sábado, 23 de abril de 2011

Homem, Mortal ou Imortal?



• Que é o Homem?
• Depois da Morte, que Sobra?
• Corpo, Alma e Espírito?!
• Imortalidade? Quando?



Nosso século é conhecido por seu extraordinário avanço tecnológico, e na ciência tem-se buscado a resposta para a inquietante pergunta: “Que é o homem?” A despeito dos esforços despendidos no afã de respondê-la, a incógnita persiste.
Alexis Carrel, famoso cientista e Prêmio Nobel de Filosofia, declarou que o homem é “um grande desconhecido e estranho.”
Da ciência escorregou-se para a filosofia, numa tentativa super-humana de satisfazer a tremenda curiosidade: “Que é o homem?”
“Por séculos a idéia sobre o homem tem sido influenciada pelo filósofo grego Platão. Ele sugeriu que o homem consiste em duas partes: a alma imortal e o corpo corrupto, mortal. Esses dois elementos ele via como totalmente diferentes: um eterno e bom, outro mau, fraco e temporário. Durante a vida na Terra, ensina Platão, a alma tem de residir no corpo, como numa prisão de que se vê livre na morte. Ele fala do corpo como ‘fonte de intermináveis problemas’, e cria que o puro conhecimento de tudo poderia ser alcançado quando a alma se libertasse do corpo.” – Lição da Escola Sabatina, 1975, pág. 29.
Esta idéia platônica choca-se de frente com o ensino bíblico de que o “corpo é o templo do Espírito Santo” (I Cor. 6:19). Daí, nota-se o grande contraste “entre a idéia do corpo como uma prisão da alma e o conceito bíblico de que ele é o templo do Espírito Santo”. Por outro lado, a Bíblia é clara ao afirmar que o homem foi criado por Deus como “alma vivente” (Gên. 2:7). Ele não “abriga uma alma” dentro de si, ele próprio é uma “alma vivente”.

O entendimento a respeito do corpo e da alma levará o homem a determinar o seu conceito sobre a morte e o espiritismo. Portanto, é necessário discernir pelo estudo do santo Livro o que é um e o que é o outro.

QUE É O HOMEM?
O homem, esse ser maravilhoso, feito um pouco menor que os anjos, tem sido objeto de muitas especulações quanto à sua estrutura. E perguntas como – O que é o homem? Tem ele uma alma? Sai dele, quando morre, uma entidade abstrata que vai se incorporar em outro ser, racional ou irracional? Estas são indagações cotidianas.
Para essas perguntas, a Bíblia somente tem a resposta, e nós a estudaremos para descobrir a verdade a respeito. O primeiro passo é sabermos o que é o homem. A Bíblia diz:
Gênesis 2: 7 – “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em
seus narizes o fôlego da vida, e o homem foi feito alma vivente.”
(Isa. 29:16; 45:9; I Cor. 15:45).
Veja como é simples: Deus uniu dois elementos: Boneco de barro e fôlego de vida, o que resultou em uma alma vivente,ou seja: um ser vivente, e este ser vivente só existirá através da junção destes dois elementos que o trouxeram à existência, isto é: corpo (boneco de barro) e fôlego de vida.
Para você entender claramente, observe o seguinte:

• A luz elétrica é a resultante da união de dois elementos: energia ou corrente elétrica, mais a lâmpada. Desta união, temos a brilhante luz.
• A cadeira não tem cadeira, ela é uma cadeira, que é a união de pregos e madeira.
• A mistura de tinta azul com tinta amarela resulta na cor verde. O verde não tem verde, ele é verde.
Claro que a corrente elétrica só, não ilumina. A luz é o resultado da união normal da energia ou corrente elétrica com a lâmpada. Se você cortar o fio que leva a eletricidade até a lâmpada, esta não produzirá luz. Da mesma maneira, a lâmpada só, sem energia, também não ilumina.
O verde também só existirá quando continuarem misturados o azul e o amarelo. Estas cores, azul e amarelo, são cores básicas e têm existência própria; o verde, porém, é uma cor derivada e só existirá quando estiverem perfeitamente misturados o azul e o amarelo.
Desta forma, a “alma” é o resultado da união destes dois elementos utilizados por Deus ao criar o homem: o pó da terra e o fôlego de vida. Ambos se juntaram e produziu-se uma alma vivente – o homem.
O corpo por si só não pode pensar, agir, arrazoar. Porém, Deus, ao introduzir nele o fôlego de vida, tornou-o mais que uma simples matéria. Entrementes, assim como a corrente elétrica, só, não ilumina, da mesma maneira o fôlego de vida só não pode pensar, arrazoar, sentir, chorar, sofrer, nem realizar alguma função de vida inteligente.
Mas, a união do fôlego de vida (que é a própria vida dada por Deus) com o pó (barro) produziu imediatamente um homem inteligente, com capacidade de raciocinar, sonhar, sentir, pensar, agir, decidir. Portanto, a idéia de que o homem tem uma alma dentro de si é contrária à Bíblia. O homem, tornou-se sim, uma alma vivente. Ele não tem uma alma, ele é uma alma.
Assim, fica fácil entender as expressões bíblicas:
“Minha alma tem sede de justiça...”
“ Minha alma clama ao Senhor... ”
“Louco! esta noite pedirão a tua alma...”
“Alma, tens em depósito muitos bens, etc...”
São expressões de linguagem que denotam todo o desejo do homem em direção ao seu Criador. É o mesmo que dizer: “Eu tenho sede... eu clamo... você morrerá esta noite... ela, ele, eu, você, temos muitos bens, etc.
De toda a criação, foi o homem o único ser que não surgiu por uma ordem de Deus, mas foi feito pelas Suas próprias mãos, moldado com todo carinho e depois soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o “boneco” de barro transformou-se numa criatura, uma alma vivente, um ser racional e inteligente.
O apóstolo Paulo confirma esta verdade afirmando: “...o primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente...” (I Cor. 15:45). E João abona a palavra paulina: “E o segundo anjo derramou a sua salva no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda alma vivente.” Apoc. 16:3.
Portanto, não somente o homem, mas também todos os animais têm o mesmo fôlego provindo de Deus para tornarem-se almas viventes, criaturas viventes (Lev. 11:10, 46). O livro da Gênesi do mundo, fornece, entre outros, o seguinte texto esclarecedor:
Gênesis 7: 21-22
“E expirou toda a carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de gado e de fera, e de todo réptil que se roja sobre a terra, e todo homem, tudo o que tinha fôlego de espírito de vida em seus narizes, tudo o que havia no seco morreu.”
Note, irmão, a clareza do texto: animais, aves, peixes e homens... todos têm o mesmo fôlego de vida, que, ao lhes ser retirado, morrem. Salomão esclarece da seguinte maneira:
Eclesiastes 3: 19-20
“Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso também sucede aos animais; a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para o mesmo lugar, todos são pó, e ao pó tornarão.”
Fica claro então que, no tocante ao fôlego (Sal. 150:6), não há diferença entre o homem e o animal. Ambos respiram, vivem e morrem quando lhes é retirado o fôlego de vida. Por isso não tem vantagem nenhuma o homem sobre o animal. A grande diferença, porém, é que, aos olhos de Deus, o homem está em uma posição muito elevada. O animal morre, desaparece e fica por isso mesmo.
Com o homem, porém, é diferente. Se ele quiser, está ao seu alcance uma vida eterna que lhe é concedida pelo Filho de Deus, morto em uma cruz. Só aqui, portanto, reside a grande diferença entre a alma vivente (animal racional) e a alma vivente (animal irracional).
A expressão fôlego de vida é algumas vezes empregada de forma diferente pelos escritores inspirados, como por exemplo:
Jó chama de alento e sopro — Jó 27:3
De espírito — Jó 14:10-12

Davi chama de respiração — Sal. 104:29
De espírito — Sal. 146:4

Salomão chama de fôlego — Ecl. 3:19
De espírito — Ecl. 12:7

Tiago já chama de vapor — Tiago 4:14

Moisés chama de sopro — Êxo. 15:8
De espírito — Gên. 7:22.

“O conceito de vida imediatamente após a morte jamais foi apresentado na parte hebraica ou grega da Bíblia. Originou-se com a filosofia grega e penetrou no judaísmo no período helenista (entre o quarto e o primeiro séculos antes de Cristo). Os fariseus assimilaram de fontes gregas a doutrina da imortalidade da alma. Essa doutrina veio para dentro da Igreja Cristã principalmente por influência do autor judeu Filo e os teólogos cristãos de Alexandria: Clemente (cerca de 150 a 215 d.C.) e Orígenes (cerca de 185 a 254 d.C.). A doutrina da imortalidade da alma é a base do espiritismo e também da filosofia da Nova Era.” – Lição da Escola Sabatina, nº 12, pág. 2, – l5/9/1996.

DEPOIS DA MORTE, O QUE SOBRA?
MORTALIDADE da alma tem sido um assunto divergente entre a cristandade, embora seja claro na Bíblia. Antes da mistura do paganismo com o cristianismo, não se cria que os santos ao morrerem iam para o Céu.
A origem da natalidade aconteceu com a ordem de Deus: “...multiplicai-vos e enchei a Terra...” (Gên. 1:28). A mortalidade, porém, lamentavelmente se deu, quando o homem desobedeceu a ordem expressa do Criador, dando ouvidos à serpente, representante de Satanás.
Quando criados Adão e Eva, foi-lhes oferecido para habitação um lindo jardim. De todas as árvores frutíferas poderiam utilizar; inclusive do fruto da árvore da vida, para que este lhes prolongasse a existência. O Senhor, porém, submeteu-os a um teste, proibindo-lhes tocar no fruto de uma determinada árvore que estava no centro do jardim. Representava a Lei de Deus, a vontade divina. Tocar ou não naquela árvore, revelaria a linha de conduta do casal. E então a voz de Deus ecoou:

Gênesis 2:17
“Mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”
Satanás, porém, referindo-se a este fruto, afirmou categoricamente:
Gênesis 3:4 – “CERTAMENTE NÃO MORRERÁS.”


Como pai da mentira que é, Satanás utilizou as mesmas palavras divinas, colocando acintosamente a mentira no meio. Eva, tristemente, esqueceu-se da palavra de Deus para atender ao malígno e, por isso, muitos a condenam. Mas, grande parte da cristandade hoje dá ouvidos a esta mesma voz, crendo na mesma mentira: “certamente – não – morrerás.”
Para mostrar que o homem não era imortal, mas possuía imortalidade condicional à sua obediência, a primeira e imediata providência de Deus após o pecado foi vedar-lhe o caminho da árvore da vida. Por quê? Para que o homem não se tornasse um pecador imortal. Aqui a prova:
Gênesis 3:22-24
“... Ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente... o lançou fora do Jardim do Éden... pôs querubins ao oriente do Jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.”
Ora, que maior prova existe que não essa? O homem não poderia mais comer do fruto da árvore da vida, para não viver eternamente, isto é: tornar-se imortal. Evidentemente, provado está que ele não possuía imortalidade própria, mas que esta lhe era emprestada por Deus, sob esta condição: obediência.
Assim, o primeiro plano de Satanás (e o realizou) foi levar Adão e Eva a transgredirem a vontade divina. O segundo plano diabólico era levá-los a comerem do fruto da árvore da vida, perpetuando assim o pecado (mas foi frustrado, graças a Deus). A verdade prevaleceu, o homem tornou-se mortal. Os escritores bíblicos são, nisto, concordes. Eis o testemunho de alguns:
Davi: – “Que é o homem mortal para que te lembres dele?” (Sal. 8:4).
Paulo: – “... Cristo também vivificará os vossos corpos mortais” (Rom. 8:11).
“... isto que é mortal se revestir da imortalidade” (I Cor. 15:54).
“Jesus Se manifeste também em nossa carne mortal” (II Cor. 4:11).
“... revestidos para que, o mortal, seja absorvido pela vida” (II Cor. 5:4).
A mortalidade inerente da alma é uma doutrina clara da Bíblia, e o apóstolo Paulo, de uma forma abrangente, eficaz e cristalina, a endossa. Veja:
I Timóteo 1:17; 6:16
“Ora, ao Rei dos séculos, imortal... Aquele que tem, Ele só, a imortalidade...”
Se só Deus é imortal, Suas criaturas, evidentemente, são mortais.
A imortalidade que o homem possuia antes de pecar era derivada de Deus. Tinha-a ao comer do fruto da árvore da vida, enquanto obedecesse ao Senhor. Mas, quando deu ouvidos à serpente, transgrediu, tornando-se, portanto, mortal. É o que ensina a Bíblia. E, ao morrer a pessoa, a Bíblia responde:
Eclesiastes 12:7
“E o pó volte à terra, como era, e o espírito volte à Deus, que o deu.”
Isto é: o corpo (matéria), que é barro, volta ao pó, mas o fôlego de vida (aqui traduzido por espírito), volta a introduzir-se em Deus, que é o grande autor da vida. E, o que acontece? Simples: o homem deixa de existir.
É a mesma coisa que separar o azul do amarelo: o verde desaparece. Ao desligar-se a corrente elétrica da lâmpada, a luz se acaba. Da mesma sorte, a cadeira: lançada no fogo sua madeira e enterrados os pregos, ela deixa de existir.
Infelizmente, muitos não aceitam esta simples verdade, mas os escritores sacros crêem assim, afirmando que, no desenlace, não sai uma entidade abstrata, para que seja galardoada, recompensada ou não, indo ao Céu ou ao inferno. Dizem, sim, que vão para a sepultura. Por exemplo: Jó 14:14, 21; 19:25 e 26; Sal. 115:17; 6:5; e muitas outras passagens.
A significativa expressão: “tu és pó e ao pó tornarás” (Gên. 3:19), estabelece a natureza mortal, clara e evidente do homem. Poderá, no entanto, alguém questionar, naturalmente, os que advogam a tese da imortalidade, e dizer: “Perece o corpo, a alma não.”
Então perguntarei: Onde está a sede do amor, da inveja, do ódio; no “corpo” ou na “alma”? Provavelmente você dirá que é na alma, ou espírito, memória, pensamento, consciência, etc. Então, a Bíblia dissipa as dúvidas:
Salmo 146:4, Eclesiastes 9:6
“Sai-lhes o espírito (fôlego de vida) e eles tornam-se em sua terra (sepultura – pó); naquele mesmo dia (o de sua morte) perecem os seus pensamentos... até o seu amor, o seu ódio, a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma neste século, em coisa alguma do que se faz debaixo do Sol.”
Pois bem, perece tudo na dissolução do corpo. ( Isaías 38:18 e 19). Portanto, irmão, ensina a Bíblia que o homem é mortal. Não tem uma alma fluídica dentro de si; ele é uma alma vivente, nada mais. Quando morre, vai para a sepultura e o fôlego de vida volta para Deus, e tudo jaz em completo esquecimento.
Se naquele mesmo dia (o da morte), perecem todos os pensamentos, claro está que não há consciência após a morte. Não fica o espírito pensando, agindo com raciocínio, seja no Céu, no purgatório, no além, no inferno ou nalgum paraíso.
Se alguém ainda contestar o claro ensino das Escrituras, outra vez arrazoarei: Que dizer de Jesus quando afirmou que Lázaro, o irmão de Maria e Marta, que havia morrido há 4 dias, estava dormindo? (João 11:11). E depois, categoricamente, afirma: “Lázaro está morto” (João 11:14). Queria o Senhor ensinar que a morte é um sono e este é passado na sepultura, em completo esquecimento. Note ainda: Jesus não disse para Lázaro descer do Céu; certamente sendo Lázaro um bom cristão, ao morrer, deveria estar lá, consubstanciado na crença imortalista de hoje, mas Jesus, fitando a sepultura, disse: “Lázaro,vem para fora”. João 11:43.
Pense bem: Se Lázaro estivesse gozando as delícias celestiais após morrer, ele gostaria que Jesus o trouxesse de volta a esta terra de pecado, ódio, guerra, maldade, tristeza, enfermidade e morte? E Jesus, o traria?
É, meu amado, o ensino claro da Bíblia é que a morte é um sono. “O pó volte ao pó, e o espírito (fôlego de vida) volte à Deus.”
Ah, mas isso é muito simples! É simples demais para se crer, dirão os teólogos. Então, ouça: Quando Jesus deu graças ao Pai por ter ocultado “estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelado aos pequeninos” (Mateus 11: 25-26), Ele está dizendo, certamente, que algumas coisas são, de fato, escondidas dos pesquisadores sofisticados (PHD’s, MHD’s e Doutores em Divindade). Tornar-se como crianças é a atitude que Jesus disse ser mais adequada para se estudar a Bíblia.

ESPIRITISMO ENCOBERTO
A doutrina fundamental espírita, e ramos congêneres, é que o homem tem uma alma dentro de si, que lhe sai ao morrer e vai reencarnar-se neste ou naquele ser vivo.
Ora, o cristão que crê tenha o homem uma alma, que lhe sai por ocasião da morte, indo ao Céu ou ao inferno, antes de mais nada, já está pensando igual ao espiritismo, apenas com a diferença dos fins propostos. Torna-se, sem o perceber, em um espírita em potencial, compreende?
PENSE NISSO: Terá a alma braços, pernas, cabeça com raciocínio, sentimento, emoções? Se a alma que sai do morto tem estes elementos e sentidos, jamais poderá ser uma alma, e sim uma pessoa. Uma pessoa reluzente, translúcida, diáfana ou transparente, mas, uma pessoa semelhante às que vivem neste Planeta. E, se assim é, temos de admitir que, uma pessoa sai de dentro de outra pessoa quando morre, e aí complica ainda mais. Certamente favorecerão os “fantasmas.”
A verdade é que, no Céu ou no inferno, as “almas” terão que ter sentimentos que as levem a gozar as delícias do paraíso ou sofrer os horrores do fogo do inferno, senão a recompensa e o castigo não seriam fisicamente efetivados.
O que sai do homem quando morre, vai para Deus e retorna-lhe na ressurreição, é apenas o fôlego de vida emprestado por Deus a todos os seres viventes.

CORPO, ALMA E ESPÍRITO
Admitem muitos irmãos da atualidade que o homem tem dupla natureza, ou seja: Corpo e Alma. Outros acrescentam o Espírito. (São as teorias dicotomista e tricotomista). No entanto, estes conceitos são terminantemente contrários à Bíblia, pois esta ensina que o homem é o resultado direto de dois elementos: pó da terra (corpo, matéria) e fôlego de vida ou “espírito”, de cuja junção resultou uma alma vivente – um ser vivente, racional, pensante, com capacidade intelectiva e moral, etc. Gên. 2: 7.
Três textos, pelo menos (I Tess. 5: 23; Mat. 10: 28; Zac. 12:1), são sempre utilizados apressadamente, a fim de sancionar a crença de que o homem possui uma “entidade” que lhe sai, ao morrer, tomando rumos do Céu ou inferno; respectivamente, o bom e o mau, tratando-se de cristão ou ateu. Sendo espírita, o destino pode ser um animal, doente físico, etc.
Antes de nos atermos a tais doutrinas, cujos textos estudaremos à frente, descubramos o que são “espírito” e “alma”, segundo os escritores sagrados.
As Santas Escrituras são pródigas em oferecer salutares conselhos e sábios ensinamentos que edificam e desanuviam as dúvidas humanas. Há, contidas nelas, 390 referências à “alma” que, após compulsadas, o leitor atento notará os diversos sentidos em que aparece, mas NUNCA financiando a doutrina da imortalidade natural ou inerente. Basta um conjunto de versículos para comprovação; deles me valerei, embora que suscintamente, pois o espaço assim o exige.
O vocábulo “alma”, do hebraico nephesh, e grego, psyché, pode ser traduzido de várias maneiras, como, por exemplo:

“ ALMA” – COM CONOTAÇÃO DE “VIDA”
Levíticos 17: 11
“Porque a alma (vida) da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas (vidas); porquanto é o sangue que fará expiação pela alma (vida, pessoa).”
Levíticos 17:14
“Porquanto (o sangue, v. 13) é a alma (vida) de toda carne; o seu sangue é pela sua alma (vida); ... tenho dito aos filhos de Israel: não comereis o sangue de nenhuma carne, porque a alma (vida) de toda carne é seu sangue...”
Atos 20:10
“Paulo porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o disse: Não vos perturbeis, que a sua alma (vida) está nele.”
E mais estes textos: Gên. 9:4 e 5; I Reis 19:14; Jó 6:11; Mar. 3:4; II Cor. 12:15; Heb. 10:39; Mat. 16:26; Luc. 12:20; Mat. 11:29; Mar. 8:37, etc.
“ALMA” – COM CONOTAÇÃO DE “PESSOA”
Gênesis 46:27
“E os filhos de José, que lhe nasceram no Egito, eram duas almas (pessoas). Todas as almas (pessoas) da casa de Jacó, que vieram do Egito, foram setenta.”
Levíticos 17:12 –“... Nenhuma alma (pessoa) de entre vós comerá sangue...”
Atos 7:14 – “... sua parentela, que era de setenta e cinco almas (pessoas).”
Atos 2:41 – “Naquele dia agregaram-se quase três mil almas (pessoas).”
Atos 27:37 – “E éramos... duzentos e setenta e seis almas (pessoas).”
E mais estes textos: Gên. 36:6; 46:15, 18, 22, 25 e 26; Lev. 17:10, 15; Jer. 52: 29 e 30; Eze. 13:18-20; 22:25; Sal. 109:20; Prov. 11:30; Atos 3:23, etc.

“ALMA” – COM CONOTAÇÃO DE “CORAÇÃO”
Gênesis 34:3
“E apegou-se a sua alma (coração) com Diná, filha de Jacó, e amou a moça...”
I Samuel 20:17
“E Jônatas fez jurar a Davi de novo, porquanto o amava... com todo o amor da sua alma (coração).”
I Reis 11:37
“E te tomarei, e reinarás sobre tudo o que desejar a tua alma (coração), e serás rei sobre Israel.”
Atos 2:43 – “Em toda a alma (coração) havia temor...”
E mais estes textos: Sal. 42:5; Ecl. 6:2; Cant. 3:4: Miq. 7:3; Mar. 14:34, etc.
PENSE – O indivíduo pode diversificar sua dialética, direcionar seu raciocínio, perder-se em questiúnculas, nestas conotações; mas nunca poderá negar que a “alma” é o homem, o ser vivo, a pessoa humana.
O vocábulo “espírito”, que em hebraico é neshamah ou ruach; e em grego, pneuma, é empregado, na Bíblia, também em diversos sentidos, a saber:

“ESPÍRITO” – COM CONOTAÇÃO DE FACULDADES MORAIS –
ÍNDOLE – CARÁTER – PENSAMENTO – SENTIMENTO
Salmo 51:10
“Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito (caráter, índole) reto.”
Lucas 1:17 – “E irá adiante dele no espírito (caráter) de Elias...”
I Coríntios 4:21
“Que quereis? Irei ter convosco com vara ou com amor e espírito (sentimento) de mansidão.”
Filipenses 1:27
“...quer vá e vos veja... e ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito (pensamento), combatendo juntamente... pela fé do evangelho.”
E mais estes textos: II Tes. 2:2; Rom. 1:9; 7:6, etc.

“ESPÍRITO” – COM CONOTAÇÃO DE SABEDORIA – DISCERNIMENTO –
RACIOCÍNIO – CONHECIMENTO.
Lucas 1:80
“E o menino crescia, e se robustecia em espírito (conhecimento)...”
Mateus 5:3
“Bem-aventurados os pobres de espírito (raciocínio), porque deles é o reino dos Céus.”
E mais nestes textos: Êxo. 31:3; Núm. 14:24, etc.

“ESPÍRITO” – COM CONOTAÇÃO DE – ÂNIMO – ENERGIA
Gênesis 45:27
“Porém, havendo-lhe eles contado todas as palavras de José... reviveu o espírito (ânimo) de Jacó.”
Jó 17:1 – “O meu espírito (energia, ânimo) se vai consumindo...”
Salmo 143:7
“Ouve-me depressa, ó Senhor; o meu espírito (ânimo) desfalece; não escondas de mim Tua face...”
Juízes 15:19
“Então o Senhor fendeu a caverna que estava em Leí, e saiu dela água; e bebeu, e o seu espírito (ânimo) tornou, e reviveu...”
Mais estes textos: I Sam. 30:12; Prov. 15:13; 17:22; Eze. 18:31; Dan. 7:15; Ageu 1:14, etc.

“ESPÍRITO” – COM CONOTAÇÃO DE FÔLEGO – RESPIRAÇÃO – SOPRO
Gênesis 7:15
“E de toda a carne, em que havia espírito (fôlego) de vida, entraram de dois em dois para Noé na Arca.”
Jó 14:10
“Mas, morto o homem é consumido; sim, rendendo o homem o espírito (fôlego), então onde está?”
Eclesiastes 12:7
“E o pó volte à terra como era, e o espírito (fôlego) volte a Deus, que o deu.”
Lucas 8:55
“E o seu espírito (fôlego, respiração) voltou, e ela logo se levantou; e Jesus mandou que lhe dessem de comer.”
Mais estes textos: Jó 27:3; Apoc. 11:11, etc.

“ESPÍRITO” – COM CONOTAÇÃO DE – VIDA
Jó 12:10
“Que está na sua mão a alma (vida) de tudo quanto vive; e o espírito (vida) de toda carne humana.”
Apocalipse 13:15
“E foi-lhe concedido que desse espírito (vida) à imagem da besta...”

“ESPÍRITO” – COM CONOTAÇÃO DE – ANJO
Atos 8:26, comparar com o verso 29; Heb. 1:13-14, etc.

“ESPÍRITO” – PODER DIVINO – ESPÍRITO DE DEUS
Gên. 1:2; Isa. 44:3; 61:1; I Cor. 6:19, e mais 301 textos.
OBSERVAÇÃO – Das 283 passagens bíblicas sobre “espírito” (excetuando-se as 305 que mencionam espírito – Poder Divino), e nas conotações apresentadas, nada há indicativo de que sai de dentro do homem algo que tenha forma e se identifique como um ser – vaporoso, translúcido, silhuético ou fantasmagórico.
IMPORTANTE – Conquanto haja nas Escrituras estas variadas formas em que alma e espírito são empregados, não há em nenhuma delas qualquer indício que signifiquem uma “entidade abstrata que sobrevive à matéria”. Não há na Bíblia nenhum texto que autorize a doutrina de uma alma ou um espírito imortais. Só Deus é imortal. I Tim. 1:17; 6:16.

ELUCIDANDO O ASSUNTO
Isaías 11:2
“E repousará sobre Ele o Espírito do Senhor; o espírito de sabedoria, e de inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor.”
Como se vê, há tantos e tão variados significados esclarecedores de espírito, que é irrecusável sua aceitação de que em muitos lugares são expressões metafóricas, figuras de linguagem ou mesmo sinédoque (comparações simultâneas).
Jamais poderemos confundir o espírito como uma personalidade, um ser (não me refiro à Terceira Pessoa da Trindade), para que não venhamos a admitir que só de uma vez “repousou” no Senhor Jesus quatro espíritos.
O testemunho fiel das Escrituras é que “Deus é Espírito, os anjos são seres espirituais, mas nunca o homem.”
Assim sendo, ficará fácil entender os textos que têm confundido muitos sinceros estudantes da Bíblia, como sejam:
I Reis 17:22
“E o Senhor ouviu a voz de Elias, e a alma (vida-fôlego) do menino tornou a entrar nele.” (A alma que saiu do menino é a centelha de vida = fôlego).
Gênesis 35:17 e 18
“E aconteceu que, tendo ela (Raquel) trabalho em seu parto... saindo-se-lhe a alma (vida, sangue) (porque morreu)...”
Observação – Raquel teve uma hemorragia e perdeu todo o sangue (alma), morrendo em seguida (Ler: Lev. 17:11, 14).
I Coríntios 5:5
“Seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito (caráter) seja salvo no dia do Senhor Jesus.”
O apóstolo está corrigindo a “complicada” Igreja de Corinto. Nos versos 3 e 4 menciona dois outros “espíritos” que, com mais este do verso 5, precisam ser entendidos corretamente, pois Paulo não está dizendo que o homem tem duas “coisas” que podem ser divididas, uma para Satanás, outra para Deus.
Evidentemente, Paulo está realçando aqui a lúcida doutrina da ressurreição. O “dia do Senhor Jesus” é a Sua segunda vinda, quando então serão ressuscitados todos os salvos, com a restituição do fôlego de vida, já que este lhes foi retirado ao morrerem. Efetivamente, na morte ocorre o que é simples e fácil de se entender. A “carne” (pó, corpo, barro) volta ao pó, e o espírito (fôlego de vida) volta a Deus. O caráter do homem é que será salvo, e isto é comprovado no fato de que, ao ressuscitar, virá à sua memória, de imediato, os últimos pensamentos, com os quais morrera. Na ressurreição, Deus volta a recompor o homem, agora com um corpo glorificado; devolve-lhe a mesma vida (fôlego) que o faz recuperar sua capacidade intelectiva e moral.
Lucas 1:17
“E irá adiante dele no espírito... de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto.”
Alegar que este texto financia a existência de um espírito que pode sair da pessoa é o máximo na falta de compreensão bíblica. Sim, pergunto, que “espírito” seria, já que Elias não morreu! (foi sepultado vivo? II Reis 2). A vinda de Elias foi uma profecia (Mal. 4:5) que se cumpriu fielmente com o primo de Jesus. João iria efetuar a mesma obra que Elias realizou, isto é: uma reforma espiritual, preparando o caminho do Senhor (Mat. 17:10-13). Somente isto!
I Tessalonicenses 5:23
“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito e alma e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”
OBSERVAÇÃO – Esta expressão tricotômica “é uma forma redundante e enfática de definir a personalidade integral do homem”. Em outras palavras: Paulo, desejando preparar um povo especial, como é o povo que aguarda a volta de Jesus, usa uma expressão global para designar o homem no sentido lato da palavra, na santificação de todo o seu ser para ter a aprovação do Céu. Paulo desejava que todas as faculdades morais e espirituais, bem como o próprio templo (corpo, I Cor. 3:16) do crente, estivessem preparados para o grande dia de Deus (a volta de Jesus).
Hebreus 4:12
“Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.”

OBSERVAÇÃO – Esta é outra expressão “redundante e enfática”. Aqui, Paulo suprime o termo corpo, mas subentende-se que ele (nas entrelinhas) está nas “juntas e medulas”. Entretanto, este texto quer dizer, nada mais, nada menos, que a Bíblia, quando examinada por um “coração” sincero, penetra até os recônditos de seu ser. Seu poder transformador é inegável.
Mateus 10:28
“E não temais os que matam o corpo (matéria, barro), e não podem matar a alma (vida); temei antes Aquele que pode fazer perecer no inferno a alma (vida) e o corpo (matéria).”
OBSERVAÇÃO – Atente primeiro para a palavra perecer. Jesus não deixa dúvida de que tudo vai acabar (acabar e não continuar queimando). Portanto, tudo que se force aqui para provar a imortalidade ou imperecibilidade da alma cairá no vácuo. O que está claro neste texto e se com ele alguém deseja provar alguma coisa, é que a alma perece. Por conseguinte, ela não é imortal.
Jesus ensina aqui que o homem pode matar, isto é, fazer alguém cessar de viver, mas jamais poderá impedir a ressurreição de um justo, o que não se dá com Deus, que pode matar o corpo e fazer a vida desaparecer por completo, entretanto, tal só se dará com os ímpios, e com o fogo que os destruirá Ele purificará a Terra para se tornar a morada dos salvos. Na ressurreição, Deus dará novo corpo e a mesma vida (fôlego), pois que Ele é a própria vida, a fonte, “usina geradora” de vida.
Específicamente neste texto, alma tem o sentido de “vida”, a “natureza espiritual do homem”. E não é difícil admitir esta verdade quando aceitamos o que diz a Bíblia, que o homem não tem uma alma, mas ele é uma alma. Uma alma vivente, que foi o resultado da inoculação do fôlego de vida por Deus no boneco de barro, que imediatamente lhe deu raciocínio, a capacidade de amar, sonhar, sentir, viver, enfim. A “matriz” divina é perfeita, inquestionável, insubstituível.
Para ilustrar e facilitar sua compreensão, voltemos ao passado. Os mártires, aqueles cristãos perseguidos e mortos impiedosamente de várias maneiras, morreram na fé. Os ímpios mataram seus corpos – tiraram-lhe a vida; mas não lhe mataram a esperança da ressurreição nem a promessa de uma vida eterna. Em suma, irmão amado, nenhuma parte das Escrituras, e muito menos este texto, ensinam que há uma “entidade abstrata e imortal, que sobrevive à matéria.”
SINTETIZANDO – Os passos dados pelo Criador, com clareza, em Sua palavra, com a simplicidade de uma criança, é que: Ele fez um boneco de barro (estátua), soprou em suas narinas o fôlego de vida e o boneco tornou-se uma alma vivente, com raciocínio, emoções e sentimento. Gên. 2:7. Exemplo:
BONECO DE BARRO + FÔLEGO DE VIDA = ALMA VIVENTE
Não foram colocados dentro do boneco, uma alma nem um espírito. Ele tornou-se uma alma vivente.
OBSERVAÇÃO – Enquanto a alma vivente respirar, estará viva. Continuará sendo alma vivente. Mas, tão logo pare de respirar, tornar-se-á alma morta.
PROVAS: – Sal. 104:29 – “...se lhes tiras a respiração (fôlego), morrem.”
Ecl. 12:7 – “E o pó (boneco) volte à terra, como era, e o espírito (fôlego) volte a Deus, que o deu.”
Tiago 2:26 – “...o corpo (boneco) sem o espírito (fôlego) está morto...”
RESULTADO: ALMA VIVENTE – FÔLEGO DE VIDA = ALMA MORTA
Completo esquecimento – Sal. 146:4; Ecl. 9:6. Evidente, o que faz viver o corpo é o fôlego.
Inquestionavelmente, o “espírito” é a mais clara tradução de “fôlego”, e deve assim ser aceito pelos cristãos, pois que, um “espírito” (ser fluídico, etéreo, reluzente, translúcido, personalizado, fantasmagórico ou coisa parecida) que “desencarna”, “se purifica” através de “gradação”, “reencarna”, “que sobrevive à matéria”, etc... é doutrina exclusiva do espiritismo e deve ser abandonada, retirada dos arraiais do Senhor, por aqueles que se preparam para o Céu.
Além da lógica, há uma enorme coerência em aceitar seja o homem uma alma. Não há dentro dele mais dois seres. Acompanhe as conjecturas seguintes e veja se não é melhor aceitar a simplicidade eloquente de Gênesis 2:7.
Diz o profeta que, “a alma que pecar, essa morrerá...” (Eze. 18:20). Pergunto, então, aos que aceitam tenha o homem uma alma e um espírito, que lhe saem por ocasião da morte:
– Se a alma pecar, o que ocorre com o corpo e o espírito? Ou, neste caso, quem pecará de fato: A alma, o corpo, ou o espírito? – Se só a alma pecar, o corpo e o espírito devem ou não morrer?
A doutrina evangélica crida hoje é que, ao morrer o homem, sendo bom, vai para o Céu; sendo mau, para o inferno, imediatamente. Então, consideremos:
JUSTO – Quem vai receber o galardão? O corpo, a alma, ou o espírito?
ÍMPIO – Quem será castigado? O corpo, a alma, ou o espírito?
O ensino doutrinário das Igrejas Neo-Pentecostalistas, conforme o Prof. A. Gilberto, do Instituto Bíblico Pentecostal, é que, quem peca é a alma (ser vivo que vive dentro do homem, segundo seu ensino). Sendo assim, permita-me levantar-me como advogado do corpo e do espírito; sim, porque estes não podem ser responsabilizados pelo pecado da alma e, dessa forma não podem se perder. E aí o veredicto insofismável será:
• A alma vai para o inferno.
• O corpo e o espírito para o Céu.
Vê o despenhadeiro que nos apresenta quando se intenta colocar alguma coisa dentro do homem? Ficará complicado tirá-la dali depois. Este é um argumento que nos é inteiramente favorável para a aceitação correta de que a alma é o homem in-totum.
Querido irmão, não compliquemos o que é simples e fácil. Alma, proferida pelos diversos escritores bíblicos – “Minha alma clama, suspira e desfalece”. “Bendize, ó minha alma, ao Senhor...” “A minha alma anseia pelo Senhor...” etc., – quer dizer o homem completo, o ser vivo, alma vivente, eu, você, e nunca alguma coisa fluídica, etérea ou nebulosa que resida dentro do homem. EU CLAMO...!
CONSIDERE ISSO, IRMÃO
Se o galardão (Céu para o justo, inferno para o ímpio) ocorrer na hora exata da morte, três doutrinas bíblicas ficam sem sentido, e canceladas, a saber: o juízo (Atos 17:31); a ressurreição (I Cor. 15); e a volta de Jesus (João 14:1-3). A recompensa está, pois, precedendo a todas.
O ensino do citado professor, Antonio Gilberto, é que o espírito e a alma do homem voltam para Deus; então novamente pergunto:
QUAIS ESPÍRITOS E ALMAS VOLTAM PARA DEUS?
Do justo ou do ímpio?
Se você disser que somente a alma e o espírito do justo voltam para Deus, os do ímpio têm que ir para o inferno, é óbvio. A não ser que eles vão ficar perambulando por aí, “desincorporados”, ou no “purgatório”, “encarnados” em algum ser vivo, ou “penitentes” em algum lugar.
Realmente, a Bíblia diz que o espírito volta para Deus. Veja:
Eclesiastes 12:7
“O pó volte à terra, como era, e o espírito volte a Deus, que o deu.”
Aqui há que se considerar, honestamente, que a alma é uma intrusa. O que volta, meu irmão, é o “espírito”. Não queiramos colocar uma alma dentro do homem, para que ambos voltem para Deus, pois assim será forçar demais o texto para adaptá-lo a uma crença anti-bíblica.
O espírito também é mencionado de forma genérica (o texto é contundente: “...e o espírito volte a Deus que o deu”), e ninguém pode negar. Sendo assim, ambos os espíritos (do justo e do ímpio) vão para Deus, e isto é a clara e simples verdade da Bíblia.
Assim, pois, se é aceito que algum ser real, corpóreo ou não, que “sobrevive à matéria”, isto é: continua a viver liberto do corpo, se não for sofrer um processo evolutivo de “gradação”, então terá que tomar rumo do Céu fatalmente, porque de lá veio. Ora, se vai para o Céu, já está – pela ótica da lógica – com a salvação garantida, tanto o espírito do justo quanto o do ímpio
Porém, as doutrinas do juízo, ressurreição e a volta de Jesus que são esposadas pelas Igrejas Evangélicas, precisam ser conciliadas, já que são bíblicas. O que fazer então? Só há uma saída, e esta seria:
• O espírito do justo desce do Céu, entra no corpo (anteriormente morto), permanece na sepultura enquanto é julgado. Após o julgamento, Jesus volta, o espírito ressuscita e volta para o Céu. Ora! Mas para quê isso? Já não estava ele lá gozando a bem-aventurança? Evidente, só se vai para o Céu para este fim. Por outro lado, imagine você se este “espírito” tivesse algum pecado escondido, e no juízo fosse descoberto, e... ao invés de ir para o Céu, fosse agora para o inferno?
• O espírito do ímpio desce do Céu, entra no corpo (anteriormente morto), permanece na sepultura, é julgado, Jesus volta, ele ressuscita e vai para o inferno.
Que diferença! Estava ele no Céu, experimentou a cálida harmonia celestial e, agora, vai para sempre arder, arder e arder.
OBSERVAÇÃO – Há ainda algo a harmonizar, ou seja: Os justos, segundo a Bíblia, ressuscitam na primeira ressurreição (Apoc. 20:6), e os ímpios, na segunda. Assim sendo, o espírito do ímpio vai ainda permanecer 1000 anos sepultado (Apoc. 20) e, segundo ensina o referido professor, o espírito é um “ser vivo, imortal e inteligente”, portanto não morre, evidentemente estará sepultado vivo, o que lhe aumentará sobremaneira a surpresa, porque algum tempo antes estava no Céu.
Se estas conjecturas não forem reais, teremos de admitir que o espírito do justo é diferente do espírito do ímpio. E, se assim é, somos forçados a “admitir a pré-existência da alma consciente”, ou seja, todos os homens e mulheres já existiam antes de nascerem aqui na Terra, o que é, antes de tudo, contrário à própria razão.
Não acha você coerente admitir que o espírito é o fôlego de vida?
PARA SUA MEDITAÇÃO
Você nunca estranhou por que quase nunca se ouve pregação sobre a ressurreição nas Igrejas Evangélicas? Naturalmente que esta pregação traria tremenda contradição, não é? Evidente, se o galardão e a condenação ocorrem por ocasião da morte, volto a afirmar, tais eventos precedem o julgamento, cancelada fica a ressurreição, e a volta de Cristo desnecessária se torna.
Amado irmão, é perigoso pensar igual ao espiritismo, porque fatalmente se cairá nesta esparrela. O espiritismo não crê na ressurreição. Ele aceita a reencarnação. Os nomes são parecidos, porém há um abismo entre eles. E é preciso tomar cuidado para não cair nele.
É uma inglória tarefa a de defender a imortalidade da alma, como o fazem hoje os evangélicos, pois que, se as almas e espíritos saem de dentro do homem ao morrer, quais “seres vaporosos e invisíveis”, iremos ter, queiramos ou não, um Céu vaporoso, “uma habitação aérea de espíritos rarefeitos que, evidentemente, são pintados esvoaçando incessantemente ao acompanhamento de harpas, porque seria ilógico pensar em eles fazerem qualquer coisa mais substancial.” – Objeções Refutadas, F.D. Nichol, pág. 83.
A doutrina da imortalidade da alma é puramente espírita, surgiu de uma “sessão espírita” (Gên. 3:1-6) e é escorada em uma milenar mentira, e pior, proferida para subestimar e pôr em dúvida a Palavra Divina, pois:
Disse Deus: “CERTAMENTE MORRERÁS” (Gên. 2:17).
Satanás retrucou: “CERTAMENTE – NÃO – MORRERÁS” (Gên. 3:4)
Evidente, se Deus diz que morre, morre mesmo; nada poderá sair vivo de dentro do homem, senão Satanás teria razão em sua afirmativa. No entanto, este ser logrou tremendo êxito em sua artimanha, pois que, assustadoramente, o espiritismo está rodeando a Terra, enlaçando a todos em suas malhas sutis e fantasiosas. Até os alicerces dos evangélicos estão ruindo, ao esposarem a doutrina da imortalidade inerente da alma. Quer ver? – Leia esta declaração:
“Essa doutrina da imortalidade da alma faz com que o espiritismo pareça razoável. A visão popular, que pinta nossos queridos mortos como estando perto de nós e profundamente interessados em nossas atividades, está apenas um passo distante do espiritismo, que simplesmente acrescenta o aspecto da comunicação. Assim, em vez de erguer uma parede contra esse culto, que virtualmente todos os ministros consideram como mau, para ele se abre uma porta.” – Idem, 84 – grifos meus.
E isso é tão verdadeiro que, no afã inglório de confirmar a doutrina da imortalidade, há grande semelhança nos termos usados pelos evangélicos com o pensamento espírita. Por exemplo:
O espiritismo diz que o corpo é o “invólucro ou cadeia” da alma. Que há “evolução do espírito” e “espíritos desencarnados”. – Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec.
O Professor A. Gilberto, do Instituto Bíblico Pentecostal, ensina que: O corpo é a “bainha” da alma. Que há “gradação” (“progressão por graus sucessivos” – Delta Larousse) da alma, e que a alma “sobrevive à matéria.” – Estudos Elaborados, do Professor A. Gilberto, pág. 2.

Ora, não é exatamente o que ensina o espiritismo? Claro que sim! Só que com nomes diferentes! Abra os olhos, amado irmão, isso é o terreno encantado do malígno.Veja também que, longe de se estabelecer uma diferença, uma barreira entre as doutrinas espíritas e evangélicas, pelo contrário, elas se identificam e só diferem no fato de que os evangélicos aceitam que a alma e o espírito vão para o Céu, e os espíritas, que irão “encarnar” em algum ser vivo, a fim de proceder à “gradação” até a purificação ansiada, a perfeição absoluta, como ensinam.
Uma coisa porém, os espíritas estão à frente dos evangélicos imortalistas, é que eles não aceitam que Deus permitirá que os pecadores ficarão para sempre ardendo no fogo do inferno. Isso, afirmam eles, não afina com o caráter de Deus, o que leva nosso pleno endosso.
Nós não caímos nestas malhas, pois que, ao aceitarmos a mortalidade natural da alma, não temos nenhuma dificuldade em ensinar que, ao morrer o homem, a “matéria, pó, corpo”, vai ao pó (Ecl. 12:7), e o fôlego de vida vai à Deus. O mais fica na memória do Grande Jeová, e está muito bem, pois Ele é o Onisciente Criador. Quanto aos atos bons e maus, omissões, etc., do morto, estão exarados nos livros (Dan. 7:10) que se tornarão nos autos do seu julgamento. Atos 17:31.
Também, “não temos de ensinar a incrível doutrina de que existe dentro do ‘homem’ algo que é o homem real, mas que não é discernível a qualquer dos sentidos, e não está em conformidade com qualquer das leis provadas da ciência. Vemos a palavra homem como significando algo muito real e concreto. Não vagueamos no labirinto das discussões metafísicas na tentativa de compreender ou explicar como Deus pôde insuflar nas narinas do homem o fôlego de vida, e o homem se tornou uma alma vivente. Simplesmente afirmamos, na força do relato bíblico, que corpo, alma e espírito são todos necessários para dar existência e significação àquilo a que a Bíblia se refere quando fala do homem no sentido lato da palavra.” – Ibidem, pág. 85 – grifos meus.
Nós nos ombreamos aos postulados bíblicos, junto à Deus, que afirmou ao homem, “certamente morrerás” e que, depois de morto, não há consciência, nem sabe ele nada do que se passa debaixo do Sol (Ecl. 9:6), sua memória jaz em completo e perfeito esquecimento (Ecl. 9:5), dormindo até a ressurreição (Apoc. 20:6). O fôlego de vida reintegra-se a Deus, que é a própria fonte de vida.
Assim, “nossa visão da natureza do homem não interfere de modo algum na doutrina do final fogo do inferno. De fato, se o homem é um ser literal, então o lugar da pena deve ser certamente um lugar literal, e o castigo deve ser algo muito literal. Mas o que nossa visão do homem como mortal nos livra, é do ensino de que os fogos do inferno nunca findarão... e que há um ente imortal a resistir eternamente às chamas.
“Finalmente, temos um forte argumento contra o espiritismo, com suas materializações; o catolicismo com suas súplicas a santos há muito mortos e suas orações aos mortos; e a qualquer sistema que se baseia na doutrina da imortalidade inerente da alma. De fato, os que aceitam o ponto-de-vista bíblico de que o homem jaz silencioso na tumba até a ressurreição, são os únicos que firmemente se podem opor ao espiritismo ou dar resposta à embaraçosa inquirição dos espíritas (como esta feita por um médium):
“Porque se opõem os ministros cristãos às investigações do espiritismo, quando nosso êxito simplesmente serviria para estabelecer uma das grandes doutrinas da Igreja Cristã – a imortalidade?” – Ibidem, pág. 86 – grifos meus.
Sim, irmão amado, fugir da simplicidade de Gênesis 2:7, é se colocar no terreno encantado de Lúcifer, o que, efetivamente, Deus não deseja para você. Reestude o assunto, considere estes fatos.
Zacarias 12: 1
“Peso da Palavra do Senhor sobre Israel: Fala o Senhor, o que estende o Céu, e que funda a Terra, e que forma o espírito do homem dentro dele.”
Depois de estudarmos tudo que a Bíblia apresenta sobre espírito, este texto isolado de Zacarias não será problema para nós, não é? O profeta está aqui, tratando da criação. Deus criou o Céu a Terra e também o homem e, ao criá-lo, como o fêz? Releia Gênesis 2: 7. Compreendeu? Deus colocou a vida dentro do homem. Espírito aqui, é uma conotação claríssima de vida, e é o oposto do espiritismo!


CURIOSIDADES
Em sua apostila “Estudo Elaborado”, pág. 2, o prof. A. Gilberto, do Inst. Bíblico Pentecostal, a respeito do assunto, afirmou que a “alma” é que peca. Depois, com espaço de seis linhas, disse que a “alma” é imortal. Lamentavelmente, além de se contradizer, está contra o ensino divino, pois diz a Bíblia que Deus expulsou Adão e Eva do Jardim do Éden, para evitar que comessem do fruto da árvore da vida e assim se tornasem pecadores imortais. Ora, se Deus diz que o homem possuía imortalidade condicional, tanto que lhe vedou a fonte da longevidade, após a transgressão, como pode alguém achar-se no direito de dar imortalidade à alma? Por favor, amado, não entre neste caminho.
O citado professor Gilberto, consultor doutrinário e teológico da CPAD em seu “Estudo Elaborado”, deu as seguintes definições para espírito:
“Um ser vivo inteligente, invisível, sem carne e ossos. Vida divina imortal. Fôlego de vida. Energia divina que Deus soprou no homem. Sede de razão. Sede do intelecto. Sede da vontade. Sede da consciência. Sede da adoração.”
OBSERVAÇÃO – Amado professor, é preciso definir claramente o que é espírito, para que se tenha um ponto de partida na descoberta do que seja o homem. Aí, desculpe, está confuso, senão contraditório, e nos leva a dúvidas cruéis. Nós, ovelhas, precisamos de capim verde, suculento e água cristalina. Veja se a história ajuda:
INCRÉDULO: Não creio na Bíblia porque ela diz que cavalo fala. (Referência ao caso de Balaão e sua mula).
CRISTÃO: Faça um cavalo que eu o farei falar.
INCRÉDULO: É, tem razão, quem criou o cavalo, pode bem fazê-lo falar.
Ora, por que inventar? Se Deus diz que, com o fôlego de vida, apenas, deu capacidade de raciocínio ao homem, por que colocar dentro dele dois outros seres (uma alma e um espírito)? Por que duvidar que Deus tem o poder de apenas com o fôlego e o barro produzir um ser com capacidade intelectiva e moral?
Ainda que este ensino não fosse bíblico (graças à Deus que o é), é melhor aceitá-lo, porque é o oposto do espiritismo.

CURIOSIDADES:
• Alma pode morrer — Eze. 18:4
• Alma pode ser morta — Jos. 11:11
• Alma tem sede — Isa. 29:8
Porque ALMA é a pessoa humana.

IMORTALIDADE! QUANDO?
Imortalidade X Ressurreição
(Quem sustentar uma doutrina, terá que rejeitar a outra)
Finalizarei agora esta série de estudos onde foi focalizado o homem, a obra-prima da criação de Deus, comprovando, pela Bíblia, que ele é uma alma vivente com raciocínio; não tendo dentro de si uma alma, e que quando vai para a sepultura perecem todos os seus pensamentos e desejos (Ecl. 9:6). A vida (espírito, vapor, alento, sopro ou respiração) que são traduções aplicadas ao fôlego de vida que Deus injetou nas narinas do homem (Gên. 2:7), volta para Deus. Mas todos os seus atos, bons e maus, negligências, oportunidades perdidas e atitudes falsas, estão registrados nos livros de Deus e se tornarão nos autos do seu julgamento, no dia do juízo. Não importa onde esteja sepultado o homem. No mar, na terra, em cavernas ou sepulcros rochosos; comido por animais ou peixes, trucidado ou esquartejado. Aí permanecerá dormindo até o grande dia da volta de Jesus.
A Bíblia apresenta duas ressurreições:

Apocalipse 20:6
“Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com Ele mil anos.”
João 5:28 e 29
“...Todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz, e os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.”
I Tessalonicenses 4:16
“Porque o mesmo Senhor descerá do Céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.”
O numeral ordinal, primeiro, empregado por Paulo, revela que haverá segunda ressurreição, que é a dos ímpios.
Diante dessa doutrina bíblica – a ressurreição – esposada por todas as Igrejas Evangélicas, faço esta conjectura: A maioria dos cristãos hoje, crê que os mortos recebem o galardão após a morte, isto é: sendo bom e fiel, morreu vai para o Céu; sendo mau, vai para o inferno. Como coadunar, então, a doutrina da ressurreição e a doutrina do galardão post-mortem? Só há uma solução empírica. Admitir que, à época da ressurreição, os justos descem do paraíso celestial, devolvem a coroa, despem-se das vestes brancas, voltam à sepultura, ressuscitam, são julgados e depois retornam para a bem-aventurança, recebem de volta a coroa e as vestes brancas. Sim, só pode ser isto, ou então negar a ressurreição de que fala a Bíblia.
O mesmo então se dará com o ímpio: voltará do inferno, irá à sepultura, será julgado e retornará ao seu martírio. É preciso coragem para crer nisso. Nesse troca-troca infindável, direi a você que poderá haver uma confusão generalizada, pois note, no país das estatísticas (EUA) morre uma pessoa a cada 21 segundos, ou seja: 3 por minuto, 180 por hora, 4.320 por dia e 1.554.200 por ano. Pois bem, isso em um país altamente desenvolvido, onde as condições de vida são excelentes. Imagine o mundo todo.
Pense! Vai morrendo a pessoa e recebendo a recompensa, uma aqui, outra lá. Já imaginou se porventura houvesse algum equívoco, após a morte? Algum ímpio era justo, ou algum justo, ímpio; sim, porque a recompensa está precedendo o julgamento; e se depois do juízo ficasse comprovado o engano? Então o justo desce do Céu e vai para o inferno, ele que já havia experimentado as delícias dali, e o ímpio sai do inferno e vai para o Céu; que surpresa! Ainda mais que terão esperado milênios antes dessa mudança.
(Senhor, meu Deus, Tu sabes que não duvido de Teu poder, sabedoria, onisciência e capacidade. Assim falo, para despertar nos meus irmãos o interesse profundo para este importantíssimo tema. Abençoa agora este querido irmão, esta preciosa irmã, que está lendo estas páginas, neste momento. Tu os ama, e eu também. Em Nome de Jesus, amém).
Não há dúvida, irmão, o galardão, recompensa, imortalidade, só após o juízo final, que a Bíblia estabelece para o julgamento de todos. Atos 17:30 e 31.
Querido irmão, reforço este assunto com as palavras do sábio Salomão:
Eclesiastes 9:10
“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma.”
É claro o ensino do sábio Salomão, que, depois de morto o homem, suas faculdades mentais são totalmente apagadas, e irá aguardar em um sono que, mesmo sendo de séculos, para o que dormiu no Senhor, é como o passar de uma noite apenas, até o grande dia de Deus, a volta de Jesus, quando, só então, a recompensa será dada, fato comprovado pelas Escrituras. Veja:

Lucas 14:14
“E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que te recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos.”
Salmo 17:15
“Quanto a mim, contemplarei a Tua face na justiça; satisfar-me-ei da Tua semelhança quando acordar.”
II Timóteo 4:8
“Desde agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a Sua vinda.”
Mateus 16:27
“Porque o Filho do Homem virá na glória de Seu Pai, com os Seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.”
I Tessalonicenses 4:13 e 14
“Não quero, porém, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com Ele.”
Sim, esse sono será interrompido, quando a clarinada de Sião reboar pelos Céus; quando as altissonantes trombetas fizerem soar o clarim da vitória na volta gloriosa do Senhor Jesus. Aleluia! Glória a Deus!
Assim, irmão, fica decidido o caso de todos e a imortalidade tão desejada só será concedida aos que, vivos, permanecerem fiéis, e a todos os justos ressuscitados na primeira ressurreição, imediatamente, num abrir e fechar de olhos. I Cor. 15:52. Com indizível alegria e felicidade, leiamos esta jóia na Bíblia:
Lucas 20: 36
“Porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.”
Isto nos anima, como cristãos, a avançar confiantes na Palavra de Deus. Finalmente, amado, convido-o a reflexionar-mos: Vire a página!
REFLEXÃO
• Se a doutrina da ressurreição é plano de Deus, é evidente que a vida só será devolvida ao morto nesta ocasião, e não na hora de sua morte. Isaías 26:19.
• Se o homem permanecesse consciente após a morte, ou se lhe saísse
algo (alma/espírito) que vivesse em algum lugar, o que seria ressuscitado?
• “Quando isto que é mortal se revestir da imortalidade” (I Cor.15:54). Se a alma fosse imortal, qual a necessidade de se revestir de imortalidade?
Agora ouça o que disse o grande reformador:

“Confesso abertamente que não estou persuadido de que eles (os cristãos mortos) já estejam na plena glória em que Cristo Se acha, ou em que estão os anjos eleitos de Deus. Tampouco é isto artigo de minha fé; pois, se assim fosse, não vejo nisto senão que o pregar a ressurreição da carne seria coisa vã.”– Guilherme Tyndale, citado em O Grande Conflito, pág. 547.
Após esta reflexão, considere isto com carinho:
Uma senhora batista, irmã muito querida nossa faleceu. Com minha esposa fomos ao sepultamento. No cemitério foi feito o culto de despedida junto aos fiéis e parentes. O pastor leu as passagens bíblicas referentes à ressurreição (I. Cor. 15: 50-55; I Tess. 4: 15-17) e depois, em meio ao sermão, disse dirigindo-se aos parentes:
“Não se preocupem com a... (mencionou o nome da irmã), ela já está no Céu, guardadinha junto a Cristo. Na ressurreição, após o soar da última trombeta, o seu corpo ressuscitará da sepultura.”
Amado, pergunte-se:
Para quê o corpo será ressuscitado? Por quê o corpo será ressuscitado?
A “alma” vai deixar o Céu, onde tudo é tão maravilhoso e voltar à Terra para apossar-se do corpo e retornar ao Céu?
Não é muito mais fácil aceitar que o fôlego de vida vai a Deus e deixar que Ele cumpra o que prometeu?
Ao Céu irá, sim, apenas quem ressuscitar ou for trasladado, mas..., depois da glorificação!
A glorificação tem data marcada – a volta de Jesus!
Abraço!!!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

GÁLATAS, À LUZ DA BÍBLIA

A circuncisão (que se tornou o sinal pessoal da fé de Abraão) foi uma especial maneira criada por Deus, um sinal de separação do mundo, um símbolo de santidade para tornar Seu povo diferente dos idólatras.
Isso tornou-se um orgulho tão grande para os judeus – uma simples prática exterior – tão idolatrada, que sobrepujou a visão de que a circuncisão que tem valor de fato é a do coração, isto é: A transformação do caráter.
Efetivamente, a maior negação desta fé foi denunciada por Jeremias (Jer. 9:26), quando revelou não haver diferença entre pagãos e o “povo circuncidado” de Deus. “A forma exterior substituíra a experiência do coração.”
“O princípio de que o homem pode salvar-se por suas próprias obras, o qual jaz à base de toda religião pagã... onde quer que seja mantido, os homens não têm barreira contra o pecado.” – Ellen G. White, o Desejado de Todas as Nações, pág. 25.
“Se Satanás puder ser bem sucedido em levar o homem a dar valor às suas próprias obras como obras de mérito e justiça, ele sabe que pode vencê-lo por suas tentações e torná-lo sua vítima e presa... Marquemos os umbrais das portas com o sangue do Cordeiro derramado no Calvário, e estaremos a salvo.” – Ellen G. White, Review And Herald, 3 de Outubro de 1889.
Esboço da Epístola aos Gálatas segundo o Dicionário Bíblico, editado pela Imprensa Bíblica Brasileira:
I – A autoridade apostólica de Paulo e a revelação por ele recebida justificam o evangelho da salvação pela Graça, contra o espúrio ensinamento dos legalistas (1:1-2 e 14).
II – A justificação que provém da Graça divina pela fé humana, e não pelas obras infrutíferas da lei, vindica o Evangelho de Cristo (2:15; 4:31).
III – Com ardorosas exortações Paulo concita os galátas a permanecerem firmes na liberdade e na espiritualidade da Graça (cap. 5 e 6).

CIRCUNCISÃO
“Quando Ismael estava com a idade de treze anos, Abrão e todos os homens de sua família foram circuncidados. No Egito a circuncisão fora praticada em data memorável, no entanto tornou-se o selo do pacto entre Deus e a descendência de Abrão, cujo nome, ao mesmo tempo, foi mudado para Abraão, significando assim que ele não era mais babilônio.” – Dicionário Bíblico da Imprensa Bíblica Brasileira.
Quando Abraão foi justificado (Gên. 15:6) não era circuncidado, fato que aconteceu posteriormente. Consequentemente, tornou-se Abraão pai de circuncisos e incircuncisos. Abraão não foi salvo pela circuncisão. Ele foi salvo pela Graça, aceita pela fé. A circuncisão era o sinal ou selo da experiência salvadora. Após a Cruz, a circuncisão como rito religioso é desnecessário (Romanos 2: 28-29).
A primeira referência e o estabelecimento da circuncisão como pacto entre Deus e Abraão estão em Gênesis 17:10-14.
Paulo usou em todas as suas epístolas as seguintes palavras:
CIRCUNCIDAR – DOZE VEZES
CIRCUNCISÃO – VINTE E SEIS VEZES
INCIRCUNCISÃO – NOVE VEZES
CIRCUNCISO – CINCO VEZES
INCIRCUNCISO – SETE VEZES
(Total: 59 vezes)

Somente na Epístola aos Gálatas, Paulo mencionou dezesseis vezes a circuncisão. Sendo que o livro de Gálatas contém seis capítulos, temos a média de três palavras por capítulo.
O livro de Gálatas tem sido usado como coluna mestra para a aceitação do cancelamento, destruição e término da “lei” por Cristo Jesus. Por isso nada mais lógico que estudá-lo, tim-tim por tim-tim, a fim de sabermos se realmente é como se diz. Vamos ver.
O escritor de Gálatas foi o comentado apóstolo Paulo, cuja descendência, origem e ministério já conhecemos bem (consulte pág. 348, parág. 8). Servindo-nos do Dicionário Bíblico da Imprensa Bíblica Brasileira, temos a seguinte descrição a respeito da epístola de Paulo aos Gálatas:
“Paulo apreciava muito todas as suas igrejas, todavia, tinha excepcional simpatia para com as da Galácia. Durante sua ausência, professores judaizantes tiveram acesso a elas e nelas insuflaram a perniciosa heresia de que somente pela porta do judaísmo é que se podia entrar no aprisco cristão. A natureza desses argumentos convenceu a Paulo de que ele se defrontava com uma grande crise e, se o cristianismo havia de ser a religião universal, e não meramente uma seita judaica, teria de ser esclarecida, duma vez por todas, a relação entre Cristo e a Lei Mosaica.” – Grifos meus.
Esta bela descrição leva-nos à época do autor e coloca-nos a par do problema que motivou a Paulo sua famosa epístola. “Professores Judaizantes” estavam corrompendo o rebanho, fazendo-o voltar à escravidão das cerimônias estatuídas por Moisés.
Considerando ainda o dicionário focado a respeito dos JUDAIZANTES, encontramos nele esta significativa referência:
“Nome dado entre os primitivos cristãos àqueles que não podiam crer que tudo o que se concedera ao homem pela LEI fosse-lhes então, transmitido de maneira mais ampla por meio do EVANGELHO. Assim insistiam na circuncisão como o meio de outorgar ao homem o direito de crer em Jesus como Salvador de Israel” – (Grifos meus).
Você, caro amigo, como um bom e correto cristão, que está interessado em crescer na fé, e se assemelhar ao máximo ao Senhor Jesus, por certo, depois de já ter lido os capítulos anteriores, estará em condições de compreender com sinceridade o que Paulo tinha em mente ao escrever Gálatas. Por favor, não esqueça que estamos diante de uma igreja onde, estando seu pastor, Paulo, ausente, fica à mercê de homens maus, “professores judaizantes” arraigados a dogmas cerimoniais abolidos por Cristo. E, em especial, nesse particular, o motivo principal da epístola foi exatamente o ponto que com maior volúpia pregavam os tais “professores judaizantes”: a circuncisão. Imploro-lhe não esquecer esse detalhe.
Recorramos novamente ao Dicionário Bíblico mencionado, e o consultemos a respeito da palavra “lei”, largamente usada nessa epístola. Diz ele:
“A lei continha dois elementos. O eterno e o efêmero. Um elemento é eterno, portanto, trata da moral, que não muda. Encontramo-lo nos Dez Mandamentos, frequentemente denominados o Decálogo, e em estatutos com este relacionado. O elemento efêmero compõe-se de leis, tanto civís como cerimoniais. Evidentemente as leis civis se mudariam ou se revogariam segundo as mudanças na vida da nação e nas suas relações com os povos vizinhos. E as leis cerimoniais cuja finalidade era ensinar por meio dos sacrifícios e cultos ritualísticos o desígnio redentor de Deus, haveriam de terminar com o advento do Messias, cuja obra de redenção esse ritualismo prefigurava, e hoje os cristãos têm certeza de que Cristo veio a ser o cumprimento e o fim da lei.” – Grifos meus.
Logicamente, segundo a palavra fidedigna do citado Dicionário Bíblico, se a Lei Moral dos Dez Mandamentos é eterna e não muda, que lei então seria essa da qual nós, os cristãos, temos certeza que Cristo tornou-Se o cumprimento e o fim? Evidente, aquela que o próprio dicionário classifica de cerimonial, e “cuja finalidade era ensinar por meio dos sacrifícios e cultos ritualísticos o desígnio redentor de Deus”, ou seja, que prefigurava a morte de Jesus. Por essa tão bela e tão bem colocada referência à “lei”, agradeçamos ao autor do Dicionário Bíblico que estamos usando.
O dicionário em foco é um compêndio da mais alta importância e imparcialidade, de autoridade ímpar, bem como de profunda responsabilidade evangélica. Tanto que é anexado à Bíblia impressa e distribuída pela Casa Publicadora Batista. E é ele que apresenta com tamanha clarividência algo que para muitos tem sido obscuro e continua encoberto, isto é: a diferenciação entre as leis da Bíblia. Menciona este bom dicionário, e ele foi claro, o seguinte:
1º) – LEI MORAL: Chamada de os Dez Mandamentos, ou Decálogo. Que não muda. É eterna.
2º) – LEIS CIVÍS: Poderiam mudar segundo a conveniência da nação israelita.
3º) – LEI CERIMONIAL: Sua finalidade única era ensinar a obra redentora de Jesus.
Portanto, neste estudo sobre Gálatas, deveremos partir da seguinte premissa: Não enfoca a epístola a Lei Civil, pois trata-se de tema religioso. A dificuldade, por conseguinte, enquadra as duas leis finais: Lei Moral ou Lei Cerimonial. Como não há mais dúvidas que existe distinção de leis na Bíblia (confirme lendo à página nº 79), alicerçados pelo citado dicionário, iremos a cada passo desvendar o mistério dos gálatas, e colocar a lei que é mencionada na epístola no seu devido lugar, e isso com sua ajuda e paciência, meu amado irmão.
Gálatas 1:13-14
“Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava. E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade; sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.”
Paulo, irritado, tomou conhecimento dos tais “professores judaizantes” e de sua herética e nefanda obra. Sendo o apóstolo profundo conhecedor de suas heresias, e sobremodo a elas contrário, discorre ao início de sua epístola aos gálatas, a sua condição inicial, como grande praticante daquela seita, o judaísmo. Como seu membro efetivo, antes do encontro com Cristo, fora ele, como se disse: “extremamente zeloso das tradições” de seus pais, daí entendermos seu descontentamento e preocupação com os cristãos da Galácia, pois sabedor que era daquelas infindáveis cerimônias, se novamente aceitas, iriam tirar a liberdade concedida pelo evangelho de Cristo, e de alguma forma, obliterar o cristianismo que crescia com bases sólidas na Galácia antes do acesso dos “professores judaizantes”.
No limiar da epístola, notamos a acentuada preocupação de Paulo, bem como sua profunda admiração ao notar que os gálatas apressadamente deixaram o evangelho que lhes pregou, revogando a Graça de Cristo e voltando-se àquilo que tachou de anátema (Gál. 1:6-9). Paulo era contrário de “corpo e alma” ao judaismo (ritualismo cerimonial judaico), porque em pouco beneficiou, e ademais fora cancelado para sempre com o sacrifício de Jesus.
Ainda no preâmbulo que fez Paulo para introduzir sua epístola, entendemos de sua leitura e podemos até visualizar o judaizante Saulo de Tarso, com todo zelo e dedicação empunhando sua ensanguentada espada, munido das cartas dos sacerdotes judaizantes, para matar os crentes em Cristo. Mas, no caminho de Damasco, dá-se o feliz encontro do judaizante Saulo com Aquele que cancelou tal sistema religioso. Esse encontro marcou-o para o resto da vida, não somente pelo quadro maravilhoso de ver a Jesus, mas porque sua vista ficou defeituosa enquanto viveu, dado o resplendor da glória do Senhor Jesus. Saulo morreu. Acabou para ele o judaismo. Nasceu Paulo, a glória do cristianismo, o apóstolo dos gentios.
Totalmente transformado, verdadeiramente convertido ao cristianismo, Paulo tomou sua Bíblia e rumou para os campos missionários, sempre fazendo discípulos e construindo igrejas, até que, depois de quatorze anos de sua conversão ao cristianismo e consequente rejeição do judaismo, conta ele:
Gálatas 2: 1,3-4
“Depois, passados quatorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo a Tito... Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se; e isto por causa dos falsos irmãos que se tinham entremetido, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão.”
Paulo, completamente transformado, está em Jerusalém. Quando aceitou a Cristo como Salvador, abandonou o judaismo e as cerimônias que, se necessárias antes, tornaram-se inúteis após a morte de Jesus. E isto foi objeto de repulsa da parte dos judeus cristãos, que Paulo depois de longa ausência revia na Cidade Eterna, os quais eram, ainda, partidários e afeitos às cerimônias rituais, e entre elas, a circuncisão tinha predominância.
Gálatas 2: 7-9, 12-13
“Antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão (porque Aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, Esse operou também em mim com eficácia para os gentios), e conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que se me havia dado, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão... Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os da circuncisão. E outros judeus dissimulavam com ele (Pedro), de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação (de Pedro).”
Observe meu amado, que a discussão, o elemento que gerou tanta confusão e polêmica, foi simplesmente um dogma daquela “lei” que o Dicionário Bíblico classifica de Cerimonial e que foi abolida com a morte de Jesus. Entretanto, ainda estava causando tanta discussão, e o que é lamentável, entre os próprios discípulos. Sem sofismar, a “barafunda” criada aí foi pura e simplesmente por causa da CIRCUNCISÃO. É o elemento predominante em toda a epístola. Tanto é verdade que Paulo, o declarado inimigo do judaismo, irá tomar uma atitude à altura de sua posição de apóstolo chamado por Jesus. Ouça-o:
Gálatas 2: 14
“Mas quando vi que não andavam bem e direitamente, conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?”
VAMOS RELEMBRAR: No verso 4, Paulo menciona estarem os irmãos secretamente voltados a “espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão.” Em outras palavras, o homem que crê no sacrifício de Jesus e O aceita como Salvador pessoal já não está preso àquela multidão de cerimônias e rituais que faziam parte da Lei Cerimonial, já não está cativo, mas tem liberdade. Liberdade concedida pelo evangelho, mediante a expiação do Filho de Deus. Esta liberdade os judaizantes não aceitavam para si e para ninguém.
Após o Calvário não era preciso mais proceder a nenhum dos rituais exigidos pela Lei Cerimonial, e muito menos circuncidar-se, pois tal sistema era o antítipo que apontava para o tipo (Jesus). Assim, com a morte vicária de Jesus tornou-se de nenhuma importância, inútil e sem valor a lei Cerimonial. Na transição do judaismo para o cristianismo, a circuncisão teve fim, e o batismo por imersão ocupou seu lugar. Col. 2:11-12.
Pedro até que compreendia assim, porém, para agradar a “gregos e troianos”, como disse Paulo – “dissimulava”, e por isso foi repreendido duramente na frente de todos. Mas, na verdade, novamente afirmo: Tudo isso por causa da circuncisão, que era parte integrante e destacada da Lei Cerimonial.
O verso seguinte, emitido por Paulo, imediatamente após admoestar a Pedro, tem sido incompreendido pelos irmãos em geral, porque não o comparam com o con-texto geral da epístola. Todavia, para você agora ele vai falar diferente, com certeza.
Gálatas 2: 16
“Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.”
Paulo como que franze a testa, olhando para Pedro e os demais apóstolos e discípulos, cheio do poder espiritual, mostra-lhes o valor do evangelho. CIRCUNCISÃO era uma exigência da Lei Cerimonial, necessária antes de Cristo. Mas, após a morte do Senhor, cumprir esse ritual era buscar JUSTIFICAÇÃO PELAS OBRAS. Isto é: justificar-se a si por méritos próprios.
A prática da circuncisão após a cruz, era negar a eficácia do sangue remidor de Jesus, bem como contraditar o evangelho da justificação pela fé no sacrifício expiatório de Jesus. Por isso Paulo enfatiza:

“PELAS OBRAS DA LEI NINGUÉM SERÁ JUSTIFICADO”
Corretíssimo. A Lei Cerimonial não se compunha somente do dogma da circuncisão, mas de uma infinidade de cerimônias. Porém, o problema traumatizande dos gálatas, a balbúrdia entre aqueles bons irmãos da Galácia, é por causa da CIRCUNCISÃO. Este é o tema borbulhante da epístola.
Gálatas 2: 21
“Não aniquilo a Graça de Deus, porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde.”
Antes do advento do Messias Jesus, Deus dera aos judeus, em especial, um ritual maravilhoso. Um conjunto de cerimônias, acompanhadas de variadas ordenanças, denominado de Lei Cerimonial. Sua obrigação era exigível, pois todo o cerimonial apontava para Jesus. Era portanto necessário até que Ele viesse.
Vindo, porém, o Filho de Deus, todo aquele impressionante e provisório sistema ritualístico, tornara-se inútil, pois era sombra de Jesus (Heb. 10: 1). Paulo compreendeu assim, e colocou em prática sua fé. Por isso, indignou-se ao ver, agora, novamente os discípulos voltarem a circuncidarem-se.
Mais irritado ficou Paulo, ao notar os próprios apóstolos presenciarem essa disposição de suas ovelhas e nada fazerem. Permaneciam inertes. Daí ocasionar-lhe repulsa tal que o levou a repreender não somente os discípulos mas também a Pedro. Como, pensava Paulo, poderiam homens que tiveram o Plano de Salvação tão claro e detalhado seu cumprimento na morte vicária de Jesus, voltarem agora aos rituais abolidos? E se a prática desses ritos pudesse justificar o oferente, então Jesus morreu em vão, asseverava Paulo.
Ressalte-se que a “lei” focada ainda é a Lei Cerimonial, pois tudo está dentro do mesmo escopo e é uma sequência do pensamento discorrido por Paulo no capítulo 2. Muitos irmãos, hoje, utilizam este texto (Gálatas 2: 21), para anular a Lei Moral. Mas, como você vê, não é o correto. Isolando este texto do contexto geral da epístola, ele perde seu sentido real. Separá-lo do contexto é cortar o fio da meada. É destruir o pensamento proposto e ardorosamente defendido por Paulo.
O capítulo 3 desta epístola é dramático para o apóstolo.Veja:
Gálatas 3: 1-5
“Ó insensatos gálatas! QUEM VOS FASCINOU para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi representado como crucificado? Só quisera saber isso de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão. Aquele pois que vos dá o Espírito, e que obra maravilhas entre vós, fá-lo pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?”
Paulo está muito aborrecido com os “professores judaizantes” que em sua ausência infiltraram na Igreja da Galácia os dogmas cerimoniais, dando, preferencialmente, mais peso a circuncisão. Qualifica os gálatas de “insensatos”, e quem não concorda? Imagine: Receberam do apóstolo o evangelho da liberdade, liberdade que os isentara de continuar matando animais para se justificarem, porém, voltam a oferecer as mais variadas ofertas, praticando o desnecessário rito da circuncisão, tudo aquilo que Jesus abolira em Sua morte na cruz.
Ainda assim, até aqui, a “lei” que está em foco é clara, insofismável e definida: é a Lei Cerimonial, enfatizada pelo Dicionário Bíblico como abolida por Cristo. E dessa lei, a “ordenança” que gerou tamanha confusão foi a circuncisão. Certo?
O versículo seguinte a ser estudado exige de nossa parte, para compreendê-lo, muita humildade, sinceridade e lealdade para com a Bíblia. Dada à sua soleníssima mensagem, deve-se ao lê-lo despir-se de todo preconceito denominacional, bem como desarmar-se de toda idéia pré-concebida. Eu fiz isso, um dia, graças a Deus!
Este versículo é mais uma peça saliente na epístola aos Gálatas, o centro e a rocha de que se valem milhares de bons irmãos de todas as religiões cristãs, para aceitar que a Lei Moral dos Dez mandamentos foi abolida, que Paulo é contrário a ela. Evidentemente é inegável que Paulo demonstra repulsa por uma lei. Mas... qual lei?
Você verá que, sem isolar o versículo do seu contexto, ficará fácil entendê-lo e descobrir que lei ele enfoca. Isso só é possível, pois estamos com a humildade de um sincero estudante da palavra de Deus, desenvolvendo o pensamento de Paulo, não é? Portanto, conhecedores que somos dos fatos iniciais da espístola, estamos cabalmente em condições de compreendê-lo. Vamos ler:
Gálatas 3: 10
“Todos aqueles pois que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.”
Se tivéssemos aberto a Bíblia agora, tomado de lá este versículo e, após fechá-la, o lêssemos, ele “falaria” diferente. Felizmente, nós estamos estudando toda a epístola, e por isso a mensagem dele para nós agora será aquela que Paulo queria de fato transmitir, e não a mensagem isolada que parece, encerra o versículo, e que tem enganado tanto crente sincero.
Convidamos o irmão a parar aqui e ler ou reler o capítulo A SANTA LEI DE DEUS e as MÁXIMAS PAULINAS, isto é, se você ainda tiver dúvidas quanto à “lei” que Paulo focaliza nesta epístola; mas se tudo está claro aos seus olhos, caminhe. Saliento, entretanto, para que o irmão grave bem, que a lei exaustivamente enfocada por Paulo nesta epístola, e especialmente neste verso, é a lei que o Dicionário Bíblico qualifica de Lei Cerimonial, porque:
• Quem pratica ou guarda seus mandamentos está sob maldição. Logicamente não poderá ser jamais a Lei Moral dos Dez Mandamentos que o Dicionário Bíblico disse ser eterna e que não muda. Sim, porque nestes Dez Mandamentos, que foram divididos sabiamente em duas partes pelo Criador, os quatro primeiros dizem respeito à nossa obrigação para com Deus, e os seis restantes, para com o nosso próximo. Portanto, amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e pensamento, é cumprir os primeiros quatro mandamentos da primeira tábua de pedra. E amar nossos semelhantes como a nós mesmos é cumprir os seis restantes da segunda tábua de pedra. Por favor, responda-me: Isso é ser maldito? Amar a Deus e ao próximo que são os reclamos da Lei Moral é estar sob maldição? – Claro que não! Correto?
• Essa lei que Paulo menciona foi escrita em um livro (II Crôn. 35:12). Portanto, só isso bastaria para que todos compreendam que essa lei focada pelo apóstolo na epístola dos Gálatas é a Lei Cerimonial, porque a Lei Moral dos Dez Mandamentos foi escrita pelo próprio Deus e em PEDRAS (Êxo. 31: 18). Evidentemente, pedra é granito, livro é pergaminho, pele de animal e casca de madeira. Bem diferente! Ademais, quem escreveu esta lei insistentemente abordada em Gálatas, não foi Deus, e sim Moisés. É o que descobriremos agora, quer ver?

Deuteronômio 31: 24
“E aconteceu que, acabando Moisés de escrever as palavras desta lei NUM LIVRO, até de todo as acabar.”
Paulo queria e precisava urgentemente livrar das garras dos “professores judaizantes” o seu indefeso rebanho e, para tal, tenta com toda a força do coração tirar da sua mente a inútil observância de uma “lei” que já fora caducada e abolida pela morte de Cristo (Col. 2:14; Efé. 2:15). Por isso que, no discorrer de todo o capítulo 3, fomenta a incapacidade da Lei Cerimonial para justificar o homem. Esse papel só a Jesus compete. Entretanto, esta lei, já que foi dada, teve o seu valor e desempenhou o seu papel, mas necessariamente teria que findar quando realizasse toda a obra para a qual fora criada. Assim, pois, é que diz Paulo:
Gálatas 3:24
“De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.”
A Lei Cerimonial, enfadonhamente mencionada por Paulo em Gálatas e referendada pelo Dicionário Bíblico da Imprensa Bíblica Brasileira, que muito nos está auxiliando, constituía-se de muitas cerimônias e não somente da circuncisão, que foi a pedra de tropeço dos gálatas. Essas cerimônias foram criadas para desenvolver no homem, ao praticá-las, a fé no Messias que viria futuramente. Dentre elas, talvez, a mais contundente e que falava mais profundamente ao coração do judeu, pelo menos Deus desejava que assim fosse, era o sistema sacrifical. Ao transgredir um dos Dez Mandamentos, o homem deveria morrer. Essa era a exigência da Lei Moral; entretanto, o pecador tinha uma “válvula de escape”. Ele não precisaria morrer, bastava que providenciasse um substituto, que devia ser um cordeiro sem manchas ou defeitos físicos.
Tomava então o pecador o animalzinho em seus braços e o levava ao sacerdote, no templo. Este, por sua vez, dispunha-o sobre o altar, e o pecador colocava suas mãos sobre a cabeça do animal e confessava seu pecado, após o que, com suas próprias mãos, imolava a indefesa vítima de seu pecado, vendo o sangue jorrar por entre as vísceras cortadas. Era um ritual marcante. Uma cerimônia cuja finalidade era mostrar ao homem que:
• Quem deveria morrer era ele, pois foi quem pecou.
• Deveria permanecer gravada em sua mente a hediondez do pecado. O pecado gera a morte. O pecado, aos olhos de Deus é tão aborrecível, malígno e abominável, que, para se obter o perdão, há a necessidade de derramamento de sangue.
• Deveria impressioná-lo aquela cena, ao contemplar naquela indefesa vítima a figura do Messias que o tanach profetizava. Compreender o papel do Messias em Se transformar na oferta viva pelo pecado, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. João 1: 29.
Por conseguinte, a Lei Cerimonial era um conjunto de ritos criados por Deus para desenvolver a fé no futuro Messias e dessa forma abrir os corações para recebê-Lo e amá-Lo. Assim que, têm muita razão as palavras de Paulo: “A lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo”. Lógico, era sua única e específica função. Vindo porém Cristo, que necessidade havia de continuar? Nenhuma! Ao homem agora, bastava crer e aceitar aquela oferta viva, Jesus, fazendo dEle seu Senhor e Salvador; nada mais claro.
A beleza desse ritual dizia para os israelitas que, o sistema sacrifical constituía-se o evangelho. Mostrava-lhes o caminho para comungar com Deus e com Ele manter sempre um relacionamento amistoso. Sobretudo, desejava o Senhor impressioná-los com o centro desse sistema, que era a solene verdade que o pecado ocasiona a morte. Daí, durante todo o ano, no templo, diariamente, de manhã e à tarde, era oferecido em holocausto um animal.
Outrossim, deveriam compreender que o perdão do Céu só seria possível única e exclusivamente através da confissão do pecador e a intercessão do sangue; nesse caso, o sangue do animal imolado. Após o ritual, o pecador saía da presença do sacerdote. Estava perdoado. Justificado de suas faltas e pecados. Mas... qual foi o preço? A vida do animal. Portanto, o perdão custa caro. Isso deveria impressionar de tal forma o pecador que o levasse a viver em retidão e obediência aos Dez Mandamentos. Toda vez que qualquer israelita pecasse deveria seguir esses passos, e a cena se repetiria infindamente, até que surgisse Aquele que daria Sua vida para salvar o homem de seus pecados – Jesus – para quem apontava todo esse ritual.
Por outro lado, a Lei Moral também é o aio que leva o pecador a Cristo, quando ela o acusa por alguma transgressão de seus mandamentos, e este sente a necessidade do perdão, e o busca pela fé, na Graça de Cristo.
O capítulo 4 de Gálatas é fascinante em sua apologia. Paulo irá mostrar aquilo que para eu e você está claro: “O evangelho nos isenta da lei”. Mas... logicamente, da Lei Cerimonial. Não esqueça o que disse o Dicionário Bíblico. Assim é que no verso 4 do capítulo 4, diz Paulo: “Mas vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.”
Certíssimo! Ao nascer Jesus, o ritual mosaico, ou sistema sacrifical, estava em franco funcionamento, muito embora bem distante daquilo que o Senhor Deus pretendia. Os judeus perverteram todo aquele belo e tremendo ritual, e o transformaram em mero “caça-níqueis”. Os próprios sacerdotes se empenhavam em fomentar e incentivar o pecado, para que o pecador lhes comprasse as ofertas, que, para facilitar, já as tinham dentro das dependências do templo, transformando a Casa de Deus em um mercado barulhento e fedentino (o átrio era de fato um curral), para vendê-las ao preço que lhes conviesse (Mat. 21:12). Por isso está certo Paulo: Jesus nasceu quando este estado de coisas evidenciava-se. E para confirmar a palavra paulina, lembramos que os pais terrestres de Jesus seguiram todos os trâmites legais da Lei Cerimonial, inclusive circuncidando-O, dentro do prazo estatuído por Moisés. Portanto, “nascido sob a lei”, isto é: sob sua atuação e vigência, está claro.
Gálatas 4:5
“Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.”
Se a Lei Cerimonial apontava para Cristo, como afirma Paulo, pois era o seu único papel, Ele viria exatamente para tomar o lugar da oferta que era morta no ritual da manhã, da tarde e pelo pecado, e acabar com todos os símbolos que apontavam para Sua obra redentora. Por isso recebemos a “adoção de filhos”, ou seja: fomos criados à imagem de Deus; arrebatados pelo pecado, perdemos essa condição de filhos; entretanto, agora, arrancados das garras de Satanás, fomos “adotados” por Cristo, pelo Seu sangue e maravilhoso sacrifício na cruz do Calvário, graças à Deus! Paulo procurava insistentemente mostrar aos gálatas que, com a vinda do Messias Jesus, o homem não mais podia ser salvo sob o judaísmo, escorado na Lei Cerimonial.
O passo seguinte seria também difícil de dar, não fosse a maneira como estamos estudando esta epístola. Felizmente você e eu adotamos a maneira correta de estudar a Bíblia, não é? Assim é que, Gálatas 4: 9 e 10, estudado em concordância com o contexto, dentro da sequência do pensamento paulino, dará também sua mensagem certa, e não aquela que os pregadores de hoje estão ensinando, que não corresponde à verdade e, muito menos, ao desejo do apóstolo. Diz ele:
Gálatas 4: 9-10
“Mas agora, conhecendo a Deus, ou antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses e tempos e anos.”
Tenho certeza que você sabe onde enquadrar “esses rudimentos fracos e pobres”. Naturalmente se você leu as MÁXIMAS PAULINAS, já bastaria. Entretanto, deixaremos bem gravado que a “lei” enfocada novamente por Paulo, agora neste capítulo, é aquela que o nosso bom dicionário bíblico diz ser: Lei Cerimonial, porque:
• Na sequência do pensamento de Paulo, está ele mostrando a inutilidade daquelas cerimônias introduzidas pelos judaizantes em sua ausência. Diz que é maldito (Gál. 3:10) todo aquele que praticar aquelas obras, depois que se tornaram obsoletas. Por outro lado, na Lei Moral não existem cerimônias. Ela enobrece o homem, moraliza-o, dignifica-o, daí não conter maldição.
• Menciona Paulo que a Lei Cerimonial foi escrita em um livro (Gál. 3:10), ao passo que a Lei Moral foi escrita em blocos de pedra (Êxo. 31:18).
• Diz Paulo que a Lei Cerimonial tinha um propósito: mostrar a obra redentora de Cristo. E isso não pode ser requerido da Lei Moral. Nos Dez Mandamentos não há ordem para circuncidar, nem matar animais, ou outro ritual qualquer, os quais simbolizavam e apontavam a obra expiatória de Jesus.
• Ninguém será maldito por guardar a Lei Moral; pelo contrário, ela ajuda o homem a tornar-se elevado, nobre, de bons princípios, correto. Afinal, é a “Lei Real”. A lei do Céu (Tiago 2:8).
• A Lei Moral não tem “rudimentos”, e sim, “mandamentos”.
Paulo, referindo-se à Lei Moral, disse:
Romanos 7: 12 – “E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.”
– Viu? Mandamento, e não rudimento!

Romanos 3: 31 – “Anulamos pois a lei pela fé? De maneira nenhuma; antes, estabelecemos a lei.”
Fica, por conseguinte, claríssimo que a “lei” de “rudimentos fracos e pobres” jamais pode ser a Lei Moral dos Dez Mandamentos, que é enaltecida por Paulo, e que mesmo a fé não a pode anular.
• Portanto, a Lei Cerimonial é que se enquadra no texto, pois ela, sim, tem “rudimentos”, e estes são, sem dúvidas, “fracos e pobres”, foram e são impotentes para justificar. Cumpriram sua missão e pronto. Acabou. E note o paradoxo: os rudimentos foram anulados pela fé em Cristo.
• A Lei Moral não exige a guarda de “dias” e sim de “um” dia, ordenado por Deus – o Sábado – memorial eterno do poder criador de Jeová.
• Na Lei Cerimonial havia sim: “dias”, “meses” e “anos”. Eram sete festas anuais, consideradas feriados altamente solenes, a saber:

Essas festas se davam durante o transcorrer do ano judaico. Eram datas fixas em dias móveis. Por exemplo, data fixa quer dizer: um dia de determinado mês. Dia móvel indica que esse dia podia cair em uma segunda-feira, quarta, quinta, Sábado, etc. (Assim como o nosso sete de Setembro que é feriado nacional, não cai continuadamente no mesmo dia da semana, porém, é uma data fixa – sete de Setembro). Eram “dias” guardados com tanta solenidade pelos judeus que se assemelhavam ao Sábado do sétimo dia da semana, pois que, naqueles “dias” em que caíam tais festas, toda a nação parava. Os afazeres cotidianos e seculares findavam, semelhante ao que faziam durante o Sábado do Senhor. Aliás, também eram esses “dias” apelidados de sábados (Isa. 1:13; Osé. 2:11).

OBSERVE ESTE PORMENOR:
A páscoa ocorrida na última semana de vida do Senhor coincidiu cair no dia de Sábado do sétimo dia da semana; por isso foi “grande aquele Sábado” (João 19:31). Era um sábado cerimonial, dentro do Sábado moral.
Assim que, os gálatas guardavam “dias” (eram esses feriados), “meses” (porque eram meses fixos), e “anos” (durante todos os anos, até a morte de Jesus – Heb. 10:1). Exatamente como enfatizou Paulo aos gálatas, que retornavam ao judaísmo, empurrados pelos professores judaizantes.
Portanto, nada mais claro e lógico que a “lei” insistentemente abordada por Paulo aos gálatas não é outra senão a Lei Cerimonial. É o que diz a Bíblia. Resta de sua parte, irmão, a decisão para aceitar.
O capítulo 5 de Gálatas é altamente importante, dada a sua clareza meridiana no contexto de toda a epístola, cujo tema principal abordado inegavelmente é a circuncisão.
Gálatas 5:1-4
“Estai pois firmes na liberdade com que Cristo vos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão. Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. E de novo protesto a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. Separados estais de Cristo, vós, os que vos justificais pela lei; da Graça tendes caído.”
Pare um pouquinho, mas não tire sua atenção de Gálatas.
Vamos dar um pulinho lá em Jerusalém.
Atos 15: 5
“Alguns, porém, da seita dos fariseus... se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhe que guardassem a LEI DE MOISÉS”
GRAVE ESTE DETALHE: Paulo diz aos gálatas, que, quem “se deixa circuncidar... está obrigado a guardar toda a lei.” – Responda: Qual a lei que continha a CIRCUNCISÃO como um mandamento: Moral ou Cerimonial?
Observe que Paulo novamente enfatiza o tema central especulativo da epístola: a circuncisão. Os gálatas buscavam com “denodo e muita severidade” a justificação pelas suas próprias obras, e o apóstolo sabia que nada disso tinha valor; mesmo que eles observassem todos os ritos mosaicos com a maior sinceridade, de nada adiantaria. O homem só será justificado e salvo pela sua fé em Cristo, nada mais. Paulo então determina, como que cansado de falar, arguir e repreender: “Se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará”. E isso é fácil de compreender agora, pelo estudo que fazemos de toda epístola, não é?
Cristo Jesus morreu. Sua morte cancelou a Lei Cerimonial. Agora era mister apenas exercer fé no ressurreto Filho de Deus, para que o homem fosse justificado. Isso é Graça. Se os gálatas continuassem a buscar justificação pelo cumprimento e prática das obras da Lei Cerimonial, a Graça não teria nenhum valor para eles. Por certo, “da Graça cairiam”. Por quê?
Gálatas 5:6
“Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma; mas sim a fé que opera por caridade.”
Que clareza meridiana! Que declaração límpida! Inteligível! Perceptível! Só a mente infantil, desinteressada, ou enferma, deixará de alcançar que Paulo passou toda a epístola digladiando, lutando para colocar na mente dos gálatas que o ritual da circuncisão, sendo parte integrante e saliente dos dogmas cerimoniais, perdera o seu valor e significado com o advento do Messias. Aliás, para eles isso não era uma doutrina nova; fora o evangelho que Paulo lhes pregou anteriormente. Eles haviam aceitado desta forma e até posto em prática, pois o que se depreende do versículo seguinte é isso:
Gálatas 5:7
“Corríeis bem; quem vos impediu para que não obedeçais à verdade?”

“QUEM VOS IMPEDIU...?”
Observe a enfática indagação de Paulo:

Quem?... Os professores judaizantes heréticos. Eles adoçaram sua mensagem de tal maneira, que não demorou muito e os gálatas estavam todos embevecidos e apegados à circuncisão. Os tais professores, naturalmente, devem ter-se servido de argumentos contundentes, pois que, deixar os ensinamentos de Paulo anteriormente recebidos, para aceitar aquelas ordenanças agora apagadas, sem vida ou qualquer significado cristão, é demais. Leia com atenção estes depoimentos:
“Em quase todas as igrejas havia alguns membros que eram judeus de nascença. A estes conversos os ensinadores judeus acharam fácil acesso, e, por meio deles, obtiveram apoio nas igrejas. Era impossível, por argumentos escriturísticos, subverter as doutrinas ensinadas por Paulo; por isso eles recorreram às medidas mais inescrupulosas para neutralizar sua influência e enfraquecer sua autoridade. Declararam que ele não tinha sido discípulo de Jesus e não tinha recebido dEle encargo; todavia ousava ensinar doutrinas diretamente opostas àquelas mantidas por Pedro, Tiago e outros apóstolos. Assim os emissários do judaismo tiveram êxito em alienar muitos dos conversos cristãos de seu instrutor do evangelho. Tendo obtido seu desígnio, induziram-nos a retornar à observância da Lei Cerimonial como sendo essencial à salvação. A fé em Cristo e a obediência à Lei dos Dez Mandamentos foram consideradas de importância secundária. Divisão, heresia e sensualismo rapidamente obtiveram terreno entre os crentes da Galácia.” – The Seventh Day Adventist Bible Commentary, vol. 6, pág. 1108. Grifos meus.
“A sua relação com a Lei Cerimonial (Col. 2: 15-16). As festas, os dias santos e outras observâncias cerimoniais judaicas não passam de símbolos e figuras representando Cristo. Agora, desde que Cristo veio e cumpriu os símbolos, os mesmos tornam-se desnecessários.” – Pr. Myer Pearlman (teólogo Assembleano), Através da Bíblia, pág. 293.
Novamente o paladino da verdade não se faz por esperar e levanta sua voz já quase rouca:
Gálatas 5:10,12
“Confio de vós, no Senhor, que nenhuma outra coisa sentireis; mas aquele que vos inquieta, seja ele quem for, sofrerá a condenação... Eu quereria que fossem cortados aqueles que vos andam inquietando.”
Paulo pregara o evangelho da liberdade. Cristo concedera a liberdade facultada pelo evangelho. Fé, somente fé em Seu sacrifício. Fé e testemunho em favor de Cristo, eis tudo que era necessário. Entretanto, queriam novamente os gálatas meter-se debaixo da servidão do ritual mosaico; reviver os momentos do sistema sacrifical e da infinidade de cerimônias, agora inúteis e sem nenhuma expressão, pois Jesus Cristo, O Justo, tornara-Se a oferta viva pelo pecado, o Cordeiro Pascal e, assim, abolira a Lei Cerimonial, conforme a mesma segura e abalizada palavra do apóstolo Paulo, ouça:
Colossenses 2:14:
“Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária..., cravando-a na cruz.”
Efésios 2:15:
“Na Sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em Si mesmo dos dois, um novo homem, fazendo a paz.”
Foi realmente o que aconteceu. Quando exangue o Salvador expirava na cruz, lá no templo de Jerusalém o sacerdote se preparava para oficiar o ritual da tarde, alheio ao magistral acontecimento daquele fatídico dia. O cordeirinho estava amarrado sobre o altar, semelhante ao que era feito por milênios. Naquela tarde, como de costume, o animalzinho seria sacrificado. Ao bradar Jesus na cruz, “está consumado”, toda a natureza demonstrou sua repulsa pelo tétrico quadro, retirando sua luz natural, e os elementos, entrando em comoção, suspiravam pela vida de seu Criador, enquanto que, miraculosamente, o nédio cordeiro se desprende do altar e foge, deixando espavorido o sacerdote ministrante que, para seu completo torpor, nota que o véu do templo que separava o lugar santo do santíssimo, rasga-se de alto a baixo por mãos potentes e invisíveis (Mat. 27:51). Era o cumprimento in-loco de todas as profecias messiânicas do Antigo Testamento. Em especial a de Daniel, que agora cumpre-se fidedignamente:
Daniel 9:27
“E Ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e as ofertas de manjares...”
Terminara portanto o ritual que, por milênios, impressionara os judeus. Pendia altaneiro do Gólgota o Messias Jesus, a sombra e figura que apontavam todos aqueles ritos cerimoniais (Heb. 9). Por conseguinte, agora a cruz tornara-se o emblema de fé, símbolo de salvação. Findara o tempo da justificação pelas obras da Lei Cerimonial, e raiava o tempo da justificação pela fé em Cristo. E isso os gálatas rejeitavam, absorvidos que estavam pelo vento de doutrina dos “professores judaizantes”.
Paulo vai agora exteriorizar seu descontentamento abertamente, por aqueles ensinadores heréticos que, no seu entender, queriam apenas se gloriar de que leva-ram os gálatas de volta ao judaísmo, rejeitando assim a mensagem pura e genuína do Evangelho Cristocêntrico.
Gálatas 6:12
“Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.”
Paulo quer dizer que os “professores judaizantes” combatiam o cristianismo porque este exige renúncia e decisão; sobretudo vivê-lo era expor-se ao escárnio bem como à morte, riscos a que Paulo nunca fugiu (II Cor. 11:23-28). E eles não desejavam isso. Como bem dissera o apóstolo, o que não queriam era “ser perseguidos por causa da cruz de Cristo”. No entanto, na igreja pareciam verdadeiros cordeirinhos, de fala macia e gestos delicados. Tudo fingimento. O que desejavam, de fato, era minar, destruir a fé dos crentes da Galácia. Lamentavelmente conseguiram. Levaram-nos a enamorar-se da circuncisão e colocá-la em prática, em plena ascensão do cristianismo. (Conseguiram, inclusive, levá-los a se constituírem inimigos do apóstolo Paulo – Gál. 4:16).
É como hoje: Se por um lado não se corre risco nenhum de nomear-se o nome de cristão, podendo portanto testemunhar abundantemente da cruz do Salvador, há por outro, uma enorme tendência de transigir com o pecado, conformando-se com o erro, e por pouco, quase nada, deixa-se cair o estandarte ensanguentado do Filho de Deus.
Milhares também aceitam o Sábado, o 4º mandamento da Lei Moral, como o Dia do Senhor, separado e santificado para observância, mas, porque lhes faltam coragem para colocar em prática essa fé, por medo de pedí-lo ao patrão, não o observam. Fecham assim a torneira das bênçãos celestes. Desobedecem a Deus e submetem-se aos homens. Por favor, amado, não se conforme com “tostões”. Satisfaça-se só com “milhões”. Você é que determina a quantidade de bênçãos que quer. O reservatório celeste continua cheio. Fé é o meio de abrí-lo, mas uma fé operante, traduzida em obediência. Reclame a palavra empenhada do seu Poderoso Deus. Aleluia!
Ainda está na arena o paladino da verdade – o defensor do cristianismo:
Gálatas 6:13
“Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis para se gloriarem na vossa carne.”
Neste versículo, Paulo deixa claro que todo o tema e preocupação da epístola são motivados pela circuncisão. Assim aceitarão os sinceros de coração que são os “cidadãos do Céu”, porque, afirma o apóstolo, aqueles heréticos ensinadores (“professores judaizantes”) que insuflaram novamente a circuncisão na igreja dos gálatas, eles mesmos não guardavam a Lei Cerimonial, pois que esta não se compunha apenas do rito da circuncisão mas de uma infinidade de abluções, ofertas, sacrifícios e ordenanças.
Agora, prezado irmão, apelo à suprema sinceridade de seu coração anelante pela verdade, para o desfecho da epístola, que foi dramaticamente enfatizado por Paulo:
Gálatas 6:15
“Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura.”
Ser uma nova criatura, resgatada pelo sangue de Jesus, transformada pela fé no imaculado Salvador, era este o desejo de Paulo para os crentes da Galácia. E isso só era e é possível quando o homem crê em Cristo Jesus como seu Salvador pessoal, demonstrando sua fé através de uma vida de obediência, culminada com o ato público do batismo cristão. Portanto, cerimônias, ritos, circuncisão, eram inúteis, impraticáveis no que concerne à justificação da parte do Senhor Jesus.
“Uma nova criatura”. Eis o que Deus quer.
Você gostaria de ser uma nova criatura? Se deseja!...
Viaje em pensamento até a Igreja de Corinto, sente-se no primeiro banco, poste-se diante do Rei do Céu, pois convidamos o campeão da cruz, para pregar um grandioso sermão para você. Ei-lo:
I Coríntios 7:19
“A circuncisão é nada e a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus.”
Ouviu? Gravou?
Aqui, Paulo define claramente as duas leis no conflito dos gálatas. Nega com veemência a lei da circuncisão (cerimonial) e realça os mandamentos de Deus (Lei Moral).
Assim, caro irmão, descoberta qual foi a Lei que Paulo menciona insistente e exaustivamente na Epístola aos Gálatas, cuja preocupação geral foi a circuncisão, isto é, a Lei Cerimonial, resta para você uma alternativa, bem como uma oportunidade, se é que até hoje não a compreendeu: Guardar a “lei” que Paulo menciona aos coríntios, que é: A Lei Moral dos Dez Mandamentos, aquela que não muda, é eterna, (Rom. 7:12) é justa, é boa, escrita duas vezes pelo dedo de Deus (Êxo. 31:18), em tábuas de pedra, e hoje, sob o Novo Concerto, escrita nas tábuas de carne de nosso coração, conforme as palavras de Hebreus 8:10 e Jeremias 31:33.
Esta gloriosa lei que revela a condição do homem, que lhe mostra o pecado, que é sobretudo o fundamento do governo de Deus, e de Seu caráter, será a norma de justiça no grande julgamento do Senhor, o Dia do Juízo. Tiago 2:12.
Meu irmão, decisão envolve coragem. Você é corajoso. Decida-se. Siga as pisadas de seu Mestre. Ele é seu sustentáculo. Ele lhe dará poder. Você será um vencedor, ao aceitar e praticar o que diz a Bíblia.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

GUARDA DO DOMINGO: Bíblico ou pagão?

“Guardamos o domingo... porque o mundo em geral guarda esse dia”. – Citação do livro: “Sabatismo à Luz da Palavra de Deus.”
“Que todos os juízes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol (domingo).” – (Codex Justinianus, lib. 13, tit. 12, par. 2/3).
“Aqui no Brasil ocorreu, há 40 anos, um fato interessante. Os Batistas, movidos por espírito polêmico, atacavam, pela imprensa, o aspersionismo e o pedobatismo, pelo fato de um órgão presbiteriano defender essas práticas. Num desses ataques, O Jornal Batista aventou a idéia de que não há na Bíblia prova taxativa para justificar o batismo de crianças, e isso era uma razão para não o aceitar. Em réplica, O Puritano, órgão então oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil, editado no Rio de Janeiro, em edição de 7 de Maio de 1925, afirmava:
“Se pelo fato de não termos na Bíblia uma prova absoluta e taxativa para o batismo infantil, isto tira o valor da doutrina, diga-nos aqui à puridade o bom do Jornal (órgão Batista): Em que fica o colega com a guarda do domingo e não do Sábado?
“Pode o colega mostrar no Novo Testamento, de modo positivo, um mandamento para a guarda do domingo? Damos dois mil contos, ao colega, se no-lo apresentar...” – Subtilezas do Erro, pág. 171, A.B. Christianini.
Diante de tal argumento, o órgão batista calou-se, e “perdeu ótima oportunidade de ‘ganhar’ dois milhões de cruzeiros, naqueles tempos... por quê? Porque a guarda do domingo, bem como o aspersionismo e o pedobatismo são práticas pagãs que se infiltraram na Igreja Cristã.” – Idem.
Neste conflito, os Adventistas, outra vez, saem ganhando, porque aceitam o batismo por imersão e observam o Sábado, que são doutrinas fundamentais do Novo Testamento.
Dizem que o Sábado é do Antigo Testamento e o domingo do Novo Testamento, razão porque pregam os evangélicos ser o domingo o dia de guarda hoje.
Só existem oito textos nas Escrituras que falam do primeiro dia da semana; porém, não o chamam de domingo. Tal nome é estranho à Bíblia.
Se as Escrituras Sagradas mandam ou autorizam a troca do sétimo dia para o primeiro dia da semana, tem que estar nestes oito textos.
O dia como Deus o criou é composto de duas partes. Escura e clara (Gên. 1:1-5). Contado de uma tarde (pôr-do-Sol) a outra tarde (pôr-do-Sol). Esta é a maneira de Deus definir o período de 24 horas que é um dia. – Eis a prova:
Gênesis 1:5 – “E foi a tarde e a manhã, o primeiro dia.”
Neemias 13:19 – “Sucedeu pois que, dando às portas de Jerusalém já sombra antes do Sábado...”
Marcos 15:42 – “E tendo chegado a tarde, porquanto era o dia da preparação, isto é, véspera do Sábado.”
Pois bem, estudemos então os textos do Novo Testamento que mencionam o primeiro dia da semana.
1 “E, no fim do Sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.” Mateus 28:1.
Este texto foi escrito no ano 62 d.C., ou seja, 31 anos depois da ressurreição de Jesus, e nele nada há indicativo da mudança do Sábado para o domingo. Apenas define que duas Marias, discípulas do Senhor, guardavam o Sábado, e ao findá-lo, no pôr-do-Sol, correram ao sepulcro, esperançosas de rever o corpo do Mestre. Prova que, após a morte de Jesus, o dia que se guardava, era o Sábado.
2 “E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do Sol.” Marcos 16:2.
No verso 1, as mulheres esperaram passar o Sábado, o santo dia do Senhor; chegado o primeiro dia, elas foram ao sepulcro. Consequentemente o domingo era estranho a todos os discípulos; porém, o Sábado continuava como dia santificado. Também esta Escritura data de 31 anos após a morte de Jesus, e Marcos menciona que o Sábado é o Dia do Senhor (Mar. 2:28), ao passo que desconhece completamente o domingo.
3 “E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual, tinha expulsado sete demônios.” Marcos 16:9.
Também este texto foi escrito 31 anos após a ressurreição de Jesus e nada há aqui que abone a santidade do domingo. Simplesmente vemos que a profecia de que o Senhor ia ressuscitar ao terceiro dia cumpriu-se. E Jesus assim demonstrou fidelidade à Sua santa lei, pois descansou no Sábado, da obra de criação, e agora dá provas que descansou da obra de redenção, permanecendo no sepulcro no Sábado. Por conseguinte, Seus trabalhos de criação e redenção foram realizados sem a transgressão do Sábado.
4 “E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado.” Lucas 24:1.
Lucas escreveu isso no ano 64 d.C., 33 anos depois da ressurreição do Senhor, e, como os outros evangelistas, nada abona em favor da santidade do domingo. Porém, uma coisa Lucas deixa claro, no verso 56 do capítulo 23, isto é: que o Sábado era e é o dia do Senhor. Lemos: “E voltando elas, prepararam especiarias e unguentos, e no Sábado repousaram, conforme o mandamento.”
5 “E no primeiro dia da semana Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.” João 20:1.
Este texto foi escrito no ano 97 d.C., 66 anos depois de Jesus ressuscitar, e também nada acrescenta a favor do domingo. Nada mesmo!
6 “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus... e disse-lhes: Paz seja convosco.” João 20:19.
Crêem os cristãos que discordam do Sábado, que este texto lhes assegura ser uma reunião religiosa dominical, e por isso o Sábado cedeu seu lugar ao domingo. Será mesmo assim? Não! Por que sei? Eis as razões:
• Os discípulos se ajuntaram com medo dos judeus e não para uma reunião religiosa regular. A intenção era esconder-se.
• Os discípulos não criam que Jesus havia ressuscitado. Leia: Mar. 16:11; 13-14; Luc. 24:37; João 20:24-27. Se não criam, evidentemente não era esta uma reunião religiosa, nem dominical.
• Jesus também não transformou esta reunião em cerimônia religiosa, muito menos em Santa Ceia. Comeu, sim, peixe assado e mel (Luc. 24:38-43), para provar aos discípulos que era Ele mesmo, e não um fantasma.
OBSERVAÇÃO: Não foi ótima ocasião para Jesus dizer aos discípulos que o domingo era agora o dia santificado? Por que não disse? Ora, porque o Sábado é eterno e santo, como Ele próprio. (Esta “reunião” se deu na habitação dos discípulos – Atos 1:13).
Observe que já estudamos seis dos oito versos onde é mencionado o primeiro dia da semana. E nada de concreto, definido, claro com relação à mudança do Sábado para o domingo.
7 “E, no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e alargou a prática até à meia noite.” Atos 20:7.
Este texto, depois de “esmiuçado” e comparado com outros, estribado na lógica e bom senso, dará uma mensagem diferente daquela que hoje se crê, que tal acontecimento foi uma reunião de Santa Ceia.
CONSIDEREMOS:
• Não se pode assegurar que esta foi uma Santa Ceia, porque “partir o pão” era um costume, uma ceia-refeição, um jantar entre os irmãos para alargar o sentimento cristão e o desenvolvimento do amor mútuo (Atos 2:42, 46). Era uma prática ótima, tão boa que motivou a unidade que o Espírito Santo precisava no Pentecostes. Este costume também imprimiu neles um profundo sentimento humanitário, pois não havia necessitados entre eles (Atos 2:45), e os pobres de Jerusalém por eles foram socorridos (Rom. 15:25 e 26). Finalmente, não podia ser Santa Ceia, pois não usaram o suco da vide, não procederam ao lava-pés (João 13:1-15; I Tim. 5:10); e muito menos há indícios sequer da Santa Ceia celebrada pelo mesmo Paulo (I Cor. 11:23-29). Ademais, o costume era partir o pão em casa (de casa em casa – Atos 2:46), o que prova ser uma refeição amigável, apenas.
• Nesta descrição – “E no primeiro dia da semana ajuntaram-se os discípulos...” entende-se com clareza tratar-se da noite do Sábado; pois que o dia é contado de pôr-do-Sol à pôr-do-Sol. Se assim é, o que ocorreu então? Paulo passou com os discípulos o Sábado, como era seu costume (Atos 17:2); e, ao terminar o dia, no pôr-do-Sol, e começar o primeiro dia (início da noite de Sábado), Paulo que teria de partir no dia seguinte (parte clara do primeiro dia da semana), desejou usufruir da presença dos discípulos, e isso foi até à meia noite (lógicamente do Sábado). Entretanto, foi uma reunião acidental, cujo motivo principal era o fato de ter Paulo que se ausentar dos irmãos, em cuja presença estivera durante uma semana (Atos 20:6). Se esta partida se desse numa terça, quarta ou quinta-feira, Paulo, como desejava, alargaria a prática até à meia noite anterior à sua viagem.
QUANTO AO MAIS, OBSERVEMOS:
• Paulo, como bom judeu, não poderia iniciar uma viagem no Sábado. De sorte que o aproveitou em assuntos espirituais, estendendo a prática por toda a tarde (conforme seu costume: Atos 16:13), e iniciando uma vigília até domingo de manhã, quando o navio havia de partir (Atos 20: 11).
• Caso admitamos que a reunião se deu no domingo, e como a noite de domingo já é o início da segunda-feira (segundo a contagem de tempo de Deus), por conseguinte a “Santa Ceia” se deu na segunda-feira, e não no domingo.
• Mesmo que esta reunião tenha se dado no domingo, mesmo que fosse uma Santa Ceia, ainda não há autorização expressa, específica, comprobatória da mudança do Sábado para o domingo. Pelo contrário, no tocante ao Sábado, Paulo o menciona diversas vezes, numa proporção de 10x1, em comparação ao primeiro dia da semana (Atos 18:1-3, 4, 11; 19: 8,10).
8 “No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá ajuntando para que se não façam coletas quando eu for.” I Coríntios 16:2.
Submetamos também este texto ao crivo das Escrituras, para que os irmãos se sirvam dele para o bem. A tradução Almeida Revista e Corrigida omite a palavra EM CASA. Porém, a própria tradução Almeida, Revista e Atualizada, acrescentou tal expressão porque, de fato, ela consta do original. Nota-se por isso a sinceridade do tradutor que, sendo adepto do domingo, incluiu a expressão em casa, pois, se não fizesse isso, porporcionaria forte argumento a favor da crença de que a coleta era na igreja. Daí, há que se deduzir:
• Paulo soube que os crentes de Jerusalém (Atos 11:28 e 29) estavam em grandes necessidades, e os discípulos decidiram socorrê-los.
• O apóstolo então pediu aos irmãos que sistematicamente, em casa, no primeiro dia da semana, fossem ajuntando alguma coisa; dinheiro, alimento, roupa, sandálias, etc. E por que, no primeiro dia da semana? Ora, é o primeiro dia não somente de atividades e trabalhos, como marca o início de um novo ciclo semanal, logo após passado o Sábado do Senhor. (Leia estes versos e comprove como Paulo se envolveu nesta coleta filantrópica: Rom. 15:25 e 26; compare com Atos 19:21; 20:3; 24:17; I Cor. 16:1-5; II Cor. 8:1-4; 9:1 e 2). Deviam, portanto, ir ajuntando conforme sua prosperidade para que, quando Paulo fosse ter com eles, no Sábado, apanhasse a oferta. Agora, por que sei que Paulo iria à igreja no Sábado?
RAZÕES
• Era o dia que Paulo tinha por costume ir à igreja (Atos 17:2), portanto era nele que os irmãos, judeus e gentios, levariam suas dádivas à casa de Deus.
• Paulo trabalhava durante a semana e no Sábado ia à igreja. Atos 18:1-4.
Bem, acabaram-se os textos (8 apenas), em que os cristãos hoje se baseiam para advogar a tese da santidade do domingo. Neles não encontramos nada que dê, pelo menos, alguma pista para a aceitação do domingo tomando o lugar do Sábado. Por outro lado, acompanhe Paulo e veja como ele tratava o Sábado.
Atos 18:1-3 – Aqui prova que Paulo trabalhava fazendo tendas, durante a semana.
Atos 18:4 – Neste, prova-se que Paulo não trabalhava no Sábado, mas ia à igreja, pregar para gregos, prosélitos e judeus.
Atos 18:11 – Lucas diz que Paulo assim procedeu em Corinto, trabalhando durante a semana, descansando aos Sábados, durante um ano e seis meses (18 meses). Ou seja, 78 Sábados guardados e, em nenhum deles, Paulo mencionou tivesse o Sábado sido abolido ou cedido seu lugar ao domingo.
Atos 19:8-10 – Paulo, em Éfeso, pregou o vangelho durante dois anos e três meses (27 meses), ininterruptamente. Isto é, 116 Sábados guardados. Nada de domingo.
A Epístola aos Romanos, que é a carta de exaltação à Lei de Deus, foi escrita de Corinto, durante a terceira viagem missionária de Paulo (Atos 20:1-3), no inverno de 57-58 d.C. (Rom. 16:23; I Cor. 1:14; II Tim. 4:20). Nesta cidade, onde Paulo implantou o cristianismo puro e genuíno, confirmando por exemplo a santidade do Sábado, escreveu sua epístola aos cristãos de além-mar, e nada falou sobre a pseudo-santidade dominical.
A Epístola aos Gálatas também foi escrita de Corinto, pela mesma época, e é um severo rebate aos professores judaizantes que tentaram injetar lá a perniciosa doutrina da justificação pelas obras da Lei Cerimonial; porém, nada promulgou Paulo em favor do primeiro dia da semana.
A Epístola aos Tessalonicenses também foi escrita de Corinto (I Tess. 3:1,6 – comparar com Atos 17:15) pelo ano de 51-52 d.C. Era este grupo uma igreja exclusivamente de gentios (I Tess. 1:1,9), e, no entanto, Paulo nada informou da santidade do domingo.
A Epístola aos Coríntios foi escrita de Éfeso (I Cor. 16:8), na primavera de 57 d.C. onde Paulo trabalhou durante três anos (Atos 20:31). A Igreja de Corinto foi estabelecida em sua segunda viagem missionária, onde Paulo fez 18 meses de evangelismo, e nunca falou sobre a guarda do domingo.
Nas igrejas de Corinto e Éfeso (esta era, principalmente, de formação gentílica – Efé. 1:1; 2:11; 4:17), onde passou grande parte de sua vida ministerial, Paulo estabeleceu entre outras doutrinas os dons espirituais, mas nunca situou o domingo como tomando o lugar do Sábado. É inconcebível que, ao estabelecer-se uma igreja, o corpo doutrinário não fique definido! – Por que então Paulo nunca falou, sequer uma vez, da santidade do domingo?
CONCLUSÃO – Paulo, o missionário que implantou o cristianismo entre os gentios, estabeleceu várias igrejas (Atos 16:5; 18:22; Gál. 1:22; I. Cor. 16:19; II Cor. 8:1, etc). Ungiu diversos presbíteros e diáconos (Atos 14:23; 20:17). Empossou líderes na igreja (I Cor. 12), mas nunca mencionou nada que abonasse o domingo entre os cristãos judeus ou gentios convertidos. Pelo contrário, em Éfeso e Corinto guardou e pregou em 194 Sábados, durante três anos e nove meses, estando semanalmente com os irmãos. Ora, convenhamos, se não falou em nenhuma oportunidade que o domingo ocupou o lugar do Sábado, é porque não aceitava assim.
O escritor de Atos foi o gentio Lucas. Escreveu tudo sobre os Atos dos Apóstolos, especialmente os de Paulo, e nada falou da mudança do Sábado para o domingo. Irmão, não resista mais. Nada há de concreto, palpável, claro a respeito do domingo no Novo Testamento, o que não se dá com o Sábado, que é uma realidade em toda a Bíblia. Só no Novo Testamento há 59 referências ao Sábado (ver pág. 133). Paulo cumpriu em sua vida a Lei Moral dos Dez Mandamentos, trabalhava seis dias da semana, e descansava um dia; e a Bíblia assegura que era o Sábado.
PARA VOCÊ PENSAR – Depois da ressurreição, Cristo passou 40 dias instruindo Seus discípulos sobre o estabelecimento de Sua igreja e, no entanto, não disse que o Sábado foi transferido para o domingo por causa de Sua ressurreição. Seria desumano, bem como grande crueldade e desamor, deixar Sua mãe, o apóstolo amado, Pedro e tantos outros enganados! Se realmente o Sábado tivesse sido abolido, Jesus diria abertamente. Creia!
Entretanto, o ensino claro de Cristo foi este, preste atenção: Olhando o Mestre a iminente destruição de Jerusalém cerca de 40 anos depois de Sua ascenção, Ele deu este conselho aos discípulos:
Mateus 24: 20
“...Orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no Sábado.”
Ora, irmão, Jesus deixa claro como a luz solar que, muito tempo depois de Sua ressurreição, o Seu povo deveria guardar o Sábado e não o domingo. A preocupação divina salta aos olhos. “Orai”, lembrou o Mestre. Esta expressão denota a sacrossantidade do Sábado. Estava Jesus preocupado em que Seus amados discípulos pudessem violar o santo Sábado depois que subisse ao Céu.
O que Jesus desejava é que os discípulos tivessem o Sábado em mente todas as vezes que orassem, já que se avizinhava a grande destruição de sua cidade. (A fuga se deu numa quarta-feira do ano 70, quando Jerusalém foi destruída, e assim evitou-se a transgressão do Sábado, com cargas, barulho, nervosismo, etc.).
Consequentemente, nem a morte, nem a ressurreição de Cristo, exerceram qualquer efeito quanto à mudança que hoje se propaga nos meios evangélicos. Portanto, fica patente: domingo não é, nunca foi, e nunca será símbolo da ressurreição. O batismo sim, o é!
Jesus foi o maior defensor do Sábado. Criou, santificou, abençoou, guardou e ensinou que ele estaria eternamente em vigor (Mat. 5:17 e 18), mesmo porque o Sábado é o memorial, o Selo de Sua Criação.
Nos dias de Jesus, o mandamento do Sábado era oficial, reverenciado, observado e definido. Eis o testemunho do evangelista a respeito da morte de Jesus:
Lucas 23: 53-56
“E havendo-O tirado, envolveu-O num lençol, e pô-Lo num sepulcro cravado numa penha, onde ninguém havia sido posto. E era o dia da preparação, e amanhecia o Sábado. E as mulheres, que tinham vindo com Ele da Galiléia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o Seu corpo e, voltando elas, prepararam especiarias e unguentos: E no Sábado repousaram, conforme o mandamento.”
O Sábado era amado por Jesus, daí Sua suprema preocupação em que não fosse transgredido por Seus amigos. O Senhor nunca foi contra este mandamento, nem jamais o tencionou mudar; pelo contrário, ordenava que os discípulos dessem ouvidos aos ensinos dos sacerdotes, e estes eram zelosos do Sábado. Sua preocupação, porém, era para observá-lo diferente dos tais ensinadores (Mat. 23:3), e por quê? – Porque coavam um mosquito e engoliam um camelo (Mat. 23:24). O Sábado deveria ser um dia deleitoso, digno de honra (Isaías 58:13), um dia aprazível, agradabilíssimo, mas os legalistas dele fizeram um dia da maior tristeza, um fardo mais pesado que um elefante.
Destaco do comentário de Taylor, Evangelho de João, Vol. 1 – págs. 126, 127 e 129, algumas tradições impostas sobre o Sábado:
“Os rabis fizeram uma lista de quarenta formas de trabalho menos uma. Se um homem praticasse no Sábado qualquer uma, devia ser apedrejado. Essas 39 categorias de trabalho eram chamadas ‘pais’ e cada ‘pai’ tinha ‘filhos’ de tradição sabática. Por exemplo, lavrar era um dos trinta e nove pais. Um filho de lavrar era cavar. E cavar abrangia muita coisa. Era proibido puxar uma cadeira de um lugar para outro no Sábado, pois podia cavar uma linha no assoalho.
“Permitia-se que um homem cuspisse na calçada no Sábado e que procurasse espalhar o cuspe com o pé, pois na calçada o pé não fazia sulco; mas o mesmo ato no chão era pecado, pois o pé, apagando o sinal do cuspe no chão, faria um sulco na terra, cavava.
“Outro pai era carregar peso e que numerosa descendência tinha! Não se permitia a um homem que levasse na boca a dentadura postiça no Sábado, pois era filho desse pai proibido.
“Um alfaiate não podia sair com sua agulha nem o escriba com sua pena, na sexta-feira de tarde, para não arriscar a possibilidade de voltar depois do pôr-do-Sol, e estar carregando esses pesos no Sábado.
“Outro pai proibido era colher, ceifar. Temos a narrativa da ofensa dos discípulos comendo grãos de trigo. Uma senhora não devia olhar-se no espelho no Sábado; podia ver um cabelo branco e ser tentada a arrancá-lo.
“Era proibido andar mais de 2.000 cúbitos (1.320 metros) no Sábado. Mas um fariseu que quisesse ir além poderia na sexta-feira pôr sua comida nesse ponto. Chegando ao fim dos dois mil cúbitos e achando a comida, diria: ‘Ah! eu estou em casa!’
“Não se podia comer um ovo que a galinha pusesse no Sábado. Mas se se dissesse: ‘Esta galinha se destina à mesa mais tarde’ – então poderia comer o ovo. Era apenas um pedaço da galinha que caíra, e se comia na intenção de equipará-la ao banquete de galinha assada que se teria, em outro dia.
“Havia um regulamento comprido sobre o nó que se poderia amarrar no Sábado, sendo proibido o nó de marinheiro e do condutor de camelos. Não se podia escrever juntas duas letras do alfabeto.
“Sapatos em que havia pregos não se podia calçar, pois isso seria carregar peso. Só se poderia calçar sapato costurado (o que somente os ricos e os fariseus poderiam adquirir). Também era lícito usar os dois sapatos, mas não um só, caso um homem estivesse com um calo ou ferida no pé. Um pão não se constituiria peso se carregado por dois homens, mas, um homem só carregando, então seria peso. Um judeu não podia tomar vinagre na boca, no Sábado, para aliviar a dor de dentes com bochecho, sem o engolir. Mas podia molhar a escova no vinagre.”
PENSE NISTO: Dois fariseus saindo da padaria carregando uma bisnaga. Cada um segurando um lado do pão. Não é para sorrir? É “sinceridade” demais!
Assim, a letra matou o deleite do Sábado. Felizmente Jesus libertou a alegria do Sábado destas tradições odiosas e inconsequentes e realçou o Sábado ao seu devido lugar. Sim, o Sábado, o memorial da criação de Deus é um dia deleitoso, agradável, espiritual. Deve ele servir ao homem e não o homem escravizar-se por ele, com infindas tradições tolas (Mat. 23:4; Luc. 11:46). Este Sábado feliz, Jesus aprova.
Por isso disse o Mestre: “...o Sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do Sábado.” (Mar. 2:27). Sim, o Sábado não necessita do homem. O homem é que necessita do Sábado, porém, livre dos disparates mencionados. Por isso Deus criou o homem primeiro, depois o Sábado, para atender suas necessidades: repouso, meditação, devoção espiritual, etc.
“O Sábado foi feito por causa do homem...” – Sim, para sua felicidade, para seu benefício, para o bem-estar de seu corpo. Logicamente, o homem deve guardá-lo, haja vista Deus tê-lo feito por sua causa; seria portanto falta de respeito e ingratidão para com o Criador o homem recusar aceitar algo criado para ele mesmo. Deus não faria nada para o homem que não fosse bom. E, se é bom, porque cancelar ou mudar? O caráter de Deus não muda. Sal. 89:34; Deut. 4:2.
Trata-se de causa e efeito: A causa, o homem. O efeito, o Sábado. Enquanto a causa (homem) existir, o efeito (Sábado) existirá como repouso de Deus para ele. Devemos ser coerentes com a palavra do Mestre. O Sábado foi feito por causa do homem e não do judeu. E Sua palavra proclama a universalidade do Sábado, porque o homem habita todo o nosso Planeta. “Deus ordenou que o Sábado fosse uma bênção, não uma carga, e é do interesse do homem, e não em seu prejuízo, o observá-lo. Foi designado para aumentar sua felicidade, não para causar-lhe dificuldade.” – The Sevent-Day Adventist Bible Commentary – Vol. 5, pág. 588.
Esta verdade não se prende ao domingo (primeiro dia da semana) que já existia quando o homem foi criado, cinco dias depois. Por conseguinte Jesus não somente é Senhor do Céu, da Terra, do mar, mas até do Sábado (Mar. 2:27; Mat. 12:8). Então, qual é o Dia do Senhor?
– Resposta: O Sábado, reconhecido por João em Apocalipse 1:10. Deus o chama: “Meu santo dia”. Isaías 58:13.
Efetivamente, nenhum dos apóstolos, muito menos o apóstolo amado, João, deu título sagrado ao domingo. Simplesmente denominaram-no de “o primeiro dia da semana”. Evidente que não podia dar. Nem o próprio Criador deu.
Se os apóstolos não deram santidade ao domingo, se Jesus não deu, quem então o fez? Que pena! Quem deu santidade ao domingo, quem o fez símbolo da ressurreição de Jesus, quem o estabeleceu como dia santificado e de guarda, foi justamente aquela que os protestantes hoje desdenham: a Igreja Romana. Aqui as provas transcritas do livro Estudos Bíblicos, páginas 405-407, editado pela CPB:
“Nós, católicos romanos, guardamos o domingo, em lembrança da ressurreição de Cristo, e por ordem do chefe de nossa igreja, que preceituou tal ordem de o Sábado ser do Antigo Testamento, e não obrigar mais no Novo Testamento.” – Pe. Júlio Maria, em Ataques Protestantes, p. 81.
“Foi a Igreja Católica que, por autoridade de Jesus Cristo, transferiu esse descanso para o domingo, em memória da ressurreição de nosso Senhor: de modo que a observância do domingo pelos protestantes é uma homenagem que prestam, independentemente de sua vontade, à autoridade da Igreja.” – Monitor Paroquial de 26 de Agosto de 1926, Socorro, SP. Grifos meus.
“Pelo próprio ato da mudança do dia de descanso para o domingo, o qual todos os protestantes aceitam; e portanto, contradizem-se positivamente, observando estritamente o domingo, e violando a maioria dos outros dias de festa ordenados pela mesma igreja.” – Abridgment of Christian Doctrine, Rev. Henry Tuberville, D.D. do Douay College, França, 1649, pág. 58, grifos meus.
“A Igreja Católica, por sua própria infalível autoridade, criou o domingo como dia santificado para substituir o Sábado, da velha lei.” – Kansas City Catholic, 9 de Fevereiro de 1893.
“A Igreja Católica... em virtude de sua divina missão, mudou o dia de Sábado para o domingo.” Catholic Mirror (espelho católico), órgão oficial do Cardeal Gibbons, de 23 de Setembro de 1893, grifos meus.
“O domingo é uma instituição católica, e sua observância só pode ser definida por princípios católicos. Do princípio ao fim das Escrituras não é possível encontrar uma única passagem que autorize a mudança do culto público semanal, do último para o primeiro dia da semana.” – Catholic Press – Sidney, Austrália. 25 de Agosto de 1900.
“A Igreja de Deus porém, asachou conveniente transferir para o domingo a solene celebração do Sábado... em virtude da ressurreição de nosso Salvador.” – Catecismo Romano, edição 1566, pág. 440, parág. 5:18.
“Observamos o domingo em vez do Sábado, porque a Igreja Católica no Concílio de Laodicéia (364 a.D.) transferiu a solenidade do Sábado para o domingo.” – The Convert’s Catechism of Catholic Doctrine, Rev. Peter Geierman, C.S.S.R.) pág. 50 – terceira edição, 1913, obra que recebeu a bênção apostólica do Papa Pio X, em 25 de Janeiro de 1910.
“Podereis ler a Bíblia de Gênesis ao Apocalipse e não encontrareis uma única linha que autorize a santificação do domingo. As Escrituras ordenam a observância religiosa do Sábado, dia que nós nunca santificamos.” – Cardeal Gibbons em the Faith of Ours Fathers, edição de 1892.
“A Bíblia manda santificar o Sábado, não o domingo; Jesus e os apóstolos guardaram o Sábado. Foi a tradição católica que, honrando a ressurreição do Redentor, ocorrida no domingo, aboliu a observância do Sábado.” – O Biblismo, pág. 106, Padre Dubois – Belém.
“Não tivesse ela (Igreja Católica) esse poder, e não poderia haver feito aquilo em que concordam todos os religionistas modernos – não poderia haver substituído a observância do Sábado do sétimo dia, pela do domingo, o primeiro dia, mudança para a qual não há autoridade escriturística.” – Um Catecismo Doutrinal, Rev. Stephan, pág. 174.

Agora observe o respaldo dos citados “religionistas modernos”:

CONGREGACIONALISTAS: “Não existe na Bíblia mandamento que requeira de nós a observância do primeiro dia da semana como sendo o Sábado cristão.” – Mode and Subjects of Baptism, por Fowler.

METODISTAS: “É certo não haver mandamento positivo para o batismo infantil... Tampouco o há para santificar o primeiro dia da semana.” – Theological Compend (1902), Rev. Amós Binneyas, 180 e 181.

LUTERANOS: “A observância do domingo não se baseia em nenhum mandamento de Deus, mas sim na autoridade da igreja.” – Augsburg Confession of Faith citado em Cox’s Sabbath Manual, pág. 287.

PRESBITERIANOS: “Deus instituiu o Sábado na criação do mundo separando para este fim o sétimo dia, e impôs sua observância como obrigação universal, moral e perpétua.” – Dr. Archibaldo A. Hodge, da Comissão Presbiteriana de Publicidade.

PENTECOSTAIS: “A Bíblia nos mostra a sagrada Lei de Deus: ‘faça isto’, ‘não farás!’. Êxo. cap. 20. E essa Lei deveria ser observada, cumprida rigorosamente – e até aos nossos filhos a deveríamos fazer conhecer. Deut. 6: 1-13. A Palavra de Deus é, sob certos aspectos, autoritária! Ela nos fala de modo imperativo.” – Lições Bíblicas, 7-12/1966, Dir. Respons. Pastor Emílio Conde, pág. 12.

BATISTAS: “Cremos que a Lei de Deus é a base eterna e imutável do Seu governo moral (Rom. 3: 31. Mat. 5: 17. Luc. 16:17. Rom. 3:20); que essa Lei é santa, justa e boa (Rom. 7: 12. Sal. 119); que a incapacidade dos homens decaídos, da qual falam as Escrituras, para cumprirem os seus preceitos, provém unicamente do seu amor ao pecado (Rom. 8: 7-8. Jos. 24: 19. Jer. 13:23. João 6:44); que um dos principais objetivos do evangelho é o de libertar os homens do pecado e restaurá-los em Cristo a uma obediência sincera dessa santa lei, concorrendo para isso os meios da Graça proporcionados em conexão com a igreja visível (Rom. 8:2-4. Heb. 8: 10. Heb. 12.22-25).” – Manual das Igrejas Batista, por Willian Carey Taylor, 4a. Edição, 1949, pág. 178, Artigo XII – Casa Publicadora Batista.

MÓRMONS – “Há aqueles que gostariam de destruir o Decálogo, ou os Dez Mandamentos... Tais mandamentos não foram ab-rogados, nem anulados e estão em vigor hoje da mesma forma como estiveram quando pronunciados em meio aos trovões no Monte Sinai, embora não sejam observados.” – Joseph Fielding Smith, The Heed to Yourselves, pág. 133.
Eis aí, declarações sinceras. O Sábado é inegável. É bíblico. É eterno. É divino. Infelizmente só não é colocado em prática. Leia, irmão, Atos 5:29.
Assim, amado, grande número de escritores protestantes e autoridades evangélicas em geral admitem que foi por autoridade da Igreja Romana e não por ordem divina ou apostólica que o domingo tomou o lugar do Sábado, e passou a ser santificado pela cristandade. Destaco por fim, o Dr. Edward T. Hiscox, autor do Manual Batista, que fez perante um grupo de ministros, a seguinte honesta afirmação:
“Havia e há um mandamento para santificar-se o Sábado, mas aquele Sábado não era o domingo. Será dito, talvez, e com ostentação de triunfo, que o Sábado foi transferido do sétimo para o primeiro dia da semana, com todos os seus deveres, privilégios e sanções. Desejando ardentemente informações sobre este assunto, que tenho estudado por muitos anos, pergunto: Onde se pode achar o relato de tal transferência? Não no Novo Testamento, absolutamente não! Não há na Escritura evidência de mudança da instituição do Sábado, do sétimo dia da semana.
“É para mim incompreensível que Jesus, vivendo durante três anos com Seus discípulos, conversando com eles muitas vezes sobre a questão do Sábado, tratando-o nos seus vários aspectos, ressalvando-o das falsas interpretações, nunca Se referisse a uma transferência desse dia; mesmo durante os quarenta dias de vida após Sua ressurreição, tal coisa não foi indicada. Nem tampouco, quanto ao que sabemos, o Espírito Santo, que fora enviado para lhes fazer lembrar tudo quanto haviam aprendido, tratou desta questão. Nem ainda os apóstolos inspirados, pregando o evangelho, fundando igrejas, aconselhando e instruindo, discutiram ou abordaram o assunto.
“...estou bem certo de que o domingo foi posto em uso como dia religioso, bem no princípio da história cristã, pois assim aprendemos dos pais da igreja e de outras fontes. Mas que pena ter vindo ele estigmatizado com a marca do paganismo e crismado com o nome do Deus Sol, quando adotado e sancionado pela apostasia papal, e dado ao protestantismo como um legado sagrado.” – De um discurso feito em 13 de Novembro de 1893, – (citado em Sub. do Erro, A.B. Christianini, págs. 169/170 – CPB, grifos meus). Este discurso foi reproduzido parcialmente no The Watchman Examiner, Órgão Batista editado em Nova York, edição de 16 de Novembro de 1893.

Assim, meu irmão, se nada há de concreto que abone o domingo como substituindo o Sábado, e o próprio Senhor sequer o menciona, para onde ir?
Verdade é que Jesus:
• Não transgrediu o Sábado (Mat. 24:20);
• Não o alterou (Mat. 5:17 e 18);
• E ao morrer disse: “Está consumado” (João 19:30).
Portanto, ninguém se atreva a anular ou acrescentar (Apoc. 22:18-19).
• O Sábado é o dia do Senhor: (Mat. 12:8; Mar. 2:28; Apoc. 1:10).
• Deus confirma: “Não Mudarei” (Deut. 4:2; Sal. 89:34).
• Não mente (Tito 1:2). A palavra do Mestre tem que prevalecer (I Tim. 6:3).

O domingo não é bíblico. Que fará Deus?
• A “planta” domingo será arrancada.
“...toda planta que Meu Pai Celestial não plantou, será arrancada.” Mateus 15:13.
Pense bem:
Se Jesus surgisse hoje ensinando publicamente, não repetiria as palavras de 2.000 anos atrás? Estas:
“Por que transgredis vós também os Mandamentos de Deus pela vossa tradição?” (Mateus 15:3).
“Mas em vão Me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.” (Mateus 15:9).
“Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” (Heb. 10:31).
Abraço!!!

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