ordenanças em si mesmos, em lugar de descansar nAquele a quem apontavam. A fim de suprir o que haviam perdido, os sacerdotes e rabis multiplicavam exigências por sua conta; e quanto mais rígidos se tornavam, menos manifestavam o amor de Deus. Mediam sua santidade pela multidão de cerimônias, ao passo que tinham o coração cheio de orgulho e hipocrisia.  
    Com todas as suas minuciosas e enfadonhas imposições, era impossível guardar a lei. Os que desejavam servir a Deus, e procuravam observar os preceitos dos rabinos, arrastavam um pesado fardo. Não podiam encontrar sossego das acusações de uma consciência turbada. Assim operava Satanás para desanimar o povo, rebaixar sua concepção do caráter de Deus, e levar ao desprezo a fé de Israel. Esperava estabelecer a pretensão que manifestara quando de sua rebelião no Céu - que as reivindicações de Deus eram injustas, e não podiam ser obedecidas. Mesmo Israel, declara ele, não guardava a lei.  
    Ao passo que os israelitas desejavam o advento do Messias, 
 não tinham um reto conceito da missão que Ele vinha desempenhar. Não buscavam redenção do pecado, mas libertação dos romanos. Olhavam o Messias por vir como um conquistador, para quebrar a força do que os oprimia, e exaltar Israel ao domínio universal. Assim estava preparado o caminho para rejeitarem o Salvador.  
    Ao tempo do nascimento de Cristo, a nação estava irritada sob o governo de seus dominadores estrangeiros, e atormentada por lutas internas. Fora permitido aos judeus manterem a forma de um governo separado; mas coisa alguma podia disfarçar o fato de se acharem sob o jugo romano, ou reconciliá-los com a restrição de seu poder. Os romanos pretendiam o direito de indicar ou destituir o sumo sacerdote, e o cargo era muitas vezes obtido pela fraude, o suborno e até pelo homicídio. Assim o sacerdócio se tornava mais e mais corrupto. Todavia os sacerdotes ainda os tentavam grande poder, e o empregavam para fins egoístas e mercenários. O povo estava sujeito a suas desapiedadas exigências, e era também pesadamente onerado pelos romanos. Esse estado de coisas causava geral descontentamento. Os levantes populares eram freqüentes. A ganância e a violência, a desconfiança e apatia espiritual estavam corroendo o próprio âmago da nação.  
    O ódio dos romanos, bem como o orgulho nacional e espiritual, levaram os judeus a apegar-se ainda rigorosamente a suas formas de culto. Os sacerdotes tentavam manter reputação de santidade mediante escrupulosa atenção às cerimônias religiosas. O povo, em seu estado de trevas e opressão, e os príncipes, sedentos de poder, ansiavam a vinda dAquele que havia de vencer seus inimigos e restaurar o reino a Israel. Eles tinham estudado as profecias, mas sem percepção espiritual. Esqueciam, portanto, os textos que apontavam à humilhação do primeiro advento de Cristo, e aplicavam mal os que falavam da glória do segundo. O orgulho lhes obscurecia a visão. Interpretavam a profecia segundo seus desejos egoístas. 
Abrazo!

sábado, 4 de janeiro de 2014

Deus Conosco

I. Uma Perspectiva

                                                                                                                                                                   "Ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)." Mat. 1:23. O brilho do "conhecimento da glória de Deus" vê-se "na face de Jesus Cristo". Desde os dias da eternidade o Senhor Jesus Cristo era um com o Pai; era "a imagem de Deus", a imagem de Sua grandeza e majestade, "o resplendor de Sua glória". Foi para manifestar essa glória que Ele veio ao mundo. Veio à Terra entenebrecida pelo pecado, para revelar a luz do amor de Deus, para ser "Deus conosco". Portanto, a Seu respeito foi profetizado: "Será o Seu nome Emanuel." Isa. 7:14.
Vindo habitar conosco, Jesus devia revelar Deus tanto aos homens como aos anjos. Ele era a Palavra de Deus - o pensamento de Deus tornado audível. Em Sua oração pelos discípulos, diz: "Eu lhes fiz conhecer o Teu nome" - misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade - "para que o amor com que Me tens amado esteja neles, e Eu neles esteja" João 17:23. Mas não somente a Seus filhos nascidos na Terra era feita essa revelação. Nosso pequenino mundo é o livro de estudo do Universo. O maravilhoso desígnio de graça do Senhor, o mistério do amor que redime, é o tema para que "os anjos desejam bem atentar", e será seu estudo através dos séculos sem-fim. Mas os seres remidos e os não caídos encontrarão na cruz de Cristo sua ciência e seu cântico. Ver-se-á que a glória que resplandece na face de Jesus Cristo é a glória do abnegado amor. À luz do Calvário se patenteará que a lei do amor que renuncia é a lei da vida para a Terra e o Céu; que o amor que "não busca os seus interesses" (I Cor. 13:5) tem sua fonte no coração de Deus; e que no manso e humilde Jesus se manifesta o caráter dAquele que habita na luz inacessível ao homem.
No princípio, Deus Se manifestava em todas as obras da criação. Foi Cristo que estendeu os céus, e lançou os fundamentos da Terra. Foi Sua mão que suspendeu os mundos no espaço e deu forma às flores do campo. "Ele converteu o mar em terra firme." Sal. 66:6 "Seu é o mar, pois Ele o fez." Sal. 95:5. Foi Ele quem encheu a Terra de beleza, e de cânticos o ar. E sobre todas as coisas na terra, no ar e no firmamento, escreveu a mensagem do amor do Pai.
Ora, o pecado manchou a perfeita obra de Deus, todavia permanecem os traços de Sua mão. Mesmo agora todas as coisas criadas declaram a glória de Sua excelência. Não há nada, a não ser o coração egoísta do homem, que viva para si. Nenhum pássaro que fende os ares, nenhum animal que se move sobre a terra, deixa de servir a qualquer outra vida. Folha alguma da floresta, nem humilde haste de erva é sem utilidade. Toda árvore, arbusto e folha exalam aquele elemento de vida sem o qual nenhum homem ou animal poderia existir; e animal e homem servem, por sua vez, à vida da folha, do arbusto e da árvore. As flores exalam sua fragrância e desdobram sua beleza em bênção ao mundo. O Sol derrama sua luz para alegrar a mil mundos. O próprio oceano, a origem de todas as nossas fontes, recebe as correntes de toda a terra, mas recebe para dar. Os vapores que lhe ascendem ao seio caem em chuveiros para regar a terra a fim de que ela produza e floresça.
Os anjos da glória acham seu prazer em dar - dar amor e infatigável cuidado a almas caídas e contaminadas. Seres celestiais buscam conquistar o coração dos homens; trazem a este mundo obscurecido a luz das cortes em cima; mediante um ministério amável e paciente operam no espírito humano, para levar os perdidos a uma união com Cristo, mais íntima do que eles próprios podem avaliar.
Volvendo-nos, porém, de todas as representações secundárias, contemplamos Deus em Cristo. Olhando para Jesus, vemos que a glória de nosso Deus é dar. "Nada faço por Mim mesmo" (João 8:28), disse Cristo; "o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai." João 6:57 "Eu não busco a Minha glória" (João 8:50), mas "a dAquele que Me enviou" João 7:18. Manifesta-se nestas palavras o grande princípio que é a lei da vida para o Universo. Todas as coisas Cristo recebeu de Deus, mas recebeu-as para dar. Assim nas cortes celestes, em Seu ministério por todos os seres criados: através do amado Filho, flui para todos a vida do Pai; por meio do Filho ela volve em louvor e jubiloso serviço, uma onda de amor, à grande Fonte de tudo. E assim, através de Cristo, completa-se o circuito da beneficência, representando o caráter do grande Doador, a lei da vida.
No próprio Céu foi quebrantada essa lei. O pecado originou-se na busca dos próprios interesses. Lúcifer, o querubim cobridor, desejou ser o primeiro no Céu. Procurou dominar os seres celestes, afastá-los de seu Criador, e receber-lhes, ele próprio, as homenagens. Portanto, apresentou falsamente a Deus, atribuindo-Lhe o desejo de exaltação própria. Tentou revestir o amorável Criador com suas próprias más características. Assim enganou os anjos. Assim enganou os homens. Levou-os a duvidar da palavra de Deus, e a desconfiar de Sua bondade. Como o Senhor seja um Deus de justiça e terrível majestade, Satanás os fez considerá-Lo como severo e inclemente. Assim arrastou os homens a se unirem com ele em rebelião contra Deus, e as trevas da miséria baixaram sobre o mundo.
A Terra obscureceu-se devido à má compreensão de Deus. Para que as tristes sombras se pudessem iluminar, para que o mundo pudesse volver ao Criador, era preciso que se derribasse o poder enganador de Satanás. Isso não se podia fazer pela força. O exercício da força é contrário aos princípios do governo de Deus; Ele deseja unicamente o serviço de amor; e o amor não se pode impor; não pode ser conquistado pela força ou pela autoridade. Só o amor desperta o amor. Conhecer a Deus é amá-Lo; Seu caráter deve ser manifestado em contraste com o de Satanás. Essa obra, unicamente um Ser, em todo o Universo, era capaz de realizar. Somente Aquele que conhecia a altura e a profundidade do amor de Deus, podia torná-lo conhecido. Sobre a negra noite do mundo, devia erguer-Se o Sol da Justiça, trazendo salvação "sob as Suas asas". Mal. 4:2.
O plano de nossa redenção não foi um pensamento posterior, formulado depois da queda de Adão. Foi a revelação "do mistério que desde tempos eternos esteve oculto". Rom. 16:25. Foi um desdobramento dos princípios que têm sido, desde os séculos da eternidade, o fundamento do trono de Deus. Desde o princípio, Deus e Cristo sabiam da apostasia de Satanás, e da queda do homem mediante o poder enganador do apóstata. Deus não ordenou a existência do pecado. Previu-a, porém, e tomou providências para enfrentar a terrível emergência. Tão grande era Seu amor pelo mundo, que concertou entregar Seu Filho unigênito "para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna". João 3:16.
Lúcifer dissera: "Subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono. ... Serei semelhante ao Altíssimo." Isa. 14:13 e 14. Mas Cristo, "sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens". Filip. 2:6 e 7.
Foi um sacrifício voluntário. Jesus poderia haver permanecido ao lado de Seu Pai. Poderia haver retido a glória do Céu, e as homenagens dos anjos. Mas preferiu entregar o cetro nas mãos de Seu Pai, e descer do trono do Universo, a fim de trazer luz aos entenebrecidos, e vida aos que estavam prestes a perecer.
Cerca de dois mil anos atrás, ouviu-se no Céu uma voz de misteriosa significação, saída do trono de Deus: "Eis aqui venho." "Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo Me preparaste. ... Eis aqui venho (no rolo do livro está escrito de Mim), para fazer, ó Deus, a Tua vontade." Heb. 10:5-7. Nestas palavras anuncia-se o cumprimento do desígnio que estivera oculto desde tempos eternos. Cristo estava prestes a visitar nosso mundo, e a encarnar. Diz Ele: "Corpo Me preparaste." Houvesse aparecido com a glória que possuía com o Pai antes que o mundo existisse, e não teríamos podido resistir à luz de Sua presença. Para que a pudéssemos contemplar e não ser destruídos, a manifestação de Sua glória foi velada. Sua divindade ocultou-se na humanidade - a glória invisível na visível forma humana.
Esse grande desígnio havia sido representado em tipos e símbolos. A sarça ardente em que Cristo apareceu a Moisés, revelava Deus. O símbolo escolhido para representação da Divindade foi um humilde arbusto que, aparentemente, não tinha nenhuma atração. Abrigou, porém, o Infinito. O Deus todo-misericordioso velou Sua glória num símbolo por demais humilde, para que Moisés pudesse olhar para ela e viver. Assim na coluna de nuvem de dia e na de fogo à noite, Deus Se comunicava com Israel, revelando aos homens Sua vontade e proporcionando-lhes graça. A glória de Deus era restringida, e Sua majestade velada, para que a fraca visão de homens finitos a pudesse contemplar. Da mesma maneira Cristo devia vir no "corpo abatido" (Filip. 3:21), "semelhante aos homens". Aos olhos do mundo, não possuía beleza para que O desejassem; e não obstante era o encarnado Deus, a luz do Céu na Terra. Sua glória estava encoberta, Sua grandeza e majestade ocultas, para que pudesse atrair a Si os tentados e sofredores.
Deus ordenou a Moisés acerca de Israel: "E Me farão um santuário, e habitarei no meio deles" (Êxo. 25:8), e habitou no santuário, no meio de Seu povo. Durante toda a fatigante peregrinação deles no deserto, o símbolo de Sua presença os acompanhou. Assim Cristo estabeleceu Seu tabernáculo no meio de nosso acampamento humano. Estendeu Sua tenda ao lado da dos homens, para que pudesse viver entre nós, e tornar-nos familiares com Seu caráter e vida divinos. "O Verbo Se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." João 1:14.
Desde que Cristo veio habitar entre nós, sabemos que Deus está relacionado com as nossas provações, e Se compadece de nossas dores. Todo filho e filha de Adão pode compreender que nosso Criador é o amigo dos pecadores. Pois em toda doutrina de graça, toda promessa de alegria, todo ato de amor, toda atração divina apresentada na vida do Salvador na Terra, vemos "Deus conosco".
Satanás apresenta a divina lei de amor como uma lei de egoísmo. Declara que nos é impossível obedecer-lhe aos preceitos. A queda de nossos primeiros pais, com toda a miséria resultante, ele atribui ao Criador, levando os homens a olharem a Deus como autor do pecado, do sofrimento e da morte. Jesus devia patentear esse engano. Como um de nós, cumpria-Lhe dar exemplo de obediência. Para isso tomou sobre Si a nossa natureza, e passou por nossas provas. "Convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos." Heb. 2:17. Se tivéssemos de sofrer qualquer coisa que Cristo não houvesse suportado, Satanás havia de apresentar o poder de Deus como nos sendo insuficiente. Portanto, Jesus "como nós, em tudo foi tentado". Heb. 4:15. Sofreu toda provação a que estamos sujeitos. E não exerceu em Seu próprio proveito poder algum que nos não seja abundantemente facultado. Como homem, enfrentou a tentação, e venceu-a no poder que Lhe foi dado por Deus. Diz Ele: "Deleito Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu; sim, a Tua lei está dentro do Meu coração." Sal. 40:8. Enquanto andava fazendo o bem e curando a todos os aflitos do diabo, patenteava aos homens o caráter da lei de Deus, e a natureza de Seu serviço. Sua vida testifica ser possível obedecermos também à lei de Deus.
Por Sua humanidade, Cristo estava em contato com a humanidade; por Sua divindade, firma-Se no trono de Deus. Como Filho do homem, deu-nos um exemplo de obediência; como Filho de Deus, dá-nos poder para obedecer. Foi Cristo que, do monte Horebe, falou a Moisés, dizendo: "EU SOU O QUE SOU.... Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós." Êxo. 3:14. Foi esse o penhor da libertação de Israel. Assim, quando Ele veio "semelhante aos homens", declarou ser o EU SOU. O Infante de Belém, o manso e humilde Salvador, é Deus manifestado "em carne". I Tim. 3:16. A nós nos diz: "EU SOU o Bom Pastor." João 10:11 "EU SOU o Pão Vivo." João 6:51 "EU SOU o Caminho, a Verdade e a Vida." João 14:6 "É-Me dado todo o poder no Céu e na Terra." Mat. 28:18. EU SOU a certeza da promessa. SOU EU, não temais. "Deus conosco" é a certeza de nossa libertação do pecado, a segurança de nosso poder para obedecer à lei do Céu.
Baixando a tomar sobre Si a humanidade, Cristo revelou um caráter exatamente oposto ao de Satanás. Desceu, porém, ainda mais baixo na escala da humilhação. "Achado na forma de homem, humilhou-Se a Si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz." Filip. 2:8. Como o sumo sacerdote punha de parte suas suntuosas vestes pontificais, e oficiava no vestuário de linho branco, do sacerdote comum, assim Cristo tomou a forma de servo, e ofereceu sacrifício, sendo Ele mesmo o sacerdote e a vítima. "Ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele."
Cristo foi tratado como nós merecíamos, para que pudéssemos receber o tratamento a que Ele tinha direito. Foi condenado pelos nossos pecados, nos quais não tinha participação, para que fôssemos justificados por Sua justiça, na qual não tínhamos parte. Sofreu a morte que nos cabia, para que recebêssemos a vida que a Ele pertencia. "Pelas Suas pisaduras fomos sarados." Isa. 53:5.
Pela Sua vida e morte, Cristo operou ainda mais do que a restauração da ruína produzida pelo pecado. Era o intuito de Satanás causar entre o homem e Deus uma eterna separação; em Cristo, porém, chegamos a ficar em mais íntima união com Ele do que se nunca houvéssemos pecado. Ao tomar a nossa natureza, o Salvador ligou-Se à humanidade por um laço que jamais se partirá. Ele nos estará ligado por toda a eternidade. "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito." João 3:16. Não O deu somente para levar os nossos pecados e morrer em sacrifício por nós; deu-O à raça caída. Para nos assegurar Seu imutável conselho de paz, Deus deu Seu Filho unigênito a fim de que Se tornasse membro da família humana, retendo para sempre Sua natureza humana. Esse é o penhor de que Deus cumprirá Sua palavra. "Um Menino nos nasceu, um Filho se nos deu; e o principado está sobre os Seus ombros." Deus adotou a natureza humana na pessoa de Seu Filho, levando a mesma ao mais alto Céu. É o "Filho do homem", que partilha do trono do Universo. É o "Filho do homem", cujo nome será "Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz". Isa. 9:6. O EU SOU é o Árbitro entre Deus e a humanidade, pondo a mão sobre ambos. Aquele que é "santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores" Heb. 7:26, "não Se envergonha de nos chamar irmãos". Heb 2:11. Em Cristo se acham ligadas a família da Terra e a do Céu. Cristo glorificado é nosso irmão. O Céu Se acha abrigado na humanidade, e esta envolvida no seio do Infinito Amor.
Diz Deus de Seu povo: "Como as pedras de uma coroa eles serão exaltados na sua Terra. Porque, quão grande é a Sua bondade! E quão grande é a Sua formosura!" Zac. 9:16 e 17. A exaltação dos remidos será um eterno testemunho da misericórdia de Deus. Ele há de "mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da Sua graça, pela Sua benignidade para conosco em Cristo Jesus". Efés. 2:7 "Para que ... a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos Céus, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor." Efés. 3:10 e 11.
Por meio da obra redentora de Cristo, o governo de Deus fica justificado. O Onipotente é dado a conhecer como o Deus de amor. As acusações de Satanás são refutadas, e revelado seu caráter. A rebelião não se levantará segunda vez. O pecado jamais poderá entrar novamente no Universo. Todos estarão por todos os séculos garantidos contra a apostasia. Mediante o sacrifício feito pelo amor, os habitantes da Terra e do Céu se acham ligados a seu Criador por laços de indissolúvel união.
A obra da redenção será completa. Onde abundou o pecado, superabundou a graça de Deus. A Terra, o próprio campo que Satanás reclama como seu, será não apenas redimida, mas exaltada. Nosso pequenino mundo, sob a maldição do pecado, a única mancha escura de Sua gloriosa criação, será honrado acima de todos os outros mundos do Universo de Deus. Aqui, onde o Filho de Deus habitou na humanidade; onde o Rei da Glória viveu e sofreu e morreu - aqui, quando Ele houver feito novas todas as coisas, será o tabernáculo de Deus com os homens, "com eles habitará, e eles serão o Seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus" Apoc. 21:4. E através dos séculos infindos, enquanto os remidos andam na luz do Senhor, hão de louvá-Lo por Seu inefável Dom - EMANUEL,"DEUS CONOSCO". Abrazo!
"VOCÊ PODE ESCUTAR ESTE CAPITULO, SE NÃO TIVER TEMPO DE LER"

sábado, 2 de novembro de 2013

ELLEN G. WHITE A MENSAGEIRA DE DEUS –– “ESPÍRITO DE PROFECIA”

A fúria do desamor nas ferinas acusações feitas à humilde serva do Senhor, Ellen G. White, levaram-me a inserir este artigo, que não representa uma pálida idéia do que foi sua vida, obra, ministério e piedade.

Sim, escrever sobre esta frágil e extraordinária mulher é difícil, sua obra é espantosa, são mais de 25 milhões de palavras. É impraticável, relatar todo o cumprimento de suas profecias e visões nos campos prático pessoal, médico, religioso, educacional e da saúde, mas, se for de seu interesse, procure o Serviço Educacional Lar e Saúde (órgão da Igreja Adventista do Sétimo Dia) de sua cidade e compre a brochura – Ellen G. White e a Igreja Adventista do Sétimo Dia. É uma sinopse de sua biografia e ministério, e você vai comprovar como Deus usa os frágeis e simples instrumentos, quando estes se colocam em Suas Mãos.

Todos os colégios, agrícolas ou não, escolas paroquiais, primárias, secundárias, universidades, hospitais, clínicas, e o avanço missionário mundial, nesta igreja, efetivamente, vieram por revelações divinas à irmã White, que as transmitiu à liderança da igreja que as executou, e os resultados hoje são palpáveis.

Como afirmei, é impossível neste artigo relatar tudo a respeito de Ellen G. White, porém, à guisa de conhecimento, apresentarei a você uma estatística da Obra Adventista Mundial, do ano de 1981, para ficar patente a atuação de Deus através desta mulher na direção de Sua igreja. (Escrevi este livro em 1982).

Éramos 22.357 igrejas organizadas; 44.880 Escolas Sabatinas (futuras igrejas organizadas); 9.889 ministros ordenados; 94.891 colaboradores (obreiros e professores); 13 Divisões cobrindo quase toda a superfície do Globo (184 países); 79 Uniões sediadas dentro dos países que compõem o campo das Divisões; 383 Associações sediadas dentro dos países que compõem o campo das Uniões; e 294 missionários (além-mar); 4.834 escolas paroquiais; 3.921 escolas primárias; 832 escolas secundárias; 78 colégios agrícolas; 41 escolas de enfermagem e 2 universidades; 166 hospitais e sanatórios, 269 clínicas e dispensários e 50 editoras; 23 fábricas de alimentos integrais; 86 orfanatos; 63 emissoras de rádio (3 na Guatemala; 2 no Haiti; 1 na República Dominicana; Porto Rico; Guadalupe; Martinica e Costa Rica; 12 na Suécia; 4 na Noruega; 5 na Dinamarca; 2 na Bélgica; 9 na França; 8 na Itália; 1 na Indonésia e Filipinas; 1 no Canadá e 10 nos Estados Unidos) e 1 canal de TV, em Catânia, Itália; 13 lanchas para assistência aos carenciados das regiões ribeirinhas (muitas delas com dois andares), equipadas com gabinete médico e dentário; 45 avionetas (suporte da obra de Assistência Social Adventista para alcançar lugares de difícil acesso em terra ou água). (Estatística mais atual, postarei mais afrente).
P.S. – Hoje, 1996, só no Brasil temos 21 emissoras de rádio Adventista, interligadas pelo sistema SALT (satélite). Em 1981, não tínhamos nenhuma.
Meu irmão, onde isso seria possível em uma igreja que só tem 133 anos de fundação? E diga-se de passagem que estes números são de 1981! Sim, isto só foi possível graças à atuação e influência da serva do Senhor, Ellen G. White. Deus lhe concedeu o Dom de Profecia, dando-lhe visões e revelações divinas. Ela foi “a mais fraca dentre as fracas”, para Deus patentear ao mundo que Ele pode realizar obras fantásticas através de quem, pequeno ou fraco, confia nEle. Aleluia!
Quero sintetizar, neste capítulo, apenas quatro, entre as centenas de extraordinários acontecimentos proféticos na vida de Ellen G. White, que possibilitaram o grande sucesso da amada Igreja Adventista do Sétimo Dia.


PROFECIA DA PÁGINA IMPRESSA – LITERATURAS

(Novembro de 1848)
“Tenho uma mensagem para ti”, disse ela a Tiago White, seu esposo. “Deves começar a publicar um pequeno jornal e mandá-lo ao povo. Que seja pequeno a princípio; mas, lendo-o o povo, mandar-te-á meios com que imprimí-lo, e alcançará bom êxito desde o princípio. Desde este pequeno começo foi-me mostrado assemelhar-se a torrentes de luz que circundavam o mundo.” – Vida e Ensinos, pág. 127.
Era de se estranhar tal ordem dada a um grupinho de “pobretões”, sequer organizado como igreja, o que só aconteceu em 1863. Mas, hoje, não precisamos dizer muito da literatura Adventista, pois que ela se impôs pela qualidade e pelo que transmite ao pecador (Revista Decisão); às crianças (Nosso Amiguinho); aos cristãos (Sinais dos Tempos); adultos (Vida e Saúde), e à igreja (Revista Adventista), etc.
Desde a época da predição de Ellen G. White (1848), os periódicos Adventistas têm dado voltas em torno do mundo. Um total de 356 periódicos Adventistas são impressos continuamente em 230 línguas. Somente nos EUA a revista missionária, colorida e com 32 páginas – Signs Of The Times – circula à razão de um milhão de exemplares mensais. No Brasil, a revista Nosso Amiguinho chega a 112.000 exemplares mensais.
Referindo-se à Casa Publicadora Brasileira (Cx. Postal 34, Cep.: 18270-970 - Tatui - SP), a gigantesca Editora Brasileira dos Adventistas, que imprime mais de um milhão de livros por ano (“torrentes de luz”), um acérrimo oponente desta igreja, reconhecendo a qualidade deste empreendimento, disse textualmente em um de seus livros que ela “causa inveja à Editora Abril Cultural”. Não é preciso dizer mais nada, não é? Profecia cumprida. Glória a Deus!


EVANGELISMO TOTAL E MUNDIAL, ALIADO À PÁGINA IMPRESSA

(Profetizado em 1885)
“Deus fará logo grandes coisas por nós, se nos achegarmos humildes e crentes a Seus pés... Mais de um milhar serão logo convertidos em um dia, a maioria dos quais atribuirá suas primeiras convicções à leitura de nossas publicações.” – Colportor Evangelista, págs. 145 e 146.
Na verdade, Deus foi muito sábio ao idealizar este plano extraordinário de ganhar almas. Hoje, eu compreendo isso com a experiência pessoal, através da Editora ADOS – a Editora do ASSIM DIZ O SENHOR. A página impressa é um instrumento vivo e poderoso para alcançar pecadores. Sabedoria, também, foi crer nesta profecia e a colocar em prática, sem recursos financeiros.
No dia 3 de Setembro de 1983 (exatamente 98 anos depois desta profecia), em um grande clube da Tijuca/RJ, reuniram-se 5.000 Adventistas do Grande Rio para o Congresso de Colportagem conjugado com os “Mil Dias De Colheita” (Desafio evangelístico de ganhar mil almas por dia, a cada dia, durante mil dias no mundo inteiro). Houve a hora dos testemunhos, quando então foram apresentadas as almas ganhas através da colportagem. Tive o privilégio de apresentar 3 preciosas almas que tiveram seu primeiro contato com o cristianismo genuíno adquirindo literaturas Adventistas, e comigo terminaram os estudos e se batizaram.
Destaco que, destas, uma mulher era a mais famosa “bruxa” de Niterói/RJ, que, com seu esposo, leram os livros da irmã Ellen White – Vida de Jesus e Conflito dos Séculos; o outro, um funcionário do Governo Federal e Médico Naturalista, “comeu” o livro – Assim Diz o Senhor.
Nessa reunião, o vice-líder mundial dos Adventistas, Pastor Enoch de Oliveira, fez a extraordinária declaração de que os computadores da Associação Geral, órgão máximo dos Adventistas, sediado em Washington DC, acusaram a marca de 1.172 almas ganhas por dia nos três primeiros meses de 1983, nos “Mil Dias De Colheita”. Não é de admirar, é divino. Profecia cumprida! Amém.


PROFECIA EDUCACIONAL 

(Novembro de 1872)
“Construí uma escola. Ensinai a Bíblia aos jovens. Preparai-os para que falem outras línguas, de maneira que a mensagem do advento possa ser levada ao mundo.” – Mensagem aos Jovens pág. 225.

Construir escolas, como implantar igrejas, são partes salientes do compromisso Adventista. Assim que, há uma rede de escolas Adventistas ao redor do mundo, que são uma bênção para as famílias. São os Adventistas que operam “o maior sistema protestante de escolas paroquiais fora da América do Norte”. O maior complexo de escolas particulares do mundo, excetuando-se a Igreja Católica Romana. Mantém, os Adventistas, mais de 5.500 colégios com 42.000 professores que instruem a 828.000 estudantes.
Aliados estão os grandes colégios agrícolas, em áreas de milhares de metros quadrados, onde os alunos trabalham e estudam, desenvolvendo-se, harmonicamente, o físico, “espírito” e intelecto. Há, dentro destes colégios, o cultivo da terra, o trato com bovinos e caprinos, e também o fabrico de produtos variados para a construção civil, bem como a fabricação de pão integral.
Não é difícil hoje, em qualquer lugar do Brasil, procurar uma Escola Adventista que não se ache. E por que isso acontece? É divino! – Profecia cumprida!
Não deixe de ler, no final deste capítulo, o episódio maravilhoso, “O Milagre do Colégio de Newborn.”


VISÃO MÉDICA – PROFECIA MÉDICO-MISSIONÁRIA

(Em 6 de Junho de 1863)
“Vi que era sagrado dever cuidar de nossa saúde e despertar outros para sua responsabilidade... Vi que não devemos ficar calados sobre o assunto de saúde, mas despertar as mentes para ele.” – Manuscrito 1, 1863.
É impossível (a não ser por divina revelação) que alguém que não é graduado em “qualquer ramo de dietética, de enfermagem ou de medicina, revele segredos de cura e de viver saudável desconhecidos a outros de seu tempo”, e mais, cujos escritos, nesta área, ao serem comparados com a ciência médica da atualidade, suscitem a curiosa pergunta: Como pode esta mulher ter escrito isto em seu tempo?

Efetivamente, por causa destes escritos, deste arrojo no Senhor, surgiram as 581 unidades médico-hospitalares no mundo, incluindo-se os 11 grandes hospitais Adventistas do Brasil. Como? Sim, como? Há algo de sobrenatural nisto!

Temos que parar, amado irmão, senão o livro ficará muito grande e dispendioso, mas, faça isso: Procure o SELS ou escreva para a CASA PUBLICADORA BRASILEIRA e compre o livrinho que fala desta humilde serva do Senhor que, a custa de sangue, suor, fome, frio, sacrifício, morte prematura do esposo e de dois filhos, mas, por eleição direta de Deus, tornou-se a mensageira desta fantástica estrutura eclesiástica internacional: Os Adventistas do Sétimo Dia.

Sim, retirados a orientação, influência e testemunhos de Ellen G. White das Instituições Adventistas, a escola se tornará mera casa de aula, e não o posto missionário que educa para a eternidade. O hospital será mais um local onde se coloca um doente e não um lugar aprazível, onde médicos e enfermeiras tratam-no de maneira a restaurar-lhe a saúde física e espiritual. As editoras seriam simples empresas comerciais e não um complexo gráfico produzindo literatura para despertar um povo que jaz no malígno, e os colportores seriam reles vendedores de livros e não os missionários anônimos que abalam o mundo e as estruturas de Satanás, levando a mensagem da página impressa a cada lar, em todas as ruas do mundo inteiro.

Finalmente, as fábricas de alimentos e restaurantes vegetarianos Adventistas não estariam eivados da mensagem de Reforma Pró-Saúde, provindas também de uma das visões de Ellen G. White. (O que ela escreveu sobre nutrição não foi ainda superado. Tais escritos foram reconhecidos pela ciência, estar, à época em que os escreveu (século passado), 50 anos à frente de seu tempo).

Estas instituições surgiram por divina revelação dada a esta piedosa mulher, que muitos querem, de qualquer jeito, apagá-la em sua influência à frente do remanescente. Mas, é impossível! O que vai acontecer foi o que ocorria com muitos dos espectadores nas arquibancadas do Coliseu Romano, presenciando o trucidamento dos cristãos pelas feras. É questão de tempo! Tenha paciência, povo de Deus!

O MILAGRE DO COLÉGIO DE NEWBORN – AUSTRÁLIA
“Um incidente na vida de Ellen G. White ilustra como foi ela providencialmente usada para ajudar a edificar os interesses do povo de Deus na Terra. Esta é a história de um sonho profético e de um donativo que ajudou a estabelecer um Colégio Adventista do Sétimo Dia na Austrália. No coração desta história está o miraculoso poder operador de Deus revelado por intermédio de Sua mensageira, Ellen G. White. Este é apenas um de uma centena de palpitantes relatos que poderiam ser apresentados se o espaço o permitisse.

“Vamos imaginar que estamos na Austrália, na grande cidade sulina de Melbourne, no ano de 1890. Somos visitantes invisíveis numa reunião de Comissão. A irmã White, como é afetuosamente chamada pelos membros da igreja, chegou recentemente da América para orientar na expansão do movimento, e está falando aos ministros presentes à sessão anual da Associação da Austrália.
“– Precisamos ter um colégio na Austrália – disse a irmã White – um colégio com indústrias, agricultura e um programa educacional. Deve localizar-se na zona rural, numa fazenda, disse ela. As verdades e os princípios bíblicos devem ser a base de toda a instrução. Deve a natureza unir sua voz com a das Escrituras, para dar aos estudantes tanto o preparo espiritual como o prático.

“Os dirigentes da igreja não pensavam que pudessem lançar um programa colegial. Disseram:
“– Temos aqui cerca de quinhentos membros apenas, e como poderemos sustentar um colégio com esse número de crentes?
“Mas a irmã White os encorajou a prosseguir, de maneira que elegeram um grupo para escolher um local para este colégio singular.

“Após alguns meses de busca, a comissão escolhida informou à sra. White, então em Sidney, que havia encontrado uma gleba de terra em Cooranbong, a setenta e seis milhas ao norte de Sidney, em Nova Gales do Sul. O custo da terra era de aproximadamente cinco mil dólares, sendo o seu tamanho de mais ou menos mil e quinhentos acres. Achavam os homens que era possível. Gostaria a irmã White de ir dar uma olhadela?

“E com efeito ela foi. Juntamente com vários obreiros, ela tomou o trem nesse dia de Outono para viajar setenta e nove milhas por estrada de ferro até a pequena estação de Dora Creek. Enquanto viajavam, ela falou aos amigos que a acompanhavam a respeito de um sonho que tivera dias antes. Numa visão noturna ela foi transportada para um pedaço de terra que estava sendo considerado para um colégio. A terra era coberta de espessa floresta. Pareceu-lhe estar ela e seu grupo andando por entre as árvores. Nisto chegaram a uma pequena clareira. Nessa clareira havia uma parte do solo trabalhada por um arado, tendo uma extensão de 180cm x 20cm de profundidade. Pareciam que eles estavam olhando o sulco, quando dois irmãos se aproximaram da cena e disseram: ‘Esta terra não é boa. O solo não é favorável’. Mas a irmã White viu em seu sonho um anjo próximo do sulco o qual disse: ‘Falso testemunho tem sido dado desta terra’. O anjo então descreveu as propriedades das diferentes camadas da terra e explanou a ciência do solo. Disse que a terra era admiravelmente apropriada ao cultivo de frutas e verduras, e que Deus poria uma mesa no deserto. Convenientemente cultivada, a terra daria o seu produto abundantemente para o benefício do homem.

“Quando chegaram à propriedade, a sra. White descansou um pouco junto a um pequeno fogo, enquanto os obreiros se espalharam para ver a terra. Posteriormente, na parte da tarde, ela começou a inspecionar a propriedade. Na companhia de um ministro amigo e sua esposa, ela começou a caminhar pela floresta de grandes eucaliptos. Logo chegaram a uma clareira. Perto do centro – milagre dos milagres! Viram um pedaço de chão limpo que havia sido arado, com cerca de seis pés de comprimento (180cm) por nove de polegadas (cerca de 20 cm) de fundo. Não havia marca de carreta ou pés de cavalo, mas somente o pequeno espaço recentemente arado. Enquanto estavam inspecionando a terra, os dois homens do sonho da irmã White apareceram – literalmente!

“Eles estavam familiarizados com a rica terra preta de Iowa (EUA). Ficaram um em cada extremidade do sulco lavrado. Examinaram o solo e disseram: ‘Esta terra não é boa. O solo não é favorável’. Disseram que era arenosa e acre, não valendo praticamente nada.
“Os que tinham ouvido a irmã White relatar o seu sonho não puderam evitar de olhar para ela interrogativamente, como a dizer: ‘Bem, irmã White, não vai repetir-lhes o que o anjo disse?’

“E a irmã White o fez. Ela repetiu as palavras do mensageiro de Deus:
“Falso testemunho tem sido dado sobre esta terra. Deus pode
estender uma mesa no deserto” – Carta 350, 1907.

“Os componentes do grupo ficaram profundamente impressionados. Disseram: ‘Certamente o Senhor nos conduziu a este lugar’. E à noite tomaram o voto de comprar a propriedade de 1.500 acres como local do novo colégio da Austrália.

“Na manhã seguinte, ao se reunirem os visitantes para o culto, alguns estavam descoroçoados. Não tinham certeza de haverem tomado decisão acertada. A irmã White sentiu-se impressionada a suplicar a Deus cura para o irmão McCullagh, membro ativo da Comissão local e que estava morrendo de tuberculose. Imediatamente o Pastor McCullagh foi curado. Ao falar sobre isto mais tarde, disse ele que lhe pareceu haver-lhe um choque elétrico percorrido o corpo. Parou de tossir e seu peso reagiu para o normal, voltaram-lhe as forças e ele viveu ainda mais de cinquenta anos depois disto. Ao testemunharem esse milagre, os obreiros adquiriram a certeza de que Deus os guiara na decisão de comprar a terra, decisão que foi confirmada na sessão seguinte da União-Associação Australiana, em 20 de Novembro de 1894.

“Por esse tempo a sra. A. E. Weasels, da África do Sul, acompanhada de sua filha Ana e o esposo desta, Harmon Lindsay, visitaram o local da nova escola de Cooranbong. Ficaram impressionados com o que viram. Naturalmente quando ouviram do milagre que tivera lugar ali, sentiram que a mão de Deus estava guiando. Ana Lindsay, movida pelo espírito de Deus, disse: ‘Faço uma doação de cinco mil dólares para o empreendimento’. E assim fez. Este donativo deu para pagar a terra, e foi este o terceiro milagre na fundação do Colégio Missionário da Austrália. Talvez o maior milagre de todos tenha sido o sucesso fora do comum alcançado no setor da agricultura. O solo provou-se fértil e produtivo, superando as melhores esperanças dos pioneiros da escola.

“Assim foi fundado um colégio na Austrália. Como? Por uma visão à noite, pela oração, por um donativo de amor e pelo duro trabalho da parte dos que creram que Deus estava dirigindo. Foi um triunfo de fé e previsão. Após muita ansiedade e muitos dias de fervente trabalho e fé, esta escola foi formalmente aberta. Hoje, após mais de meio século de serviço, este colégio cristão está ainda operando. Centenas de graduados servem agora à Causa como ministros, professores, missionários. Muitos têm procurado especialização e tornam-se médicos-missionários.

“Aqui vemos iniludível evidência de como o senhor usou Ellen G. White como Sua mensageira para guiar o povo do advento em projetos construtivos que adicionaram força e caráter à crescente Igreja Mundial.” – Ellen G. White, e a Igreja Adventista do Sétimo Dia, págs. 64-68.

ADENDA

Não acredito em coincidências nem fatalismos. Creio sim que “todas as coisas contribuem para o bem dos que amam a Deus...” (Rom. 8:28). Assim que, no mês de Agosto de 1984, adventistas de 48 países estiveram em congresso de temperança no Hotel Nacional no Rio de Janeiro.
No dia 1º de Setembro, Sábado, três destes irmãos: Lewis R. Hutchinson e sua esposa Jane dos EUA e o pastor Gordon McDowel da Austrália, estiveram em nossa amada Igreja do Barreto, São Gonçalo/RJ. Incrível!!!
O pastor Gordon, há dez anos é o diretor do Departamento de Educação da Divisão Australasiana dos Adventistas do Sétimo Dia. E na ocasião confirmou o grande avanço da Obra Adventista nas áreas: evangelística, médica, educacional e nutricional; e disse mais:
• Que o povo australiano é por índole, afeito à pregação do evangelho, daí haver muitas conversões;
• Que o conglomerado médico adventista ocupa na Austrália lugar de destaque; que em toda a Divisão Australasiana há um Hospital Adventista em cada ilha e vários nas cidades;
• Que há uma explosão das fábricas de alimentos, restaurantes vegetarianos e lojas revendedoras dos produtos integrais fabricados nos Colégios Adventistas, gerando centenas de empregos, bem como proporcionando meios para que outros estudem nestas instituições e assim é pregada também a mensagem do Evangelho da Saúde (temperança).

Afirmou, contudo, que o mais impressionante na Austrália é a Obra Educacional, dado o seu conceito no país. O próprio governo, disse ele, a incentiva e apóia.
Meus irmãos, eu ali sentado, ouvindo tudo. Não nos conhecíamos nem nunca tivemos nenhum contato. No entanto, estávamos ali. Ele falando através de um tradutor, e eu ouvindo calado; porém... meu coração declarava: Tudo, graças a irmã White que creu na mensagem do Senhor. Aleluia!
Este livro já estava pronto para ir ao prelo, quando este fato se deu. Houve tempo de inserí-lo, e eu louvo ao Senhor por isso. (Soubemos depois pelo Dr. Sebastião Marques, de nossa Igreja de Madureira, RJ, que seria o nosso pregador daquele Sábado, que os congressistas espalhavam-se pelas nossas igrejas ao findar o Congresso, e que trouxera, então, estes irmãos à Igreja do Barreto).
Coincidência? – Jamais! Aleluia. Glória a Deus!

“Deve estabelecer-se aqui (Newborn-Austrália) o negócio de alimento saudável. Deve ser esta uma das indústrias ligadas à escola. Deus me mostrou que os pais podem achar trabalho nessa indústria, e mandar seus filhos à escola. Mas tudo o que for feito, deve ser feito com a maior simplicidade. Não deve haver extravagância em coisa alguma. É necessário fazer um trabalho bem sólido, porque, a não ser que este seja feito solidamente, experimentar-se-á, como resultado, o desmazelo.” – Ellen G. White, Australian Union Conference Record, 28 de Julho de 1899.
...Tudo cumpriu-se, amém! 
Abrazo!!!
GRÁFICO - 1.000 DIAS DE COLHEITA
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